Crítica | Gotham – 4X04: The Demon’s Head

– Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da série aqui.

A reaparição de Ra’s al Ghul no episódio anterior gerou certo receio em relação ao futuro dessa temporada, que poderia ficar super-lotada de subtramas, especialmente com a introdução do Espantalho no início deste quarto ano da série. Felizmente, o showrunner Bruno Heller parece ter planos maiores para o antagonista, que pode tomar o palco central nessa primeira metade, que pelo subtítulo, deve representar a ascensão de Bruce Wayne como o vigilante mascarado.

Seguida a aquisição da faca, Bruce e Alfred tentam descobrir mais sobre o artefato, levando-o até o museu local. O que não esperavam é que Ra’s estaria pouco atrás. Após matar o avaliador do museu, o vilão não percebe que a faca permanecera com o neto da vítima, que passa a ser procurado tanto pelo antagonista, quanto por Bruce e Gordon. Enquanto isso, o Penguim demonstra preocupação em relação à volta de Sofia Falcone à cidade, tudo enquanto ele tem de lidar com Edward Nygma e seu descongelamento.

Roteirizado pelo próprio Ben McKenzieThe Demon’s Head segue de maneira bastante linear, demonstrando mais foco, quando a série poderia facilmente se perder em inúmeras narrativas paralelas. Isso pode ser observado claramente pela ausência de Harvey, algo que sentimos falta, mas que não se encaixaria bem com o que foi mostrado aqui, já que o foco foi a investigação conjunta de Jim e Bruce. Ainda que a introdução das duas criaturas (no mínimo bizarras) de Ra’s al Ghul tenha sido desnecessária, utilizada apenas para garantir a dose mínima de ação do episódio, a trama geral do capítulo não chega a ser impactada, visto que eles cumprem a sua função e logo são descartados, remetendo às origens procedurais do seriado.

O único ponto que ainda soa verdadeiramente fora da curva é Sofia, cuja real importância ainda não foi revelada. Claro que ela deverá cumprir a função de desestabilizar o império de Cobblepot, fazendo Gotham retomar seu estado inicial, infestada pelo crime, mas não dominada por ele, mas não temos como demonstrar certo receio em relação a mais uma queda do Pinguim, já que elas não foram poucas ao longo da série. O envolvimento romântico de Jim com ela também soa um tanto repetitivo, já que praticamente todas as personagens femininas da série acabaram tendo um caso com o detetive.

Na direção, Kenneth Fink faz bom uso da linguagem de filmes de terror em determinadas sequências, trabalhando com a câmera mais subjetiva e planos levemente mais longos, aspecto que garante a tensão enquanto Wayne e o neto do curador estão escondidos. Como já dito, a presença dessas duas criaturas soa como a típica estrutura de “monstro da semana”, mas é inegável a eficiência da perseguição, bem construída pelo roteiro e executada por Fink. A notável presença de Ra’s al Ghul, que ganha mais tempo em série do que em qualquer outro capítulo, também revela bastante sobre o que está por vir, especialmente o desfecho, que nos mostra sua entrada em Blackgate.

The Demon’s Head, portanto vem como mais um sólido capítulo da série, que tem demonstrado, mais uma vez, entender seus pontos fortes, com narrativa mais linear, não se perdendo em suas subtramas. O único porém é a presença de Sofia Falcone, que gera dúvidas sobre sua participação ir além do básico interesse amoroso de Jim (que teve, até agora, uma namorada por temporada). Esperamos que ela venha a desempenhar um papel de destaque, tomando a cidade para si e levando o nome Falcone de volta à posição que ocupara no primeiro ano.

Gotham – 4X04: The Demon’s Head — EUA, 12 de outubro de 2017
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Kenneth Fink
Roteiro:
Ben McKenzie
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, Alexander Siddig, John Doman, Crystal Reed
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.