Crítica | Gotham – 4X13 / 4X14: A Beautiful Darkness / Reunion

4X13: A Beautiful Darkness

4X14: Reunion

  • Contém spoilers dos episódios. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Mesmo faltando ainda oito episódios para o encerramento da 4ª temporada, as especulações sobre a renovação ou não de Gotham já começaram. A mudança do dia da semana em que os episódios seriam transmitidos, de segunda para quinta, e o declínio razoavelmente constante dos espectadores, colocaram em dúvida se a série chegaria à 5ª temporada, para completar 100 episódios ou se morreria quase lá. Recentemente, porém, alguns veículos especializados apontam para a renovação.

Seja como for, é interessante notar que com A Beautiful Darkness e Reunion, o showrunner Bruno Heller parece estar se preparando para o pior, entregando o que parece ser um semblante de final ou, se preferirem, de um começo para o Cavaleiro das Trevas. Afinal, mesmo maltratando o personagem de Bruce Wayne ao longo de boa parte da temporada, muito do foco dos dois capítulos foi no bilionário mimado e sua futura transformação no Cruzado Encapuçado, mesmo que o caminho escolhido seja tortuoso, conveniente e longe da mitologia dos quadrinhos.

Sobre o terceiro aspecto – os quadrinhos – é sempre importante lembrar que Gotham é Gotham. Qualquer tentativa de encaixar as caracterizações dos personagens mais importantes no que lemos nas HQs é um exercício em futilidade. O próprio conceito da série perverte a construção básica do personagem, colocando seus futuros arqui-vilões como pré-existentes ao vigilante, o que nos leva à conclusão de que Batman é a consequência desse manicômio a céu aberto que é a cidade e não o contrário. Com isso em mente, esse futuro herói que vemos sendo criado é bem diferente do Wayne dos quadrinhos, ainda que guarde alguns traços originais, como vários de seus vilões também também guardam.

Portanto, é irrelevante se esse Wayne tem seu novo – e talvez definitivo – vislumbre do que ele verdadeiramente é por intermédio do veneno lisérgico de Ivy 3.0. Todo o miolo de A Beautiful Darkness, com o jovem proto-playboy lentamente morrendo no chão de sua mansão enquanto tem visões anacrônicas de um possível futuro em que Gordon tem bigode (um belo toque, diria), é uma mais do que válida tentativa de Tze Chun, que escreveu o roteiro, de resgatar a importância do personagem, tirando-o do já insuportável marasmo em que estava há algum tempo. Mesmo que tenhamos que aceitar que o bebezão, curado, decide sair correndo atrás de Alfred de pires na mão, somente para tomar um não do velho mordomo, isso faz parte e já era mais do que esperado. Até o “não” era amplamente esperado, assim como a óbvia volta de Alfred à mansão já ao final do apropriadamente intitulado Reunion. Se Heller quiser, ele tem a faca e o queijo na mão para encerrar Gotham com o começo do Ano Um de Batman. E, melhor ainda, se a série for renovada, ele tem material de sobra para desenvolver esse começo sem precisar efetivamente trazer o herói uniformizado para a série, já que não parece haver essa intenção aqui.

Do lado da bandidagem, meu único problema sério está justamente na nova Ivy Pepper. E não é algo necessariamente ligado com a escolha de Peyton List para o papel, ainda que sua atuação não seja lá muito mais do que um básico vilanesco genérico de revirar os olhos. O problema mesmo está nas motivações da personagem e em seus poderes que, devo confessar, jamais me atraíram mesmo nos quadrinhos. Sua “defesa das plantas” é, pela falta de palavra melhor, ridícula, assim como seu plano “maquiavélico” de transformar Gotham – incluindo sua população – em um jardim de horrores. Simplesmente não vejo qualquer aderência de Ivy ao construto narrativo que Heller vem fazendo, mesmo considerando os completamente amalucados e variados vilões que populam a série desde seu dia um.

Por outro lado, o embate entre Cobblepot e Jerome (afinal, ele é ou não é o Coringa da série, considerando a carta que ele joga para o Pinguim?) merece aplausos. Confinados no Asilo Arkham e ganhando um bom pedaço de A Beautiful Darkness, vemos uma ótima demonstração de sadismo e violência, além de interpretações realmente boas de Robin Lord TaylorCameron Monaghan daquele jeito exagerado que é a marca da série (e da galeria de vilões do Batman, se quisermos ser francos). E, comendo por fora, mas com conexão direta com Cobblepot, não podemos esquecer de Edward Nigma lutando para manter sua personalidade do Charada abafada. Cory Michael Smith é, potencialmente, o ator mais bem aproveitado desde que o Charada foi suprimido da última vez, com um embate bipolar que tem sido muito bem construído e que chega a seu ápice ao final de Reunion – outra “reunião”, além da de Wayne com Pennyworth -, com uma boa promessa de futuro. Como Jerome entrará nessa equação, ainda teremos que aguardar para descobrir.

De toda forma, do lado menos histriônico da vilania enlouquecida de Gotham, vemos Sofia Falcone, em Reunion, tecendo sua teia maquiavélica para controlar Jim Gordon, que tem seus esqueletos no armário e teme tornar-se uma marionete de sua ex-amante. A tentativa fadada propositalmente ao fracasso de aliança de Falcone com Lee Thompkins é um ponto alto do episódio, com um clímax violento e que promete retaliação pesada de Gordon. Será no mínimo interessante ver o quebra-cabeças sendo montado para que a cidade se prepare para e justifique a chegada inevitável de Batman a seu posto.

Gotham, depois de um fraco recomeço de temporada, reúne suas forças fazendo o que faz de melhor, ou seja, explorando seus vilões-estrela e, finalmente, dando a Bruce Wayne mais a fazer do que só irritar o espectador. Claro que nem tudo são flores (com trocadilho), já que a quase onipresença femme vegetale de Ivy Pepper é o ponto fora da curva que poderia ser eliminado ainda nesta temporada para que, caso haja a renovação para a esperada 5ª temporada, as plantinhas sendo “chacinadas” não sejam mais preocupações na cabeça de ninguém.

Gotham – 4X13 / 4X14: A Beautiful Darkness / Reunion (EUA, 08 e 15 de março de 2018)
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção: 
John Stephens (4X13), Annabelle K. Frost (4X14)
Roteiro:
Tze Chun (4X13), Peter Blake (4X14)
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin, Peyton List
Duração: 
44 min. (cada episódio)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.