Crítica | Gotham – 4X10: Things That Go Boom

– Contém spoilers do episódio. Leiam nossas outras críticas da série aqui.

Considerando todo o desenvolvimento dessa primeira metade da quarta temporada de Gotham, a série perigosamente se aproximava de nos mostrar mais uma queda do Pinguim, repetindo a mesma ladainha de sempre, que, até agora, impediu o chefão do crime na cidade em permanecer muito tempo no poder. Com um estouro, porém, literalmente, o seriado demonstra que, se faz algo ao longo desses quatro anos, foi aprender com seu passado. O que ganhamos é um belo twist, que promete um explosivo midseason finale, por mais que um detalhe em específico ainda tenha bastante nos incomodado.

Uma temática central pode ser delineada em Things That Go Boom: a falha da diplomacia. De um lado temos o Pinguim tentando resolver todo seu conflito com Sofia através de um acordo com Jim Gordon, o que, claro, dá errado em razão dos calculismos da Falcone. Do outro, acompanhamos Ed Nygma e Leslie Thompkins resolvendo uma disputa com um gangster local – o diálogo, também, acaba não funcionando e partem para agressões. O mesmo vale para Barbara, que tanta negociar Sofia com o Pinguim, mas tem sua base explodida por Victor Zasz, restando adiante de nós, portanto, uma verdadeira guerra, que encerrara o arco A Dark Knight.

Todos esses eventos ocorrendo em paralelo demonstram de maneira bastante clara o quanto Gotham não tem medo de assumir uma narrativa mais ágil, trazendo nítido desenvolvimento para suas subtramas a cada capítulo, não criando acúmulos de importantes fatos somente nos finales, como muitos outros seriados fazem por aí. Bom exemplo disso é o quanto a relação entre o Pinguim e Sofia foi alterado nesse episódio, partindo da decepção para o verdadeiro ódio, enquanto as verdadeiras intenções da Falcone são, de fato, reveladas.

Ainda relativo à essa subtrama, o que incomoda é o fato do menino ter sobrevivido ao fim, soando como mera tentativa do roteiro de Steven Lilien e Bryan Wynbrandt de impedir que vejamos o personagem como um completo monstro. Essa atitude, no entanto, levada até o fim, apenas reforçaria sua imagem de poder, o pintando como alguém verdadeiramente implacável. Faltou coragem por parte do roteiro e fazer uso desse menino como refém mais uma vez seria forçar demais a barra, visto que Pyg também fez o mesmo em Let Them Eat Pie.

Outra falha foi a súbita reaparição do Charada, a persona maligna de Ed, que convenientemente dá as caras pouquíssimo tempo após Leslie revelar que a condição de Nygma é meramente psicológica. Natural que isso aconteceria cedo ou tarde, mas teria sido mais aceitável ver o retorno desse eu-maligno daqui a algum tempo, até mesmo no capítulo posterior – possibilitando um maior desenvolvimento do personagem. Ao contrário disso, toda a questão envolvendo sua descoberta do real problema que o assola foi ignorada.

Tais elementos, no entanto, não escondem os acertos desse capítulo, que preparou todo o tabuleiro para um poderoso clímax de arco. Com todos os lados prestes a entrar em guerra, somos deixados incertos sobre qual será o resultado final, mostrando que Gotham é mais do que capaz de nos envolver, fugindo, possivelmente, do óbvio, que seria demonstrar mais uma queda do Pinguim.

Gotham – 4X10: Things That Go Boom — EUA, 30 de novembro de 2017
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Louis Shaw Milito
Roteiro:
Steven Lilien, Bryan Wynbrandt
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin
Duração: 
43 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.