Crítica | Gotham – 4X08: Stop Hitting Yourself

– Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da série aqui.

Confesso que quando comecei a assistir Gotham, lá em setembro de 2014, a última coisa que esperava ver é um homem arrancando o braço de outro, apenas para começar a bater no sujeito com o próprio membro. Do première para cá, a série efetivamente aprendeu a abraçar seu lado mais distorcido, utilizando a violência para construir seu humor negro cheio de identidade, que, por sua vez, cria uma atmosfera única, facilmente identificável, aspecto que garante  a relevância de tal seriado nos dias de hoje – goste ou não, o que sentimos ao assistir Gotham não é repetido em qualquer outra série atual. Stop Hitting Yourself mais do que prova isso, enquanto nos deixa cada vez mais próximos do midseason finale.

Essa identidade encontrada, porém, não quer dizer que o seriado seja perfeito – longe disso, afinal, essa quarta temporada tem demonstrado uma nítida falta de foco, especialmente no que diz respeito a seus antagonistas. Até agora já tivemos três: Espantalho, Ra’s al Ghul e Prof. Pyg e apenas o terceiro continua na ativa, funcionando como catalisador do conflito entre James Gordon e Harvey Bullock, que, como já era de se esperar, atinge novas proporções nesse oitavo capítulo, com Gordon, enfim, sendo promovido a capitão da GCPD. É gratificante enxergar como o término dessa importante amizade – que tanto definiu a série – tem ganhado a devida atenção, com roteiros que não pecam por serem acelerados ou lentos demais, funcionando na medida certa.

Surpreendentemente, mesmo com essa questão em andamento, o roteiro de Charlie Huston soube trabalhar outros arcos, como o que garante o título do episódio, girando em torno de Ed, Grundy e a gangue de Barbara. De certa forma deslocados desde o início da temporada, tais personagens, enfim, voltam a fazer parte do cenário geral, unidos sob o Pinguim, que, de fato, funciona para juntar todas as subtramas do seriado. Faltando pouco tempo para o midseason, já podemos enxergar como todos os elementos convergem para derrubar o líder do crime na cidade, algo inevitável para que a série continue se renovando. Mesmo com tais traições e conspirações, o texto não cansa de deixar claro o poder de Cobblepot, sempre mostrando que não será tão fácil ir contra o rei de Gotham.

Enquanto isso, o personagem é exibido sob certo ar de fragilidade, enquanto é manipulado por Sofia, quem recomenda a ele que arranje um passatempo para se distrair dos negócios, ponto que garante algumas das melhores sequências do episódio, com Oswald treinando o garoto do orfanato. Diz muito sobre o personagem sua escolha de justamente ir “cuidar” de uma criança, revelando sua própria solidão após ter perdido todos quem amava – aliás, sua aversão à amizade é mais uma prova do quão isolado está o personagem. O melhor disso tudo é ver como esse isolamento do Pinguim dialoga com a posição atual de Jim. Ainda que Gordon tenha conquistado a admiração de sua delegacia, ele parece ter perdido seu melhor amigo e agora se afasta da Falcone, certamente se enxergando sozinho naquele meio, afinal, Bullock sempre esteve ao seu lado desde a primeira temporada, o que torna tudo mais triste.

É com esse ar de tristeza que finalizamos Stop Hitting Yourself, que, mesmo com suas bem inseridas doses de humor negro, não consegue nos distanciar dos dramáticos acontecimentos que aqui ocorreram. Sem dúvidas o melhor capítulo da temporada até então, temos aqui uma prova do quanto a série evoluiu, encontrando sua identidade e firmando-se como um produto digno das histórias em quadrinhos nas quais se baseia. Próximos do midseason finale permanecemos relutantes em assistir o possível término dessa amizade que definiu a série, enquanto ficamos curiosos acerca de qual será o destino do Pinguim.

Gotham – 4X08: Stop Hitting Yourself — EUA, 9 de novembro de 2017
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Rob Bailey
Roteiro:
Charlie Huston
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.