Crítica | Gotham – 4X06: Hog Day Afternoon

– Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da série aqui.

Terminado, ou, ao menos, colocado em pausa, o problemático arco envolvendo Ra’s al Ghul, era natural que Gotham daria início a mais uma subtrama envolvendo algum criminoso, enquanto, claro, algumas outras histórias focadas em determinados personagens continuariam. Dessa vez, Bruce e Alfred são colocados de lado e Hog Day Afternoon mantém sua atenção em Cobblepot/ Sofia, Jim/ Harvey e Nygma/ Thompkins (além de Grundy). Felizmente, a aparição de um novo antagonista não nos distanciou do que interessa, dialogando diretamente com o problema das autorizações do Pinguim, que vem sido trabalhado desde o início desse quarto ano.

Apesar de acertar no uso desse vilão, o capítulo traz um início bastante hesitante, fragmentado, um problema de encadeamento dos fatos e não especificamente o do que acontece em cada um dos arcos – aspecto que se torna bastante perceptível pela demora do título inicial, que somente aparece após o primeiro assassinato do prof. Pyg. Tirando isso do caminho, felizmente, o que ganhamos é um episódio bastante satisfatório, que nos leva de volta à boa e velha dinâmica entre Gordon e Bullock, ponto que, aliás, é um dos focos dramáticos do capítulo, possibilitando o triste desfecho, que pode significar o afastamento entre os dois.

Aqui devo colocar em evidência os trabalhos de Ben McKenzie e especialmente de Donal Logue, ambos já mais que à vontade em seus papéis, fazendo-nos enxergá-los como dois velhos amigos. A reação de Bullock ao término do episódio é algo verdadeiramente tocante, especialmente para quem acompanha a dupla desde o início do seriado, conferindo, pois, o peso necessário à tal cena. Claro que não havia dúvidas de que o policial morreria com o corte na garganta, mas fica bastante evidente que a intenção era criar a tensão através da decepção de Jim em relação a seu amigo.

Por falar em tensão, a relação entre Oswald e Sofia funciona perfeitamente para garantir a necessária dose de instabilidade na trama – jamais sabemos se ou quando ele irá perceber as verdadeiras intenções da mulher e o fato dela estar manipulando Cobblepot gera um belo paralelo com a relação de Carmine Falcone com a jovem enviada por Fish lá na primeira temporada. Essa mais cadenciada construção ainda permite que nos importemos com a personagem, possibilitando que sua possível (provável?) morte seja mais impactante.

Do lado de Nygma e Grundy, devo confessar que não consigo enxergar uma forma como Lee poderá ser inclusa na trama de maneira orgânica novamente. Sua simples presença justamente no mesmo lugar para onde Grundy e Edward vão é conveniente demais, sendo o suficiente para levantar a sobrancelha em incredulidade. Não bastasse isso, ela já ganhou seu mais que exagerado destaque nas temporadas anteriores, retornar ao velho vai-e-vem com Jim seria, no mínimo, repetitivo demais. Ademais, parece que ela somente irá servir para fazer Nygma inteligente novamente, nos poupando das suas artificiais tentativas de lembrar certa palavra.

Com pequenos defeitos, Hog Day Afternoon ainda consegue ser uma boa prova de como Gotham sabe adotar aspectos de sua antiga estrutura procedural, a fim de desenvolver a trama geral que fora apresentada no première da temporada. Com um dramático desfecho, que certamente irá afetar a amizade de Bullock e Gordon, somos deixados na expectativa de ver mais prof. Pyg na próxima semana – resta torcer para que o foco não se perca.

Gotham – 4X06: Hog Day Afternoon — EUA, 26 de outubro de 2017
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Mark Tonderai
Roteiro:
Kim Newton
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.