Crítica | Guardians of the Galaxy # 0.1 – Marvel NOW!

Criados em 1969, os Guardiões da Galáxia são, mal comparando, os Vingadores do espaço. Em sua formação clássica (e a que mais gosto), o grupo é do futuro, mais precisamente do século XXXI. Em 2008, com o fim da saga cósmica Aniquilação: Conquista, continuação de Aniquilação, de 2006, um novo grupo é apresentado aos leitores Marvel, dessa vez no presente da Terra 616 (o universo normal da Marvel) e capitaneado pelo Senhor das Estrelas. Esse grupo, formado ainda por Drax, o Destruidor, um guerreiro verde extremamente poderoso, Rocket Raccoon, um guaxinim que adora armas pesadas, Groot, uma árvore gigante e Gamora, um assassina intergaláctica, será extremamente importante tanto para o projeto Marvel NOW! como para o futuro cinematográfico dos estúdios Marvel, já que ele ganhará filme próprio a ser lançado em 2014.

Com isso, a editora resolveu cercar seu lançamento de grandes cuidados, brindando-nos com um “número 0.1”, dedicado exclusivamente ao Senhor das Estrelas, personagem criado pela Marvel em 1976. Apesar da numeração para lá de estranha, o objetivo é muito simples: tornar a história de origem desse personagem mais simples e palatável  para os leitores novos. E Brian Michael Bendis, que está impossível no projeto Marvel NOW!, escrevendo também os títulos All-New X-Men e Uncanny X-Men, acerta em cheio mais uma vez. Sem exatamente negar o que veio antes sobre o Senhor das Estrelas, o autor nos mostra o que é realmente mais importante em sua carreira ou, ao menos, aquilo que é importante para o que ele pretende criar nos próximos números. Ainda que os mais puristas tenham bastante espaço para reclamar, o fato é que uma cronologia de décadas não é sustentável e, nas mãos de um autor inteligente como Bendis, as “heresias” cometidas e liberdades tomadas fazem sentido dentro de um sentido mais amplo.

Guardians-of-the-Galaxy cover

Bendis foca em Peter Quill criança. Na verdade, começa antes disso, há 30 anos, com a nave de seu pai caindo na Terra e ele conhecendo Meredith Quill. Corta para Peter garoto ainda, ressentido pela ausência de seu pai e tendo seu mundo sacudido pelos Badoon.  E só. É a tecnologia KISS em funcionamento. Não sabe o que é? Bom, é uma divertida sigla para “Keep It Simple, Stupid” ou algo como “Mantenha Tudo Simples, Idiota” ou, em português claro, “Para que dificultar, se você pode facilitar?”.

E o que temos é um divertimento só, que nos deixa curiosos para ver qual será a pegada de Bendis para histórias futuras e especialmente para saber se o pai de Peter Quill fará parte da narrativa (acho que é seguro dizer que sim) e se, de alguma maneira, os eventos de Aniquilação: Conquista e os dois volumes de Guardiões da Galáxia depois do evento serão referenciados (aqui eu diria que o terreno é mais pantanoso, pois subverteria o propósito do KISS). O que é certo é que Bendis tentará integrar mais os personagens intergaláticos da Marvel aos terrestres e a primeira prova disso é a (desnecessária) inclusão do Homem de Ferro no time. Entendo a razão: tornar mais fácil a identificação pelo público. Mas espero sinceramente que Tony fique quieto em seu canto e não atrapalhe muito o grupo de Quill em suas missões espaciais.

A arte de Steve McNiven, cheia de detalhes e com boas expressões faciais, funciona bem com a qualidade, digamos, extraterrena do título, ainda que ele não tente ousar nos enquadramentos e distribuições de quadros.

Se Brian Michael Bendis continuar assim, a Marvel vai terminar entregando todo seu projeto Marvel NOW! para ele.

Ei, não é que é uma boa ideia?

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.