Crítica | Gotham – 4X15: The Sinking Ship, The Grand Applause

  • Contém spoilers dos episódios. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

The Sinking Ship, The Grand Applause felizmente não tem Ivy 3.0 como centro das atenções, mas, infelizmente, ele é mais um episódio tumultuado de Gotham, muito na linha de Pieces of a Broken Mirror, que marcou o reinício da temporada e nos apresentou à ruiva vegetal. Basta mentalmente relembrar a quantidade de vilões que aparecem aqui, incluindo a volta de Headhunter e a visão fantasmagórica de Ra’s Al Ghul por uma Barbara Kean atormentada por dores de cabeça e gerando luz por uma das mãos para começar a ter uma ideia do problema. É como ver um desfile de escola de samba em fast forward, considerando que cada um ou cada dupla não tem mais do que alguns breves segundos de exposição espalhafatosa e exagerada, como é a marca da série.

E notem que não reclamo aqui dos exageros, mas sim justamente de não termos mais de menos. A caçada a Sofia Falcone, efetivamente iniciada em Reunion, o episódio anterior, já acaba aqui, mesmo que apenas por um tempo, uma vez que ela, aparentemente, é imortal como o restante da população vilanesca da cidade. Aliás, vilanesca só não, pois Gordon, depois de tomar algo como cinco tiros (precisava disso tudo?), novamente demonstra seu fator de cura que consegue ser mais eficientes do que o de um tal baixinho canadense da editora concorrente. Com isso, o que poderia ser um embate bem trabalhado ao longo de alguns episódios, talvez até mesmo pelo restante da temporada, parece mais uma corrida louca e desconexa.

Não só o episódio exigiu uma quantidade extra de suspensão da descrença para ser apreciado – afinal, como aceitar que Lee Thompson, que sempre mostrou ojeriza por violência, agora não tem problemas em balear Sofia no meio da testa e em martelar a mão de bandido? -, como ele não nos dá tempo para pensar, com elipses temporais que são verdadeiros teletransportes de personagens e uma montagem confusa, elétrica e que quebra as narrativas. E sim “as narrativas”, pois não só o roteiro de Seth Boston lida com a questão de Sofia Falcone, como ainda aborda a sub-trama de Butch, depois de capturar o Charada, revelando-se para Barbara Kean como estando em controle de sua persona Grundy e a simpática historieta de culpa e arrependimento de Selina Kyle, que procura Bruce Wayne para recomprar as joias que ela roubara para devolvê-las à família do cientista assassinado por Ivy.

É engraçado como é justamente essa pequena sub-trama de Kyle e Wayne que funciona melhor no episódio, inexigindo pulos temporais e pancadaria desenfreada. De certa forma, é um momento para respirar em meio à viagem tresloucada que vemos desenrolar à nossa frente quando praticamente todos os vilões da série (até o Senhor Frio faz uma ponta!) são marretados em pouco mais de 40 minutos, como se ainda não houvesse mais sete episódios para a temporada acabar sem necessidade de roteiros taquicárdicos.

De toda maneira, olhando pelo lado positivo, é sempre divertido ver as interações de Cobblepot com Gordon e Bullock e, claro, dele como o Charada, outro personagem que merece todo o destaque que puder ter. Pelo visto, mesmo considerando o quanto esses dois tentaram se matar na temporada anterior, seus laços de amizade falam mais alto e, novamente, somos forçados a aceitar que um aperto de mão resolve tudo e que ambos, agora, estão prontos para novamente tomar a cidade. É uma pena, porém, que Sofia Falcone aparentemente não participará dessa guerra, a não ser que a visão de Ra’s Al Ghul de alguma maneira sinalize que ela será ressuscitada com o Poço de Lázaro, o que seria definitivamente melhor do que se ela somente acordasse do coma em que se encontra e imediatamente começasse a maquina contra tudo e todos.

Bruno Heller precisa desacelerar sua temporada, mesmo que ela porventura seja a última da série. Todos sabemos que os grandes vilões da galeria do Batman não morrerão e essa correria não é nem de longe justificada ou sadia aos espectadores. Gotham é uma série que peca não por “reinventar” a mitologia do Batman e certamente não por “reinterpretar” vilões clássicos, mas sim por, dentre outros aspectos, trabalhar suas narrativas em espasmos e por querer mostrar todos os seus vilões em quase todos os seus episódios. Há muito material bom por trás desse dilúvio vilanesco, bastando calma, tranquilidade e, sobretudo, desenvolvimento de personagens para que o resultado fique acima da média.

Gotham – 4X15: The Sinking Ship The Grand Applause (EUA, 22 de março de 2018)
Showrunner: 
Bruno Heller
Direção:
Nick Copus
Roteiro:
Seth Boston
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin, Peyton List
Duração: 
44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.