Crítica | Gotham – 4X18: That’s Entertainment

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Ser um vilão como o Coringa é uma “ideia”, um “conceito”, uma espécie de “desejo” do submundo de Gotham. É isso que Jerome Valeska afirma quando está próximo de morrer, pendurado por um fio em um prédio depois de ser alvejado por Jim Gordon. Com isso, ele quer claramente dizer que seu legado é imortal, que continuará para sempre. E, mais literalmente, claro, ele passa seu manto para seu irmão gêmeo Jeremiah, introduzido na série apenas no episódio anterior.

Se essa premissa é sem dúvida interessante, ou seja, que o Coringa é como a encarnação do mal, algo inevitável e até mesmo algo desejado, ela não poderia ter sido alvo de uma construção pior do que a que vemos aqui em That’s Entertainment. Fica muito evidente que Bruno Heller resolveu levar a cabo suas afirmações anteriores de que Jerome não era o Coringa por birra apenas, nem que, para isso, tivesse que criar uma trama apressada e completamente previsível, fria, distante e, em última análise, boboca.

Se Heller realmente tivesse um bom plano, o conceito exposto por Jerome no momento de sua morte teria sido trabalhado desde sua aparição na série, incluindo a “loucura de família” a que ele alude, mas nunca vemos. Quem é mesmo Jeremiah? Ah, um sujeito que teve 15 minutos de desenvolvimento e construção e que, de Coringa, só tem seu aparente gosto por usar peças de roupa roxas. Nos importamos com ele? Certamente que não. Temos que simplesmente aceitar que, debaixo de sua máscara de almofadinha gênio, ele é potencialmente um vilão do naipe do Coringa. Aliás, do naipe não. Ele é o Coringa. E o pior é que ele realmente poderia ser o maior vilão do Batman se o showrunner não preferisse lidar com isso em apenas dois míseros episódios, sendo o segundo e mais importante deles tendo como pano de fundo um plano francamente idiota de Jerome, com uma produção terrível que coloca uma meia dúzia de pessoas assistindo ao show de rock e que fica por ali porque… Por que mesmo? Esperando levar um tiro? O gás ser jogado? E isso ainda tendo que dividir o tempo de tela com a sub-trama de Barbara Kean que deixa o legado de Ra’s Al Ghul subir-lhe à cabeça com velocidade vertiginosa, renegando até mesmo sua amiga e parecendo um vilão de James Bond cercada de minions cuja líder, Lelia, aliás, é vivida pela mais recente péssima atriz da série: Shiva Kalaiselvan.

Foi como ver um show de horrores sendo descortinado aos poucos, mas não o tipo de horror que os colares explosivos que Jerome aciona liberalmente deveriam passar. Um momento que no mínimo deveria  ser solene – o nascimento do “verdadeiro” Coringa – é jogado na lama por roteiros inábeis (incluo aqui o do episódio anterior), uma produção apressada e estranhamente minimalista (custava que o espetáculo de rock fosse em um gigantesco estádio ou em um parque?), com direito a um Cobblepot mais afetado do que o normal salvando o dia pilotando um dirigível cheio de gás do riso aos berros e segurando um timão tão claramente fake que deu até vergonha.

E o roteiro ainda tem tempo de inserir outro mistério ao final, com três homens revelando-se como os verdadeiros seguidores de Ra’s Al Ghul sequestrando Tabitha no começo de mais um daqueles planos que certamente trarão de volta o Cabeça do Demônio, criando mais um embate entre facções e que provavelmente envolverá Butch que, não demorará, perderá o controle sobre a persona de Solomon Grundy. É realmente uma pena que a série tenha que recorrer a tramas requentadas para desenvolver-se, ou, melhor dizendo, para andar de lado.

That’s Entertainment, no lugar de nos apresentar ao Coringa que vale, nos força a dar adeus ao Coringa que  queríamos que valesse. Isso não é entretenimento. É desperdício.

Gotham – 4X18: That’s Entertainent (EUA, 12 de abril de 2018)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
Nick Copus
Roteiro:
Danny Cannon
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz,  Cory Michael Smith,  Camren Bicondova, Sean Pertwee, Anthony Carrigan, Maggie Geha, Jessica Lucas, Crystal Reed,  Charlie Tahan, John Doman, Morena Baccarin, Peyton List, Cameron Monaghan
Duração: 
44 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.