Crítica | Guardians of the Galaxy: The Telltale Series – Episódio 1

estrelas 1,5

Telltale Games roubou o coração dos gamers em 2012 com o lançamento de The Walking Dead, que acabou recebendo inúmeros prêmios, sendo considerado por alguns portais como o jogo do ano. Desde então, a empresa nos trouxe obras como The Wolf Among UsTales of the BorderlandsGame of Thrones, dentre outras, todas utilizando o mesmo estilo de história interativa comum aos adventure games. Quando Guardians of the Galaxy: The Telltale Series foi anunciado, evidente que a ansiedade tomou conta de nós de imediato, afinal, a qualidade das produções da Telltale falam por si só e Peter Quill e companhia mais que nos cativaram com o seu primeiro longa-metragem. Infelizmente as expectativas passaram longe de ser atendidas.

O enredo do jogo nos coloca em uma situação na qual os guardiões já estão juntos. Aproveitando o visual do filme do Universo Cinematográfico Marvel, mas sem se apoiar em sua história, o game tem início na nave da equipe, com o grupo recebendo um pedido de ajuda da Tropa Nova, que fora atacada por Thanos na órbita de um planeta onde um antigo templo Kree se encontra. Prontamente os Guardiões seguem em direção ao Titã Louco e devem impedi-lo de conseguir uma relíquia da raça de alienígenas azuis.

Ao colocar Thanos imediatamente como antagonista, o roteiro desse primeiro episódio já começa de forma ousada, não tendo medo de utilizar um dos maiores vilões do universo Marvel sem grandes floreios. O Titã, porém, para nossa surpresa, é apenas o ponto inicial dessa história, que se desenvolve de forma engajante por lidar com o passado de Quill, mais especificamente com a sua mãe, que sempre fora o ponto fraco do personagem. O problema de Guardians of the Galaxy: The Telltale Series não está em sua trama geral e sim nos detalhes que compõem o game e a progressão de cada ato da história.

Comecemos pela jogabilidade em si. Desde The Walking Dead um dos pontos comuns dos games da Telltale é percorrer um cenário específico para encontrar pistas ou objetos que nos ajudem a progredir com a história. O pouco que temos disso no jogo em questão, porém, o faz de forma que nos cansa rapidamente, não trazendo nenhuma informação relevante e fazendo com que o objetivo principal dispense inúmeros elementos introduzidos pelo próprio game. São missões maçantes que, logo nos primeiros minutos, nos fazem querer avançar para algo mais agitado, que ofereça um desafio maior para o jogador. Isso, infelizmente, não chega em momento algum, já que os comandos que aparecem em tela durante as sequências de ação podem ser realizados em um longo período de tempo, tirando qualquer sensação de tensão. Não é criada a menor urgência durante esses momentos.

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As escolhas também não desempenham um grande papel dentro da narrativa estabelecida e somente há uma que seja realmente difícil de se fazer e, ainda assim, não sabemos ao certo se as consequências serão tão grandes como parecem. Aqui entramos no problema de trabalhar com personagens já estabelecidos dentro de um universo. Claro, The Wolf Among Us fizera o mesmo, mas inúmeros personagens secundários foram inseridos a fim de trazer uma maior tensão. Aqui, em Guardiões da Galáxia, contudo, temos a total consciência de que Peter, Gamora, Rocket, Groot e Drax não passam por qualquer perigo.

Tudo piora mais com os péssimos diálogos, que tentam extrair a essência da personalidade de cada um dos indivíduos do filme (sim, foi baseado primariamente no longa-metragem), mas que não conseguem criar o mesmo característico humor estabelecido por James Gunn nos cinemas. Evidente que as péssimas animações não ajudam, nos trazendo personagens travados e com pouquíssima expressão facial, o que se estende para os movimentos de andar, pular, etc: verdadeiras tragédias que se tornam claras nas sequências de ação.

Chega a ser triste ver como os desenvolvedores de excelentes games como The Walking DeadThe Wolf Among Us conseguiram errar tanto aqui em Guardians of the Galaxy: The Telltale Series. Baseado no filme de sucesso, dirigido por James Gunn, a obra falha em captar o espírito do longa-metragem, criando uma cópia fajuta com uma boa trama principal que é, no fim, estragada por diálogos mal-escritos e animações verdadeiramente pavorosas. Felizmente, isso tudo pode melhorar nos posteriores capítulos, resta ter esperança e confiar na capacidade da Telltale de nos surpreender.

Guardians of the Galaxy: The Telltale Series – Episódio 1: Tangled Up in Blue
Desenvolvedor:
 Telltale Games
Lançamento: 18 de abril de 2017
Gênero: Aventura
Disponível para: PS4, Xbox One, PC, iOS, Android

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.