Crítica | Gotham – 3X16: These Delicate and Dark Obsessions

estrelas 5,0

Obs.: Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da temporada aqui.

Nesse segundo episódio pós-hiato, que dá continuidade ao arco Heroes Rise, de Gotham, a série mostra que não perde sequer um minuto, alavancando a trama para frente na mesma velocidade com a qual nos acostumamos nessa terceira temporada, não oferecendo espaço algum para o espectador respirar. Isso, claro, poderia ser um grande deslize se o seriado não soubesse, nesse ritmo, desenvolver o seus personagens e, mais uma vez, presenciamos os claros sinais de sua evolução ao longo desses três anos, com três núcleos distintos sendo trabalhados, de forma que, todos, se conectam de alguma forma.

Começamos já com a Corte das Corujas em uma reunião que os estabelece, de uma vez por todas, como os principais antagonistas da temporada. A máscara do grupo agora ganha um sentido maior, um ar ritualístico, não exclusivo para esconder suas identidades, mas sim para uní-los como uma persona só, elemento que dialoga com o voto por unanimidade que vemos no trecho inicial. Do outro lado temos Jim Gordon, ainda tentando descobrir se as palavras de seu tio foram verdadeiras através de uma investigação sobre a morte de seu pai. Já Bruce Wayne, em um local desconhecido, se encontra com um velho misterioso, que alega querer treiná-lo para retornar a Gotham como um protetor, um símbolo. O Pinguim, por sua vez, precisa reunir seu exército para se vingar daqueles que o destronaram.

Ao longo dessas três temporadas de Gotham vimos vilões realmente causando o terror na cidade, mas, até agora, nenhum deles tinha planos de literalmente destruí-la. Somente esse fator já garante o grau de urgência maior, estabelecendo a Corte como uma verdadeira ameaça para todos os presentes. É justamente esse ponto que une tão bem as diferentes linhas narrativas do seriado, ao passo que sabemos que Jim, Bruce, Oswald e todos os outros que ali vivem, estão sob ameaça. Não seria um chute muito grande, portanto, se disséssemos que eles se unirão, no clímax, para derrotar essa sociedade secreta que controla toda Gotham, algo que já vimos aqui, com Gordon pedindo ajuda a Barbara.

Outro ponto curioso a se observar em These Delicate and Dark Obsessions é como não existe algum crime específico sendo cometido, que Jim ou Harvey precisam investigar – o “vilão da semana” é dispensado de vez, com toda a tenção sendo virada para os principais antagonistas. Existe, claro, o elemento policial com a procura do protagonista pela verdade, mas isso faz parte da trama principal, não gerando qualquer ruptura narrativa que dilate, desnecessariamente, a história da temporada. Mesmo o Pinguim começa a se juntar ao resto quando decide formar seu exército de freaks, do Asilo Arkham e Indian Hill, dois locais, é claro, conectados entre si. Dito isso, vale lembrar que a caixa misteriosa recebida pela Corte contava com o símbolo de Indian Hill, já anunciando uma conexão maior das subtramas.

O lado de Bruce, porém, nos dá a entender que há mais por trás dessa sociedade secreta, e teorias sobre a participação da Liga das Sombras começam a surgir, já que o enredo dessa parcela da temporada está ficando bastante similar a Batman Begins, visto que ambas as obras contam com pacotes misteriosos sendo recebidos em Gotham e sujeitos misteriosos treinando Bruce para ser um símbolo. Evidente que, por contar com mais de setenta anos de história, pode haver mais conexões da série com os quadrinhos nesse ponto, mas eu chutaria que Bruno Heller está criando sua própria versão dos eventos do filme de Christopher Nolan aqui.

É preciso ressaltar, também, que esse episódio marca a estreia de Ben McKenzie como diretor e ele realmente não decepciona nesse quesito. Na única sequência de ação que vemos no episódio, temos planos mais longos, que criam o suspense necessário, com o diretor trabalhando com o som fora de tela. Já nas cenas envolvendo Bruce, ele cria um ar de claustrofobia, gerando a ideia de que ele realmente está preso em um local labiríntico, ainda que seja mera ilusão do personagem. McKenzie mostra, portanto, como consegue trabalhar a expectativa do espectador, sem exageros, de forma simples e certeira.

Dito isso, These Delicate and Dark Obsessions mostra o grau de qualidade que Gotham atingira desde sua estreia, se transformando em uma das melhores séries baseadas em quadrinhos. Enfim a DC Comics ganha o material que merece no audiovisual. Temos aqui uma obra que sabe explorar seus personagens ao mesmo tempo que cria uma atmosfera mais pesada. Gotham encontrou, já faz um tempo, sua linguagem, mais do que podemos dizer de muitos filmes e séries por aí.

Gotham – 3X16: These Delicate and Dark Obsessions – EUA, 02 de maio de 2017
Showrunner:
Bruno Heller
Direção:
Ben McKenzie
Roteiro:
Robert Hull
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, Erin Richards, Cory Michael Smith, Jessica Lucas, Raymond J. Barry, Richard Kind, Michael Chiklis, Drew Powell, Chris Chalk, Morena Baccarin, Jamie Chung
Duração:
43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.