Crítica | “Greatest Hits, Vol. 1” – Teenage Time Killers

estrelas 2,5

A ideia de um supergrupo é sempre uma abordagem muito interessante. O conceito de juntar integrantes já bem sucedidos de diferentes bandas em apenas uma é algo sensacional. O que surgiu na década de 60 na formação do power trio Cream ou no folk rock do clássico Crosby, Stills, Nash & Young se tornou algo que viria a ser frequente no mundo da música. E é agora em 2015 que um projeto de supergrupo (que ao menos soa) ambicioso se torna realidade. Se trata de talvez um dos supergrupos com maior número de integrantes que a história já viu, sendo alguns deles de extremo renome. Dave Grohl (Foo Fighters, Nirvana), Corey Taylor (Slipknot, Stone Sour), Nick Oliveri (Queens Of Stone Age), Matt Skiba (Alkaline Trio), Reed Mulin (Corrosion Of Conformity) e mais uma pancada de gente do cenário do punk e metal.

Surpreso por ver pouca informação sobre o projeto, a primeira audição de Greatest Hits, Vol. 1 responde muita coisa. O supergrupo que parece soar pretensioso, na verdade mostra exatamente uma despretensão enorme no trabalho. Parece uma reunião de uma imensa galera fã de punk e metal que se uniu pra tocar canções no maior peso que os amplificadores podiam suportar. Um verdadeiro recreio pra se divertir sem muitas inspirações, tocando faixas de extrema curta duração (em média 1 ou 2 min), berrando guturais e seguindo uma linha desordenada de álbum, soando como uma compilação de canções como diz o próprio título, Greatest Hits, Vol.1.

É certeza que o trabalho não vai agradar muita gente, principalmente aos curiosos fãs de Foo Fighters quando perceberem o tamanho peso do álbum que Dave Grohl (assumido fã de Sepultura) se meteu. E até mesmo quem está familiarizado com o peso do punk e do trash metal vai sofrer. Há verdadeiras coisas sofríveis e esquizofrênicas como a confusa Teenage Time Killer ou o grande clichê punk Ignorant People, quase desprovida de melodia. No fim, se você entender a total despretensão do disco vai conseguir se divertir com a aura punk e com alguns bons momentos como o pesado death metal de Hung Out To Dry (vocal de Randy Blythe do Lamb Of God) ou Egobomb (vocal de Corey Taylor), principalmente em sua veloz segunda metade e seu fantástico solo de guitarra.

Teenage Time Killers joga fora qualquer possibilidade de um projeto épico de supergrupo e faz um grande recreio punk onde o único objetivo dos integrantes era se divertir de forma simples e despreocupada. A diversão é compartilhada com o ouvinte e só dependerá dele conseguir pegar o espírito punk do álbum e ver o (pequeno) lado bom do projeto.

Aumenta!: Egobomb
Diminui!: Ignorant People

Greatest Hits, Vol. 1
Artista: Teenage Time Killers
País: Estados Unidos
Lançamento: 31 de julho de 2015
Gravadora: Rise Records
Estilo: Punk, Metal

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.