Crítica | Gotham – 4X05: The Blade’s Path

– Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da série aqui.

Ocasionalmente, quando se trata de séries de televisão, as subtramas acabam ganhando mais nossa atenção que a trama principal. No caso de Gotham isso acontece com maior frequência, visto que um dos personagens mais bem construídos da série, o Pinguim, não por acaso, tem seu merecido tempo em tela garantido desde a primeira temporada. Em The Blade’s Path vemos novamente esse personagem tomando a dianteira, mais pela forma como foi desenvolvido o arco de Jim Gordon e Bruce Wayne, do que pela tensão proporcionada por esse trecho da história de Cobblepot.

Com a prisão de Ra’s al Ghul no episódio anterior e a chance do antagonista ser solto por razões políticas, tanto Gordon quanto Wayne se veem preocupados com a situação em Gotham. Bruce logo descobre que a antiga adaga é a única arma capaz de matar esse vilão e, contra a vontade de Alfred, vai escondido até Blackgate a fim de assassinar Ra’s. Pouco depois, ao descobrir as intenções de Wayne, Alfred recorre a Jim para impedirem que o menino faça qualquer coisa. Enquanto isso, Butch, em coma, é jogado em um pântano e, ao entrar em contato com materiais químicos, retorna à vida como Solomon Grundy. Do outro lado, temos Sofia Falcone tentando se aproximar do Pinguim.

O grande problema desse arco que gira em torno de Ra’s al Ghul, é que o vilão mal foi desenvolvido na série – tudo ocorre rápido demais, não gerando qualquer momentum, sendo, pois, incapaz de nos envolver. Claro que o dilema moral de Bruce já vem sendo construído desde a temporada anterior, ganhando ainda mais enfoque no capitulo passado, mas um pouco mais de calma seria necessário para garantir nosso engajamento com essa subtrama. Dessa maneira, problemas como a súbita mudança de postura do jovem seriam evitadas – em um momento ele concorda com Alfred sobre não matar e na cena seguinte ele já decide fazer justamente o contrário – ao menos uma montagem mais eficiente seria necessário para esconder essa volatilidade do personagem. A partir desse momento, tudo fica extremamente previsível, sendo óbvio que Bruce iria “matar” Ra’s e que, de alguma forma, ele irá retornar futuramente (vide sua interação com Barbara Gordon na cadeia).

Ao menos temos a divertida relação de Grundy e Nygma para nos fazer esquecer desses problemas de narrativa, ainda que esse lado do episódio cometa seus próprios deslizes, como o fato de Solomon encontrar rapidamente Edward simplesmente andando pelas ruas de uma cidade tão grande (os establishing shots mais do que mostram a extensão da área urbana). Esquecendo disso, contudo, essa subtrama prova ser uma bela fonte de entretenimento, não se levando a sério demais. Isso, claro, até o sofrível desfecho que nos mostra Leslie Thompkins de volta, em mais uma demonstração da artificialidade do roteiro de Tze Chun – conveniente demais ela estar justamente no lugar para aonde Nygma e Grundy decidem ir.

Portanto, o único ponto sem grandes defeitos no episódio é a interação entre Cobblepot e Falcone, continuando a tentativa da filha do ex-chefão da máfia em se aproximar do Pinguim. Aqui vemos uma boa utilização do passado do personagem, mesmo que às custas da repetitividade, já que Sofia deve ter dito uma dezena de vezes, só nessas suas curtas aparições, que seu pai a deixara de lado durante toda sua vida. Além disso, Robin Lord Taylor mais do que provou que se sente à vontade em seu papel, fazendo suas aparições serem sempre desejáveis.

The Blade’s Path é um capítulo com trechos extremamente previsíveis e outros repletos de conveniências do roteiro, mas não deixa de ser um razoável episódio de Gotham, que nos mostra que o Pinguim continua sendo um dos melhores aspectos do seriado. Resta torcer para que o arco de Bruce Wayne seja desenvolvido de maneira mais cadenciada, possibilitando maior profundidade por parte do texto – caso contrário, continuaremos assistindo tal história no modo automático, já sabendo de tudo o que irá acontecer.

Gotham – 4X05: The Blade’s Path — EUA, 19 de outubro de 2017
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Scott White
Roteiro:
Tze Chun
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, Alexander Siddig, John Doman, Crystal Reed, Morena Baccarin
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.