Crítica | Guerras Infinitas #5 (de 6)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais edições da saga.

Quando acabei de ler Guerras Infinitas #5, confesso que minha primeira reação foi algo na linha de “o que raios aconteceu aqui?”, o que exigiu que eu voltasse ao começo e lesse uma segunda vez. Ao final da segunda rodada, consegui entender melhor, mas ainda fiquei confuso, mas acho que pelo menos consegui diagnosticar a razão, ou melhor, as razões: Gerry Duggan não tem interesse algum em desenvolver personagens e ele se recusa a revelar os “planos” finais de Gamora e Loki, os dois personagens centrais da saga.

O primeiro aspecto é irritante. Peguem por exemplo o mais significativo momento da edição, quando Loki, de posse das joias do infinito nas versões do universo recriado por Gamora, que Emma Frost e Kamala Khan conseguem da versão jovem de Gamora. Ele explica o porquê de cada um delas encaixar-se com Frost, Khan, Kang, Hulk, Homem-Formiga (Lang) e ele próprio, algo que temos que apenas aceitar e, na página seguinte, os Vingadores Lokianos já estão 100% aptos a manusearam as joias como se tivesse nascido com elas. Não existe uma construção que mostre uma evolução do ponto A ao ponto B e sim, tão somente, um “tome aí a pedra X e se vire”, sendo que o “se vire” não leva a nenhuma consequência negativa, com cada um dos heróis lidando com seus novos poderes tranquilamente. Em outras palavras, Duggan nos rouba de momentos que poderiam nos fazer sentir pelos personagens.

O segundo aspecto, dos planos finais, é frustrante. Tudo bem manter o mistério até talvez a terceira edição da saga, mas estamos a apenas um número do final e não há um mínimo de clareza sobre nada. O que é aquela Pedreira da Criação (Quarry of Creation, na minha tradução). E porque Loki e Gamora encasquetaram com o lugar? Sem entendemos o básico do que aquilo significa, ficamos sem compreender a importância da saga como um todo. Sei que, provavelmente (se tivermos sorte), tudo será revelado na última edição, mas então isso mostra que praticamente tudo o que aconteceu até agora foi um prelúdio ou uma desculpa para a Marvel Comics surfar na onda das joias do infinito em razão do recente filme dos Vingadores, além de vender “bonequinhos” com as versões fundidas dos vários heróis, versões essas que, aliás, estão sendo mais do que subutilizadas na saga, em momentos completamente genéricos.

Lindo, mas confuso.

Aliás, um desses momentos genéricos é a luta deles e de Adam Warlock contra Devondra, o inexplicado monstro que quer devorar Soul World. Não fosse a bela arte de Mike Deodator, Jr., são páginas que estão ali só por estar, sem qualquer outro impacto. Aliás, minto. Elas criam uma incongruência estranhíssima que não consegui reconciliar em minha mente. Na luta, vemos não só os heróis amalgamados e Warlock, como também Kang, Ms. Marvel, Hulk e Homem-Formiga. No quadro seguinte, vemos os quatro e mais Emma Frost e Loki a caminho da casa na árvore onde a pequena Gamora vive, como se eles nunca tivessem participado da pancadaria imediatamente anterior.

Eu só realmente espero que a presença dos Vigias e que a caverna repleta de Celestiais (eles estão em todos os lugares agora!) que o traiçoeiro Loki acha depois de usar o poder das joias roubadas dos demais para efetivamente entrar na Pedreira da Criação, façam algum sentido e expliquem razoavelmente bem tudo o que aconteceu até agora. Na verdade, eu já ficaria satisfeito se a presença desses seres cósmicos meramente justificasse a existência da saga em si, nada mais.

Guerras Infinitas vai chegando ao seu final deslumbrando na arte, mas decepcionando em propósito. O exagero na manutenção dos mistérios e a quase inexistente construção dos personagens torna a leitura confusa e frustrante, sem que, em troca, sequer haja momentos memoráveis. Se Duggan não fizer algo revolucionário na última edição, algo para fazer nossos queixos caírem, a saga entrará para a história da editora como a mais sem graça de todas (vejam bem, eu disse sem graça, não a pior). Tomara que ele tenha uma baita carta na manga para o desfecho mês que vem!

Guerras Infinitas #5 (Infinity Wars #5, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Mike Deodato Jr.
Cores: Frank Martin
Letras: Cory Petit
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 07 de novembro de 2018
Páginas: 34

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.