Crítica | Guardiões da Galáxia: Prelúdio (Infinite Comics)

estrelas 4

A leitura digital traz uma nova dinâmica para as histórias em quadrinhos, não só de leitura como do próprio armazenamento, possibilitando-nos carregar centenas de revistas em um único aparelho. De todas as mudanças introduzidas através dessa tecnologia, talvez a que mais chama atenção é o projeto Infinite Comics da Marvel, que transforma cada edição em uma espécie de desenho animado, trazendo uma sensação de movimento ainda maior para os quadros estáticos. Ou seja, a ideal forma de realizar um prelúdio de um filme em quadrinhos, não?

Começamos o prelúdio de Guardiões da Galáxia na famosa cena pós-créditos de Thor 2, nos mostrando novamente a entrega do Éter ao Colecionador (vivido no filme por Benicio Del Toro). O corte para o preto, contudo, não ocorre e temos uma visão prolongada da sequência, encadeando com uma aparição de Gamora, que é avistada pelos espiões do Colecionador. Em termos de história, as páginas não nos trazem muitas informações, funcionando apenas para aumentar a expectativa para o vindouro longa-metragem. São nos detalhes, porém, que este prelúdio chama a atenção, contando com diversos elementos a serem reconhecidos pelos conhecedores do grupo cósmico da Marvel. Estamos falando, é claro, de um roteiro de Dan Abnett e Andy Lanning, que reviveram os Guardiões sob uma nova formação em 2008.

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A expansão do ainda limitado universo cinematográfico para esta escala cósmica é feita com naturalidade através do traçado de Daniel Govar e Andrea Di Vito. Não há a tentativa de espelhar completamente na fisionomia dos atores do filme, embora, ainda assim, consigamos identificar alguns deles (especialmente Del Toro). Gamora, por exemplo, está perfeitamente equilibrada entre a produção cinematográfica e suas aparições nos quadrinhos. Esta abordagem que oscila entre o realismo e o caricato possibilita a utilização de cores mais vivas, que diminuem o impacto das cenas de violência mostradas (que envolvem até decapitações). Felizmente fugimos um pouco do traçado padronizado presente na Marvel NOW, caindo em um território não muito diferente, mas com uma maior liberdade criativa. Aqueles que experimentaram a revista in-game Mass Effect Genesis irão notar a grande similaridade, que mais uma vez nos remete a esse formato digital.

Com pouca história, mas repleto de detalhes que já podem nos dar um vislumbre do filme, o prelúdio de Guardiões da Galáxia faz jus a seu nome, funcionando como uma cena de abertura para o longa-metragem. Abnett e Lanning nos trazem uma experiência mais recompensadora nesta leitura que na outra versão do prelúdio, além de estarem aliados a uma arte melhor finalizada, se encaixando perfeitamente nesta dinâmica forma de leitura. Não chega a ser uma história imprescindível, mas não deixa de ser interessante, nem que sirva somente para aumentar a expectativa dos fãs.

Guardiões da Galáxia: Prelúdio (Guardians of the Galaxy Prelude, EUA, 2014)
Roteiro: Dan Abnett e Andy Lanning
Arte: Daniel Govar e Andrea Di Vito
Editora: Marvel Comics

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.