Crítica | Gotham – 3X11: Beware the Green-Eyed Monster

estrelas 4

Obs.: Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da temporada aqui.

Não há como negar a evolução de Gotham ao longo de suas três temporadas. De uma série enfadonha, com a estrutura de vilão da semana, a obra foi encontrando sua linguagem com o passar do tempo e logo se tornou uma das melhores séries baseadas em quadrinhos de heróis e definitivamente a melhor da DC (não que seja muito difícil ganhar da concorrência atual) – não entram as da Vertigo, como Lucifer e Preacher, claro. Em Beware the Green-Eyed Monster, chegamos ao midseason finale da terceira temporada e, embora estejamos falando de um ótimo episódio, ele não soa como o desfecho de um arco.

Conforme vimos na semana passada, Mario, que está prestes a se casar com Lee, contraiu o vírus presente no sangue de Alice Tetch. Já era de se esperar, portanto, que veríamos a trama do capítulo focar nesse ponto. O noivo, enciumado de Jim, decide fazer sua futura esposa odiar o policial, se colocando em posição de falsa vítima de uma perseguição por parte de Gordon. Enquanto isso, Bárbara convence Nygma que o Pinguin fora o culpado pela morte de Isabella, criando uma aliança com Edward. Do outro lado da cidade, temos Bruce, Selina e Alfred em sua missão de destruir a Corte das Corujas.

Embora os três arcos finalizem de forma dramática, representando um possível estouro de eventos de maior magnitude em Gotham, sentimos como se o clímax de fato tivesse sido deixado para depois do hiato. Naturalmente estamos falando apenas da metade da temporada, mas, considerando o hábito de dividir cada ano em dois, com tramas bem diferenciaras entre si, um certo receio nos é deixado, visto que tememos por um resfriamento de toda essa tensão à beira de explodir que fora instaurada na cidade. De fato, Beware the Green-Eyed Monster soa como qualquer outro capítulo do seriado – fruto, é claro, da costumeira agilidade assumida pela série.

Quando tratamos o desenvolvimento em si de cada uma dessas subtramas, o cenário muda de figura. O que aqui aconteceu já era esperado pela forma como a narrativa fora construída. Temos, sim, algumas surpresas, mas a temporada toda caminhou para esse ponto, explicitando o coeso trabalho do showrunner Bruno Heller. Uma verdadeira pena que não chegamos a ver a profunda mudança no status quo de cada personagem, como de costume nos episódios antes dos hiatos da série. Evidente que muitos problemas estão a caminho, mas nada definitivo até agora.

Outro aspecto a ser observado é a evolução de Ben McKenzie como Gordon. Em geral estamos aqui costumados com sua pose mais de durão, como uma figura mais calada e voz séria. Aqui uma nova faceta de sua interpretação nos foi oferecida e sentimos em sua voz todo o amor do personagem por Lee. Se torna claro como o ator já se acostumou com o indivíduo que representa, nos entregando um trabalho mais à vontade, que apenas contribui para nossa imersão nesse universo. O mesmo vale para o Pinguim, que é demonstrado cada vez mais fraco – ele não é mais aquele gângster capaz de fazer qualquer coisa e isso contribui para que tenhamos receio do futuro reservado ao personagem.

Com muito acertos, Beware the Green-Eyed Monster é mais um ótimo episódio de Gotham, que nos traz uma experiência que muito bem desenvolve cada uma das subtramas trabalhadas ao longo da metade deste ano. Infelizmente ficou faltando uma maior sensação de estarmos diante do midseason finale. Ainda assim, o resultado é a melhor metade de temporada do seriado, com uma história que, enfim, consegue nos manter ansiosos pelo que está por vir – uma pena que um hiato dívida esse do próximo capítulo.

Gotham volta dia 16 de janeiro de 2017.

Gotham 3X11: Beware the Green-Eyed Monster – EUA, 28 de novembro de 2016
Showrunner:
Bruno Heller
Direção:
Danny Cannon
Roteiro:
John Stephens
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Cory Michael Smith, Jessica Lucas, Richard Kind, Michael Chiklis, Drew Powell, Chris Chalk, Morena Baccarin, Jamie Chung
Duração:
43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.