Crítica | Guardians of the Galaxy # 1 (Marvel NOW!)

Brian Michael Bendis não deve ser um ser humano, mas sim uma máquina cuspidora de roteiros de quadrinhos que funciona com algum tipo de fonte de energia desconhecida mais potente que a Força Fênix e um cérebro coletivo que envergonharia a Inteligência Suprema dos Kree. Só espero que ele não seja nada parecido com Ultron e não deseje acabar com a raça humana…

Afinal de contas, como explicar que Bendis está a frente de não um, não dois, mas sim três dos títulos mais importantes do projeto Marvel NOW! (All-New X-Men, Uncanny X-Men e, agora, Guardiões da Galáxia), além do primeiro grande evento desse selo: Age of Ultron? Mas o que realmente impressiona é que todas as histórias são no mínimo boas, algumas chegando à excelência, sendo que All-New X-Men é publicada quinzenalmente!

A Marvel está apostando pesado na união de seus universos “terrestre” e “cósmico”, que sempre receberam tratamentos separados e com muito pouca ligação. A primeira evidência disso está no universo cinematográfico da Marvel Studios, que já determinou que, na fase 2, veremos Thanos, por excelência um inimigo cósmico e, também, os próprios Guardiões da Galáxia. Como vem sendo moda, o lado editorial da Marvel tem tentado se aproximar de seu lado cinematográfico, levando à diversas decisões que são de torcer o nariz, a mais evidente delas sendo o “aparecimento” de um filho negro e sem olho do Nick Fury clássico. De toda maneira, não obstante aberrações como essa, a união dos universos é interessante e promissora.

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Em Guardiões da Galáxia, essa união fica mais do que clara na medida em que, um tanto desnecessariamente, o Homem de Ferro passa a fazer parte do grupo. Minha esperança é que ele não seja vital para a equipe, de forma que os demais – e muito mais interessantes – membros sejam soterrados pela fama do Vingador Dourado.

Mas vamos começar pelo começo. Guardiões da Galáxia foi alvo de um preview do projeto Marvel NOW! em uma breve história por Bendis na fraca Marvel NOW! – Point One. Lá, nos somos reapresentados à origem de Peter Quill, o Senhor das Estrelas e futuro chefe do grupo. Essa mesma história é ampliada em Guardiões da Galáxia # 0.1 onde já notamos que o passado de Quill, mais precisamente seu pai extraterrestre, terá importância no futuro da equipe. Entre um coisa e outra, demonstrando que os Guardiões da Galáxia realmente serão importantes para o Universo Marvel, a editora publicou duas de quatro edições exclusivamente online, debaixo do selo Marvel Infinite e que estão disponíveis gratuitamente via Comixology (elas serão objeto de crítica assim que os quatro números tiverem saído).

E, com todo esse cuidado, a Marvel finalmente chega ao primeiro número propriamente dito dos Guardiões. Nele, vemos Peter Quill ter uma longa conversa  com seu pai, o Imperador de Spartax, sobre uma nova regra imposta por um tal de Conselho dos Impérios Galácticos: nenhum extraterrestre pode colocar seus pés na Terra. O planeta deve ser deixado à sua própria sorte até se provar como merecedor de fazer parte do resto do universo. E, como Quill é parte humano, parte Spartax, essa regra vale para ele também. Desnecessário dizer que ele não gosta muito da ideia e a entrada estrondosa de Gamora na conversa acaba fazendo com que tudo termine mais cedo.

Em seguida, vemos o Homem de Ferro em sua feiosa armadura Godkiller singrando o espaço sozinho, até que dá de cara com uma enorme nave dos Badoon em direção à Terra. O conflito começa, os Guardiões chegam e o começo de “uma longa amizade” provavelmente começam.

Não dá ainda para saber exatamente o caminho que será trilhado por Bendis, mas esse primeiro número parece reduzir o escopo de ação dos Guardiões. Enquanto eles sempre foram tratados como uma espécie de Vingadores Cósmicos, defendendo o universo de terríveis ameaças, aqui eles passam a ser mais um dentre dezenas de outros grupos que protegem o planeta Terra. Se for isso mesmo, Bendis merece umas palmadas. No entanto, afeito à grandes narrativas como Bendis é, duvido que os Guardiões fiquem só nisso. É mais provável que o autor tenha na manga muitas missões intergalácticas para o Senhor das Estrelas e sua turma.

No quesito arte, o trabalho de Steve McNiven é tudo que esperamos de um título espacial: bonito, expansivo e cheio de bons usos de cores. Tenho problemas com a forma homogênea como ele desenha os rostos, mas isso é algo que dá para aceitar considerando o nível de detalhes que ele coloca no ambiente ao redor dos personagens. Só uma coisa é certa: detestei as armaduras espaciais de Quill, Gamora e Rocket Raccoon e espero fortemente que esses não sejam os uniformes dos personagens. Eles ficaram muito “super-heroísticos” demais, fugindo daquele tom militar que foi brilhantemente usado depois que esses novos Guardiões surgiram a partir das sagas Aniquilação e Aniquilação: Conquista.

Como a máquina Bendis não tem errado nada no projeto Marvel NOW!, ele merece meu voto de confiança para os Guardiões. É esperar para ver o que o futuro tem reservado para esses heróis.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.