Crítica | Gotham – 4X16: One of My Three Soups

  • Contém spoilers dos episódios. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Desde que voltou do hiato, Gotham vem religiosamente revezando entre episódios medianos e bons. Como o esquizofrênico The Sinking Ship, The Grand Applause deixou a desejar, One of My Three Soups vem para ser o episódio bom da vez. Mas o episódio, escrito por Charlie Huston, que nos trouxe o excelente Stop Hitting Yourself e dirigido por ninguém menos do que Ben McKenzie, o próprio Jim Gordon, em sua segunda vez como diretor da série (a primeira foi no também excelente These Delicate and Dark Obsessions) é uma maravilha do começo ao fim, uma quase perfeita combinação do jeito amalucado de Gotham ser, com seu lado mais sombrio e violento plenamente saliente e bem explorado.

O foco do episódio é a prometida grande fuga de Jerome Valeska do Asilo Arkham em uma sequência que já dá o tom ao que veremos em seguida, com uma guarda carcerária sendo morta por outra guarda controlada pelo Chapeleiro Louco, que é ordenada a matar-se em seguida, e com a libertação do Espantalho e, claro, do Corin… digo Jerome, juntamente com todos os demais loucos varridos do local. A ação, em seguia, divide-se em dois focos: Gordon e Bulock tentando lidar com Tetch e Bruce e Selina tentando descobrir o paradeiro de Jerome. Como descobrimos ao final, os vilões não estão agindo sozinhos e sua fuga conjunta continua em um plano maior que promete continuar ainda por mais alguns episódios.

De toda forma, o lado do Chapeleiro, que faz com que todo mundo que estava escutando uma estação de rádio que ele invadiu suba nos parapeitos dos prédios da cidade para se jogarem de lá exatamente à meia-noite é um daqueles planos que não só é da essência da série, como também do próprio universo de Batman. Há uma forte expectativa de que tudo se resolva bem, claro, mas o roteiro consegue manter a tensão até o final, assim como a direção firme de McKenzie que trabalha com uma belíssima fotografia noturna e verdadeiramente sombria. Além disso, há espaço para Gordon e Bulock discutirem sua “relação” que ecoa a ação maior que os cerca. Os dois, de seu próprio modo, são heróis humanos – um dos poucos verdadeiramente humanos na série – e, como tais, falhos, tendo que viver com seus fantasmas, com suas culpas, com suas responsabilidades. Ver os dois em ação juntos, com Bullock sacrificando-se diante dos olhos do agora chefe de polícia foi, sem dúvida alguma, o ponto alto do episódio.

Do lado da “dupla dinâmica” formada por Selina e Bruce, a grande oportunidade é não só ver os dois juntos em ação novamente – mesmo com toda a hesitação de Bruce e aquele discurso cansativo sobre o peso das responsabilidades sobre o ombro dele -, como também abrir espaço para um das melhores sequências com o ensandecido Jerome no no restaurante de seu tio. Cameron Monaghan, mais uma vez, toma conta do cenário e entrega um Coringa excelente que, arrisco dizer, simplesmente precisa de mais espaço na série. Será um desapontamento enorme se Bruno Heller resolver inventar um outro Coringa mais para a frente. Nesse ponto do episódio, o equilíbrio entre o cômico macabro e o extremamente violento e por vezes até nojento mostra um roteiro maduro que trabalha o que o material fonte tem de melhor, mesmo quando a luta entre Bruce e o homem-forte do circo faz a coisa descambar levemente para o pastelão, já que esse elemento pastelão efetivamente funciona dentro da dinâmica apresentada.

O que não funciona muito bem são os intervalos na “programação normal” que leva o espectador para Barbara Kean e a revelação de que ela é a nova Cabeça do Demônio e, portanto, sucessora de Ra’s al Ghul como líder da Liga das Sombras. Não que esse desenvolvimento não seja interessante ou não fosse esperado, mas sua inserção no episódio quebra levemente a fluidez das duas linhas narrativas diretamente ligadas com a fuga de Arkham, parecendo deslocado aqui. Teria sido mais interessante que somente o flashback para quando Ra’s ressuscitou Barbara fosse abordado, deixando o desafio do líder da Liga e a subsequente morte de todos eles pelas mulheres da Liga (nunca foi tão fácil matar os assassinos da Liga, não?) para o episódio seguinte, com mais tempo de desenvolvimento.

De toda maneira, com ou sem Barbara Kean descobrindo sua herança, One of My Three Soups é um dos melhores episódios da temporada até agora, quiçá de toda a série. Uma trabalho harmônico de roteiro, direção e atuações que eleva a série ao nível que ela poderia ter sempre, se Bruno Heller focasse em desenvolver menos personagens ao mesmo tempo.

Gotham – 4X16: One of My Three Soups (EUA, 29 de março de 2018)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
Ben McKenzie
Roteiro:
Charlie Huston
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin, Peyton List, Cameron Monaghan
Duração: 
44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.