Crítica | Guerras Infinitas #4 (de 6)

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Ok, agora sim. Agora Gerry Duggan está começando a tornar sua saga mais interessante e envolvente novamente. No entanto, o problema da edição anterior, sua relativa irrelevância, foi trocado por outro: a vontade do autor de tratar temas demais e personagens demais em tão poucas páginas combinada com sua inabilidade de executar suas ideias. O desequilíbrio é evidente e chega a confundir e atravancar a leitura desnecessariamente, algo que a arte de Mike Deodato Jr., aqui, só ajuda a confundir mais ainda as coisas.

O começo é a melhor parte, com Loki, agora exilado no universo fundido que Gamora criou dentro da joia da alma, tendo uma conversa com Diamond Patch, a sensacional fusão de Emma Frost com Wolverine, com direito a esqueleto de diamante e a leitura de mentes somente depois de ele espetar alguém com suas garras. A troca de farpas e toda a concepção desse personagem amalgamado é de se aplaudir, talvez o ponto alto de toda a saga até agora. Mas a alegria não demora, pois Loki logo já um jeito de separar os dois heróis – de uma maneira sensacionalmente louca que, infelizmente, é pouco explorada, não tomando nem bem uma página – e de conseguir a versão desse universo de uma das joias do infinito.

Esse é o passo inicial para ele e Frost começarem a reunir uma nova Guarda do Infinito, separando outros personagens amalgamados, mais especificamente Ms. Kang (Ms. Marvel com Kang) e Hulk Formiga (ok, eu inventei esse nome, mas dá para perceber quem são, não é mesmo?). Mas há outros ainda que vemos muito rapidamente em sucessão pelas páginas da edição, notadamente o Soldado Supremo, Martelo de Ferro e Aranha da Lua, que ganharam (ou ganharão) seus tie-ins próprios. Em outras palavras, o mandamento da Marvel de abrir portas para a venda de novos brinquedos ou de, no mínimo, permitir histórias sobre esses personagens amalgamados continua firme e forte, obrigado, com Duggan exercitando sua criatividade para expandir ainda mais a quantidade de heróis derivados da editora.

Seguindo linha semelhante, vemos, de maneira para lá de aleatória, a Serpete da Lua e Phyla-Vell de outro universo saindo no tapa com a Requiém de lá e dando indicação de que o casal virá para o universo da joia da alma ou para a Terra-616, para reforçar o exército de personagens de outras realidades que foram trazidos para o universo regular da editora depois de Guerras Secretas, como o Velho Logan. Chega a ser tão óbvio que dá vontade de bocejar…

Subjacente a tudo isso, vemos o desenvolvimento de um conceito estranho que havia sido pincelado antes: a existência de um monstro (chamado de Devondra, vai entender…) que vive no SoulWorld e parece ser a razão pela qual esse mundo, antes paradisíaco, parece mais um filme do Mad Max. O problema é que Duggan não chega nem próximo de oferecer algum tipo de explicação e a presença da ameaça fica um tanto quanto jogada, além do tumulto de personagens não ser nada elucidativo, muito pelo contrário.

Mas é inegável que o que o autor escreveu aqui levanta sobrancelhas curiosas nos leitores. Desconfio muito se haverá modificações duradouras para o universo Marvel, mas, a essa altura do campeonato, nem sei se ligo mais para isso. O que interessa é mais imediato, ou seja, se a história sendo contada é boa ou não e a queda lenta de qualidade deste o primeiro número parece ter sido estancada agora, com um cliffhanger interessante envolvendo a “gangue dos Vigias” e uma Gamora frustrada por não conseguir chegar ao que parece ser uma espécie de nexo de realidades (como a Torre Negra, talvez) e sendo assombrada pelo fantasma de seu finado pai.

Como disse logo no começo, apesar de estar gostando da arte de Deodato Jr., ela, aqui, atrapalha. A maneira diferentona que ele vinha empregando para trabalhar suas páginas e seus quadros, dentro de um conceito que justamente confunde páginas e quadros, acaba tornando a narrativa confusa de Duggan em algo ainda mais confuso e complicado de ler, com pouca diferenciação entre universos. Claro que mudar o estilo completamente poderia quebrar a unicidade de saga, mas ele poderia ter suavizado seus recortes e tornado a coisa um pouco mais fluida. De toda forma, o problema maior fica mesmo no colo de Duggan, já que o artista é bom, mas não é mágico.

Chegamos na reta final de Guerras Infinitas, com apenas mais duas edições para a saga acabar. Se Duggan arriscou alienar seus leitores com a última edição, creio que ele tenha conseguido reavivar o fogo pelo menos um pouco. Ainda coço a cabeça pensando o que exatamente ele quer com essa história, mas o roteirista tem minha atenção mais uma vez.

Guerras Infinitas #4 (Infinity Wars #4, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Mike Deodato Jr.
Cores: Frank Martin
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 10 de outubro de 2018
Páginas: 35

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.