Crítica | Guacamelee! Super Turbo Championship Edition

estrelas 4

Elogiado desde o seu lançamento, em 2013, Guacamelee! reapareceu, um ano depois, nos novos consoles em uma nova versão incluindo todos os dlcs e algumas novidades, levando consigo o ar cômico característico do game, a começar pelo subtítulo que já brinca com um dos jogos de luta mais famosos e seus constantes novos títulos caça-níqueis.

Trata-se, em suma, de um beat’em up de plataforma, com pequenos elementos de puzzle e um cenário metroidvania, não muito linear e permissível de exploração. A história é focada em Juan, um homem simples que teve sua vida transformada quando Carlos Calaca, principal vilão do jogo, invade sua vila e leva sua amada, El Presidente’daughter. Morto em 5 minutos de game, o herói renasce vestindo uma máscara de lutador e começa sua campanha para consertar as coisas, agora mais forte e com habilidades a serem melhoradas durante a jornada

O tom humorístico é forte e dá o caráter do game, que soube investir em um tema pouco explorado na indústria. De forma leve, vemos Juan ganhar habilidades como se transformar em uma galinha, ou ainda interagir com vilões peculiares, como Flame Face, que te dá dinheiro para comprar uma cerveja em determinado momento do jogo. A trilha sonora é empolgante do começo ao fim e segue o tom do game, com uma pegada mexicana que fica ainda mais ardente graças à paleta de cores quentes utilizadas pelos desenvolvedores.

O grande trunfo, porém, é a jogabilidade, que dá ao jogador a possibilidade de ótimos combos nas lutas e uma variedade de situações muito bem-vinda. O jogo traz uma dualidade de mundos que requer de Juan esperteza e agilidade para passar de alguns cenários, assim como força e rapidez para derrotar os inimigos que ora aparecem em um, ora em outro, na mesma tela. Com chefões de estilos próprios, novos skills aparecendo sempre e sendo ensinados pelo seu mestre – uma cabra – e, nessa edição, ainda roupas novas para serem compradas com a moeda do jogo, Guacamelee! não decepciona em suas 7 horas de gameplay.

guaca

Mas por mais que o jogador fique imerso no mundo apresentado, principalmente pela jogabilidade e pelo humor do game, a exploração metroidvania pode resultar em um cansaço para aquele acostumado a plataformas lineares e beat’em ups simples. O mapa é um pouco confuso e um maior foco no progresso do personagem seria bem-vindo em um indie game sem muitas pretensões. Por outro lado, há tempos não aparecia um jogo tão bom que lembrasse, em seu estilo, Castlevania: Symphony Of The Night – no estilo, pois no tema não lembra em nada.

Outro ponto que pode enjoar um pouco são os gráficos. São extremamente lindos, mas a sensação que fica é que se está em uma unidade de mundo, sem muita variação que deixe claro o local onde Juan se encontra. É possível que os diversos caminhos propostos pelo jogo também contribuam nessa característica do game.

Pormenores de lado, a nova edição de Guacamelee! é divertida, ainda mais se jogada com até 4 jogadores off-line lembrando clássicos de Super Nintendo. Trata-se de um dos melhores indie games dos últimos tempos, exatamente por apostar em um tema original e cuidar de seus detalhes com esmero, visual e jogável. A curva de crescimento e os desafios propostos, de tão bem colocados, não são nem percebidos pelo jogador, que se vê, do meio para o final, com ótima destreza ao controlar Juan e com vontade de terminar o game. Só ótimos jogos conseguem sutilmente, por mais barulho e caos que haja em um jogo que leva esse nome, despertar isso em quem joga.

Guacamelee! Super Turbo Championship Edition
Desenvolvedor: DrinkBox Studios
Lançamento: 2 de julho de 2014
Gênero: Plataforma, Beat’emUp
Disponível para: PS4, PS3, Xbox One, Xbox 360, WiiU, PC

ANTHONIO DELBON . . . Ressentido como Vegeta, não suporto a beleza nos outros. Escondo minhas taras em falsas profundidades e não titubeio em dizer um taxativo não aos convites para experimentar os gostos do mundo. O mundo tem gostos demais, livros demais, críticas demais. Escrevo porque preciso – viver, não sobreviver - e viajo fluidamente sem sair do lugar. Na madrugada, nada melhor do que a guitarra de Page ou a voz de Yorke para lembrar da contingência do pó, ainda que nossa tragicômica vida mereça ser mantida, seja por distração ou por vício, como diria Cioran.