Crítica | Gotham – 4X17: Mandatory Brunch Meeting

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Quando apresentou Jerome Valeska em Gotham, Bruno Heller, apesar de todas as evidências em contrário, afirmou que aquele não era o Coringa. E quanto mais o personagem se aproximava da figura do Palhaço do Crime, mais essa afirmação era reiterada. Agora, em Mandatory Brunch Meeting, o showrunner começa a revelar seu plano mirabolante que de mirabolante não tem absolutamente nada.

Aliás, chegou a ser cansativo até. Irmão gêmeo genial almofadinha que vive escondido em um labirinto subterrâneo com medo obsessivo do irmão lunático somente para encarcerá-lo na primeira oportunidade revelando que é potencialmente mais louco ainda? Gravata roxa na cor do Coringa? Assistente loira que luta melhor do que todo mundo na série que está lá somente para os fãs especularem loucamente se ela não poderia um dia ser a Arlequina? Só estava faltando uma seta em neon piscando “plot twist esperto” a cada nova revelação bolorenta que o roteiro de Steven Lilien e Bryan Wynbrandt jogavam ao decorrer do episódio.

Afinal, quer um artifício narrativo mais batido do que a trama do irmão gêmeo que ninguém nunca ouviu falar? Ou o derramamento de todas as suspeitas sobre ele sem qualquer tentativa de construir algo sutil ou minimamente crível, mesmo dentro da lógica doidinha da série? Esse desvio no grande plano de Jerome foi completamente desnecessário dentro da narrativa macro, mesmo que o objetivo de Bruno Heller de fazer os fãs da série discutirem sobre a possibilidade de Jeremiah tornar-se o Coringa no lugar de Jerome (o que seria ridículo, temos de convir…) tenha sido plenamente alcançado.

Por outro lado, pelo menos tivemos Cameron Monaghan em dose dupla, primeiro no hilário brunch do título com sua simpática “Liga dos Horríveis” ao redor da mesa da mansão do Pinguim, com direito até mesmo a Vagalume, que não aparecia desde Stop Hitting Yourselfdepois trajado como Coringa na empresa de arquitetura e, em seguida, em seu papel de Jeremiah, todo engomadinho, terminando com a revelação de seu plano maligno para Gotham: dispersar o gás hilariante que é marca registrada do vilão nos quadrinhos, filmes e séries. O ator mostra toda sua versatilidade aqui, consistentemente tornando todas as suas aparições – seja como Jerome, seja como Jeremiah – não só divertidas, como também assustadoras e, claro, memoráveis. Se a história do Coringa tem sido desnecessariamente cheia de reviravoltas, a escalação do ator foi, sem dúvida, um triunfo de Heller.

Mas o episódio não é só Coringa. Há duas outras tramas que ganham razoável tempo de exposição, especialmente a que envolve Lee Thompkins e o Charada em um duelo que, mais uma vez, descaracteriza completamente a personagem de Morena Baccarin. Não só ela foi transformada em uma assassina (ou quase) e marteladora de mãos, como, agora, ela manipula sexualmente (ou, pelo menos, sensualmente) sem dó nem piedade o Charada, arrancando dele – ou de Ed Nygma – a revelação que já havia ficado nas entrelinhas antes: ele é apaixonado por ela. Resta saber para onde isso vai, se é que vai a algum lugar.

A outra trama é bem mais simples e objetiva, com Cobblepot assediando Butch (ex-futuro-Solomon Grundy) para seu lado, de forma que ele possa servir de seu guarda-costas, com a promessa de uma cura depois que eles acharem o Dr. Hugo Strange. Quer parecer que o Pinguim tem um plano próprio para lidar com o caos que potencialmente será resultante da liberação do gás do Coringa que, espero (pois seria muito corajoso), tenha consequências efetivamente drásticas para a população da cidade.

As três tramas, porém, não se falam, não têm qualquer ligação direta dentro do episódio. Elas andam em paralelo em um roteiro que é programático e burocrático. Não ajuda em nada a direção de Maja Vrvilo que lida com cada uma das histórias de forma estanque, com longas sequências intercaladas em cortes temporalmente disléxicos, que nos forçam a reajustar mentalmente a velocidade narrativa de cada uma delas. Não há nada intrinsecamente errado na técnica, mas o episódio não precisava disso e o resultado é lento e cansativo.

Mandatory Brunch Meeting é mais um episódio pouco inspirado de Gotham que, porém, finalmente traz a “grande” revelação que todo mundo foi obrigado a esperar sobre o passado de Jerome. Ver Monaghan ganhando espaço na série é o ponto positivo, mas não em potencial detrimento do arco de seu personagem. Espero fortemente que a entrada de Jeremiah na série valha a pena.

Gotham – 4X17: Mandatory Brunch Meeting (EUA, 05 de abril de 2018)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
Maja Vrvilo
Roteiro:
Steven Lilien, Bryan Wynbrandt
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin, Peyton List, Cameron Monaghan
Duração: 
44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.