Crítica | Guardiões da Galáxia (1969) – Vol. 1

Vance Astro, Charlie-27, Martinex, Yondu, Nikki e Starhawk. Nomes que, provavelmente, só os mais hardcore dos leitores de quadrinhos Marvel conhecem.

Mas eles, juntos, formam a primeira versão dos Guardiões da Galáxia, grupo cósmico da Marvel criado por Gene Colan (arte) e Arnold Drake (roteiro) nos estertores da década de 60 e que foram apelidados de Vingadores do Amanhã. No entanto, é importante lembrar que esse grupo é oriundo do século XXXI, ou seja, mil anos no futuro e, além do mais, em um Universo Marvel alternativo, classificado como Terra-391, enquanto que o Universo Marvel “normal” é o Terra-616. Isso significa dizer que o futuro que vemos nessas histórias é, apenas, um futuro possível, não o futuro do presente que estamos acostumados a nos deparar no dia-a-dia de leituras marvelianas. É o multiverso editorial complicando a vida dos leitores, para variar.

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Os Guardiões da Galáxia originais em toda sua glória!

Mas os Guardiões surgiram em uma republicação parcial da revista Marvel Super-Heroes #18, exatamente em janeiro de 1969, como uma espécie de tubo de ensaio para ver se a ideia de Drake e Colan funcionaria. Funcionou, mas até certo ponto, pois a Marvel ainda hesitaria por muitos anos a dar um título próprio ao grupo de heróis, com suas aparições seguintes acontecendo na revista Marvel Two-in-One, que sempre colocava, como o título diz, dois heróis lado-a-lado. Em seguida, o grupo surgiu em um arco da revista Os Defensores, o “não-grupo” Marvel formado, àquela época, pelo Doutor Estranho, Hulk, Valquíria e Nighthawk. Somente depois dessas duas bem-sucedidas experiências é que os Guardiões da Galáxia ganharam um título, digamos, semi-próprio, debaixo da revista Marvel Presents.

Assim, a presente crítica, que aborda toda essa primeiríssima fase dos Guardiões da Galáxia, será dividida exatamente nesses arcos marcados por cada alteração de publicação. Boa leitura!

Marvel Super-Heroes #18
(janeiro de 1969)
roteiro: Arnold Drake
arte: Gene Colan

estrelas 2,5

guardians 1 finalSem perder muito tempo, Arnold Drake nos apresenta a Charlie-27, humano atarracado, geneticamente alterado para aguentar 11 vezes a massa e 3 vezes a gravidade da Terra, já que ele é habitante do planeta Júpiter, no ano 3.007, depois que a evolução da raça humana permitiu a colonização dos demais planetas do sistema solar. Ele volta para seu planeta depois de uma longa missão solo pelo espaço e se depara com o local inteiramente arrasado e dominado pelos Badoon, seres humanoides reptilianos com uma tendência a exterminar raças e dominar planetas.

Ao longo da narrativa, que é extremamente expositiva e carregada de termos pseudo-científicos, Charlie-27 vai pulando de planeta em planeta do sistema solar e reunindo “últimos sobreviventes” de cada um. O segundo a se juntar é Martinex, humano geneticamente modificado para aguentar as extremamente baixas temperaturas de Plutão. Seu corpo, todo de rocha cristalina e seu poder de lançar raios congelantes vêm bem a calhar na fuga dos dois dos perseguidores reptilianos.

Fechando o grupo – pelo momento – temos Vance Astro e Yondu Udonta, com quem Charlie-27 e Martinex esbarram em seus teletransportes de planeta em planeta. Yondu é fácil de explicar: ele é o último sobrevivente (sempre isso) de sua raça alienígena de Centauri IV, primeiro planeta fora do sistema solar que, nessa linha temporal, os terráqueos chegaram. Seu povo era aliado da Terra até ser massacrado pelos Badoon.

Vance Astro é mais complicado e tem sua origem contada apenas de soslaio na revista e ficam muitas pontas sem explicações razoáveis. O Major Vance Astrovik era um astronauta que, em 1988 (lembre-se, estamos em 1969 em termos de data de publicação, o que transforma 1988 em um “futuro distante” para os leitores originais), embarca na primeira missão humana para Alfa Centauro, com duração de mil anos, tempo em que ele ficaria em animação suspensa. Eis que, porém, quando ele finalmente chega ao seu destino, os humanos já estão lá, livres, leves e soltos, comemorando sua chegada (secretamente chamando ele de otário, provavelmente), pois, duzentos anos após a partida dele, há a descoberta de uma forma de viagem mais rápida do que a luz, permitindo a colonização do espaço. Ou seja, Vance Astro literalmente jogou sua vida (e mais uns 900 anos) no lixo. E, para piorar – e aí vem a primeira parte da falta de explicações sobre ele – ele tem que ficar confinado à sua roupa roxa de astronauta, que vai da cabeça aos pés, pois, caso sua pele tenha contato com o ar, ele vira pó. Apenas aceitem isso, por favor, sem pedidos de explicações.

E também não me peçam explicações para o poder que Vance Astro ganha: a telecinese. Enquanto Charlie-27 é forte por ter massa para suportar a gravidade de Júpiter, Martinex é à prova de balas por ser feito de rocha cristalina e consegue manipular o frio, pois ele foi feito assim para sobreviver ao clima de Plutão e Yondu é um nativo de seu planeta empunhando arco e flecha com uma flecha de um metal que obedece a seus assovios, ou seja, tudo tem uma explicação razoavelmente orgânica dentro da narrativa, Vance Astro ganha esse poder aleatório só para ele não ser completamente inútil. Mais uma coisa que temos que aceitar sem maiores explicações.

Se a história é fraca, a arte, felizmente, tem melhor sorte. Gene Colan é muito criativo ao imaginar os quatro seres que compõem os Guardiões da Galáxia. O visual de cada um é muito distinto e marcante e faz sentido com as rápidas origens que nos são reveladas. Yondu é particularmente interessante, com sua pele azul e uma espécie de “barbatana” vermelha que vai de sua cabeça até as costas, resultando em uma visão intrigante e chamativa. Definitivamente, Colan fugiu dos estereótipos super-heroísticos da época, criando um grupo que não parece formado de super-seres fantasiados.

Apenas no caso dos Badoon é que Colan economizou demais. Tentando dar uma aparência de malvada à raça, ele não só carregou no tom reptiliano dos monstros como, também, deu a eles apenas uma sunga roxa para vestir. É impossível aceitar, sem rir, que uma raça tecnologicamente avançada e conquistadora de mundos vista apenas uma sunguinha roxa como uniforme de combate. E eles estão assim presentes em todos os planetas, o que automaticamente nos leva a concluir que sua fisiologia é tão extraordinária que a sunguinha basta para aguentar a gravidade de Júpiter e o frio de Plutão. Isso foi ciência sendo jogada pela janela.

Mas o grande mérito de Colan é trabalhar muito bem a distribuição de quadros e a disposição dos enormes textos explicativos da forma menos intrusiva possível. Usando transições na diagonal e quadros inusitados, a composição torna-se dinâmica e muito interessante.

De toda forma, apesar de limitado, o trabalho de Colan e de Drake resultou em uma história de origem diferente da que estamos acostumados e entregou ao universo Marvel heróis que seriam muito explorados pela editora, ainda que sejam pouco conhecidos do público em geral, mesmo os leitores assíduos de quadrinhos.

Marvel Two-in-One #4 e 5
(julho a setembro de 1974)
roteiro: Steve Gerber
arte: Sal Buscema

estrelas 3

guardians 2 finalEntre a edição de estreia e a volta dos Guardiões para a Marvel, mais de cinco anos se passaram. E eles voltaram como coadjuvantes dos coadjuvantes em uma história centrada no Coisa (do Quarteto Fantástico) e no Capitão América. Depois de uma introdução completamente descartável, os dois heróis se reúnem e vão tomar um cafezinho (sim, isso mesmo) lá no Edifício Baxter, juntamente com o Sr. Fantástico e com a Medusa dos Inumanos (fazendo as vezes da Mulher Invisível na época) e literalmente sem querer, a máquina do tempo do Doutor Destino, que Richards capturara e está investigando é ligada pelo Coisa e uma mulher se materializa. 

Logo descobrimos que ela é do século XXXI (ano 3.014) e aprendemos – de novo – tudo que eu expliquei acima sobre os Badoon e os Guardiões da Galáxia. Sem se preocupar em interferir com a linha espaço-temporal, o Capitão, o Coisa e Sharon Carter se mandam para o futuro e imediatamente se aliam aos Guardiões para lutar contra os asquerosos conquistadores. O divertido é ler o Coisa afirmando que 24 horas não é tempo suficiente para libertar o sistema solar e o Capitão dizendo que a missão é apenas de “reconhecimento”, mas, no final, realmente em 24 horas, eles quase derrubam mesmo o império Badoon. Nada como os quadrinhos descompromissados – em sua maioria – da década de 70, não é mesmo, com linhas narrativas simplistas e rasteiras.

Vance Astro nos é apresentado com um uniforme novo, branco e preto, bem mais aceitável do que a roupa roxa anterior. Os demais mudaram pouco, mas Yondu ganhou uma postura mais nobre e inteligente, pois, na origem, ele é retratado com um ser de, digamos, pouca inteligência. Charlie-27 já está – claro – sem sua roupa de astronauta e com seu uniforme padrão, com faixas cruzando seu peito nu. Mas acontece que toda a primeira revista funciona como um prelúdio, pois a ação vai do começo descartável (não vou nem explicar para não perder tempo) até a chegada dos heróis no futuro. Nada de Guardiões.

Assim, só na publicação seguinte, vemos a reunião de todos, uma tresloucada aventura cheia de ação, mas sem qualquer profundidade e, finalmente, a derrota dos Badoon em Nova Iorque. É quase uma corrida contra o tempo com muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas tudo resumido à pancadaria.

Os clássicos desenhos de Sal Buscema funcionam muito bem para invocar os traços dos heróis e dar a eles a personalidade que precisam. Buscema tenta focar muito mais no primeiro plano do que no que está por trás, às vezes dando a impressão de “muito vazio”, mas essa é uma de suas marcas registradas.

O roteiro de Steve Gerber é bem fraco, preguiçoso mesmo, com muito pouca exploração da interação entre os personagens. Além disso, tudo parece muito fácil, óbvio mesmo e não sentimos, em nenhum momento, nem o sofrimento dos humanos oprimidos pelos Badoon (apenas 50 milhões de humanos restam no mundo!), nem qualquer sensação de perigo real para os heróis. Diverte, mas está longe de ser memorável.

Os Defensores Giant-Size #5
Os Defensores #26 a 29
(julho a novembro de 1975)
roteiro: Steve Gerber

arte: Don Heck e Sal Buscema

estrelas 3,5

guardians 3 finalQuase um ano depois que o Capitão América, Coisa e Sharon Carter ajudaram a começar a derrocada dos Badoon, eis que os Guardiões da Galáxia, dessa vez, vêm para o século XX. A nave “Capitão América”, suspeitamente parecida com a Enterprise, de Star Trek, está quebrada e Martinex é obrigado a fazer um pouso forçado na Terra do presente. Não esperem muitas explicações sobre o porquê de ele estar no presente e, pior ainda, de Charlie-27 estar já entre nós disfarçado. Apenas temos que aceitar.

Mas a viagem temporal do grupo acaba fazendo surgir uma estranhíssima criatura do nada, no meio da baía de Nova Iorque o o Doutor Estranho sente o distúrbio psíquico e vai investigar com seu não-grupo formado por Valquíria (à época ainda desenhada com uma mecha de cabelos sempre cobrindo um dos olhos) e Hulk no seu estado, digamos, primitivo, além de Nighthawk, que aparece depois. A criatura parece atacar os humanos com peixes mortos apenas e não pude conter os espasmos de risadas ao me deparar com isso na narrativa. Foi, literalmente, a coisa mais ridícula que já vi em quadrinhos e olha que sou leitor há várias décadas.

Deixando esse aspecto de lado, porém, ao longo do arco narrativo a história fica cada vez mais interessante. Primeiro, na Terra do século XX, Os Defensores têm que ajudar os Guardiões a consertar sua nave e, enquanto isso acontece, um menino descobre a nave caída e fica maravilhado. Esse menino é Vance Astrovik – ou uma versão dele – já fã do Capitão América e com o olhar voltado para as estrelas. Vocês vão se lembrar que Vance Astro deixa a Terra para sua viagem de mil anos em 1988 e estamos 13 anos antes. Com isso, sem revelar sua identidade, o Vance ancião pode contar sua história à ele mesmo mais novo em um daqueles paradoxos temporais que tornam as histórias sobre viagens no tempo muito saborosas.

Mas, findo esse trecho bastante divertido, Os Defensores acompanham os Guardiões da Galáxia até o futuro, assim como o Capitão e o Coisa fizeram, para ajudar a libertar o sistema solar do jugo dos Badoon. E é nesse ponto que a narrativa fica ainda mais interessante.

Em primeiro lugar, devo confessar minha admiração pelo Doutor Estranho, pois sua aura de médico, mago e sábio, por alguma razão que não consigo determinar, sempre atrai bons escritores ou, mesmo quando são mais fracos, algum tipo de respeito maior os impede de por os pés pelas mãos. No caso, Steve Gerber, apesar de deslizes no começo, faz um ótimo trabalho em prender nossa atenção, com foco no Doutro Estranho, especialmente depois que ele toma sua forma astral para procurar onde estão Vance Astro e Valquíria e Yondu e Hulk, que tiveram seus raios de teletransporte para a Terra desviados pelos Badoon.

Ao separar os heróis – e aqui temos que aceitar um caminhão de coincidências – duas informações-chave para a derrota dos lagartos malvados é descoberta: (1) os Badoon se dividem entre machos e fêmeas, com cada gênero odiando o outro e os machos não sabem que as fêmeas alcançaram o mesmo patamar evolutivo do que eles e não têm a menor intenção de dominação galática e (2) Starhawk, um ser misterioso, quer ajudar os humanos a se livrar dos Badoon. É particularmente interessante ver o cuidado de Gerber ao criar uma história pregressa crível para a civilização Badoon e para manter nossa curiosidade aguçadíssima sobre Starhawk, que relutantemente se juntaria ao grupo ao final.

Inicialmente, o desenho é de Don Heck, com seu estilo mais noir e detalhista, que logo dá espaço a, novamente, Sal Buscema, com seu estilo mais econômico. Mas as duas artes funcionam muito bem para propagar a narrativa, ainda que Buscema não tente nada mais do que transições burocráticas.

No entanto, é em Os Defensores que os Guardiões da Galáxia definitivamente fincam o pé no Universo Marvel e a leitura é altamente recomendada.

Marvel Presents: Guardiões da Galáxia #3 a 12
(fevereiro de 1976 a agosto de 1977)
roteiro: Steve Gerber e Roger Stern

arte: Al Milgrom

estrelas 4

guardians 4 finalE, finalmente, chegamos à publicação “quase exclusiva” dos Guardiões. Digo quase pois “Marvel Presents” era uma publicação guarda-chuva, lar de muitos heróis pouco conhecidos da editora e de algumas estreias interessantes. Mas a revista foi o lar dos Guardiões por um ano e meio entre 1976 e 1977, servindo como um belo trampolim para muito desenvolvimento narrativo graças ao trabalho continuado de Steve Gerber no roteiro. 

Para começar, Gerber se livra rapidamente da história envolvendo os Badoon. Vemos, logo no primeiro número (o #3 da revista, na verdade), a derrocada final dos conquistadores e a retomada do controle por parte dos humanos. Mas, com isso, os Guardiões perdem sua função e tentam voltar à uma vida normal. No entanto, lembrem-se: eles são os últimos de suas respectivas raças e Vance Astro é um humano deslocado mil anos no tempo que tem que viver empacotado em uma roupa especial. Agora, os Guardiões são párias e sofrem preconceito em uma narrativa bem vanguardista para a época.

Sem função e sem identidade, nossos heróis acabam embarcando em uma missão espacial encabeçada pelo misterioso Starhawk que não dá muitas explicações para variar. Ao longo dessa missão misteriosa, em que eles enfrentam diversas ameaças cósmicas, um senso de “grupo” volta aos heróis, mostrando que a união deles em uma equipe no estilo dos Vingadores é algo que o universo precisa. São esses arcos narrativos que finalmente dão o formato final aos Guardiões da Galáxia. Sem dúvida alguma que muitas histórias são bobas, como a luta contra Karanada, um “fantasma espacial” com hábito de engolir galáxias inteiras e contra o Homem Topográfico (que nome!). Mas isso faz parte do jogo, especialmente em histórias setentistas da Marvel.

Por outro lado, um novo membro se junta aos Guardiões logo na edição #4 – Nikki – humana geneticamente alterada para viver na superfície de Mercúrio e que pode suportar temperaturas altíssimas, além de ter uma simpática “peruca de fogo”. Sua adição dá uma outra dinâmica ao grupo, pois eles, agora, têm que lidar com uma mulher, permitindo muitas tiradas engraçadas e narrativas cativantes.

Também aprendemos muito sobre Starhawk nas edições #9 e 10 e Gerber surpreende por sua capacidade de criar uma origem extremamente complexa e intrigante sobre esse herói calado e misterioso. E Gerber ainda empresta um tom trágico a Starhawk (Stakar é seu nome verdadeiro) e revela sua ligação (extremamente) próxima com sua irmã adotiva Aleta Ogord e o que acontece com seus três filhos, Sita, John e Tara, que tem com Aleta. É uma relação complicada e também para lá de diferente, especialmente se contrastarmos essa origem com a dos próprios demais Guardiões, bem simples em estrutura.

A arte de Al Milgrom é fantástica, com enorme detalhamento das feições dos personagens e um cuidado extremo com o segundo e terceiro planos, sempre preenchidos quase que completamente, sem, porém, poluir os quadros. Um belo “verdadeiro começo” para os Guardiões.

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Guardiões da Galáxia (1969) – Vol. 1 (Guardians of the Galaxy: Tomorrow’s Avengers – Vol. 1)
Conteúdo: vide capítulos acima
Editora: Marvel Comics
Páginas: 350

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.