Crítica | Guardiões da Galáxia – Especial de Aniversário de 100 Anos da Marvel

estrelas 4

Só o título dessa publicação única de Guardiões da Galáxia é de confundir qualquer um. O que raios, afinal, quer dizer esse tal de 100º aniversário da Marvel? Ela mesma não passou o ano inteiro de 2014 dizendo que estava fazendo aniversário de 75 anos?

Bem, se consideramos que mesmo esse aniversário de 75 ano é uma contagem para lá de fajuta – mas que vou aceitar sem discussões – então entender que a Marvel decidiu adiantar, em seu 75º aniversário, seu 100º aniversário fica fácil não é mesmo? Não? Ah, deixa para lá…

guardians pageMas foi isso mesmo que aconteceu: a Marvel soltou quatro publicações auto-contidas com o objetivo de contar histórias dos personagens escolhidos não necessariamente no futuro, mas como se a editora estivesse publicando revistas daqui a 25 anos. Ou seja, como os heróis, de tempos em tempos, sofrem renovações, morrem e revivem, trocam de sexo, trocam de uniformes, alteram a configuração de grupos e tudo mais, eles apenas extrapolaram isso meio que de brincadeira.

Se vocês continuam sem entender patavinas, a culpa é minha. Mas aí considerem o seguinte: a história dos Guardiões da Galáxia objeto da presente crítica (os demais títulos são Vingadores, Quarteto Fantástico, Homem-Aranha e X-Men) se passa em um universo paralelo. Pronto, melhor assim?

E a publicação já abre em uma Asgard destruída (pós-Ragnarok?), abandonada pelos deuses e tomada pela vegetação de Yggdrasil, a Árvore do Mundo. Lá, uma nova configuração de Guardiões – Charlie-27 do grupo original, Drax com seu uniforme clássico, Groot, Rocky e seus “racuns”, Gamora agora com o uniforme do Senhor das Estrelas e rebatizada de Soberana das Estrelas, além do Homem de Ferro 100% robô – têm que enfrentar Vance Astro, líder dos Guardiões originais que, agora, é arauto do Galactus Prateado (a fusão de Galactus com o Surfista Prateado), com direito a poderes cósmicos e uma horda de robôs.

Não tentem achar lógica. Apenas aceitem o roteiro de Andy Lanning (que, junto com Dan Abnett, criou a nova versão dos Guardiões, em 2008) e Ron Marz que mais parece um episódio de Looney Tunes. A doideira do que vemos – com os “racuns” sendo chamados por Rocky de seus sobrinhos, mas que chamam Rocky de pai, em clara brincadeira com os vários sobrinhos da mitologia dos personagens Disney – é simplesmente o objetivo da história:  a brincadeira com as possibilidades. Cosmo também aparece, assim como a base dos Guardiões, Luganenhum, a cabeça de um Celestial morto e, no final das contas, tudo se encaixa perfeitamente bem dentro da proposta simplista e amalucada, inclusive com a costumeira abertura para eventuais continuações (eu quero!).

guardiões 100 capaOutra característica dessa edição que, para nós brasileiros, é motivo de orgulho, é que arte é do nosso Gustavo Duarte, excelente desenhista  e roteirista responsável por Monstros!, Chico Bento – Pavor Espaciar e , dentre outros. Essa é certamente a razão de somente essa revista do “projeto 100 anos” ter sido publicada, mas, seja como for, o traço caricato de Duarte se harmoniza muito bem com o roteiro de Lanning e Marz em sua proposta de “maluquice total”. E o capricho e dedicação de Duarte pode ser visto na reimaginação de cada personagem, misturando mitologias e dando piscadelas para as mais variadas versões de todos os heróis, desde o longínquo ano de 1969, quando foram criados por Gene Colan e Arnold Drake. Charlie-27, bem abrutalhado, mantém seu uniforme original, o mesmo valendo para Drax, enquanto que Gamora já ganha uma aparência que funde sua versão mais atual com o visual também atual do Senhor das Estrelas. Groot, como ele mesmo não cansa de repetir, é Groot, mas vemos na expressão facial do monarca do Planeta X todo o trabalho de Duarte, o mesmo valendo para seu diminuto parceiro Rocky e seus três sobrinhos/filhos que muito bem poderiam ser chamados de Huguinho, Zezinho e Luizinho.

E Gustavo Duarte ainda nos reserva algumas surpresas bem originais, como a forma do novo Homem de Ferro (e que faz referência a um herói e um vilão clássicos dos quadrinhos – mas vou deixar vocês descobrirem!) e a maneira como ele trabalha a progressão dos quadros, às vezes mantendo a moldura, outras retirando-a e, outras ainda, integrando-as à história. Fica claro como o artista se divertiu desenhando os Guardiões.

Apesar de muito curta – só as regulamentares 21 páginas – essa edição esdruxulamente comemorativa é uma inusitada diversão que merece constar da estante dos fãs dos Guardiões e, claro, de Gustavo Duarte.

Guardiões da Galáxia – Especial de Aniversário de 100 Anos da Marvel (100th Anniversary Special: Guardians of the Galaxy, EUA – 2014)
Roteiro: Andy Lanning, Ron Marz
Arte: Gustavo Duarte
Cores: Edgar Delgado
Tradução: Levi Trindade
Editora (nos EUA): Marvel Comics (julho de 2014)
Editora (no Brasil): Panini Comics (dezembro de 2014)
Páginas: 21

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.