Crítica | Guerras Infinitas: Martelo de Ferro

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais edições da saga.

O primeiro tie-in completo de Guerras Infinitas com os super-heróis amalgamados criados por Gamora foi Soldado Supremo, em que vemos a origem do Capitão América fundido com a do Doutor Estranho. Não é uma maravilha, mas achei divertido. Agora, com Martelo de Ferro, o segundo tie-in encerrado (são apenas duas edições), começo a ficar preocupado comigo mesmo por estar gostando mais do que talvez devesse. Certamente mais do que a saga em si.

Além desses tie-ins poderem ser lidos por qualquer um, mesmo aqueles que não acompanham a história principal, eles têm uma estrutura fascinante de O Que Aconteceria Se… que torna a leitura prazerosa só pelas possibilidades levantadas e pelas brincadeiras feitas. E, em Martelo de Ferro, escrito por Al Ewing, o nível sobe bastante se comparado com Soldado Supremo, já que, diferentemente de Gerry Duggan, o roteirista não se contenta em apenas refazer a origem de um super-herói mudando nomes e localidades, mas sim empresta características próprias que, bebendo das fontes originais, resultam em um trabalho que tem seus méritos ao manter-se equidistante entre o material fonte e algo completamente original.

Na minissérie, acompanhamos o desmemoriado Sigurd Stark que apareceu do nada na Noruega há cinco anos, apareceu, durante uma nevasca. Sem saber quem é, ele tornou-se um industrial bilionário, mas assombrado por um passado que ele sabe que está em algum lugar, mas não consegue achar. Ao sair de um bar de gelo, ele acaba sendo ferido por Elfos Negros, que o levam a uma caverna onde, juntamente com Eitri, já prisioneiro dos vilões, constrói uma armadura tecno-mágica com a inteligência artificial H.E.I.M.D.A.L.L. (sim, cada letra tem um significado!). Além disso, Eitri, conhecedor do passado de Sigurd, secretamente fabrica um martelo de ferro, único metal capaz de ferir um Elfo Negro, o que não só batiza a persona super-heroística do industrial como o coloca em rota de choque com o Kurse Escarlate (fusão de Kurse com Dínamo Escarlate), Malekith (aqui uma fusão do bom e velho Malekith com a mitologia dos 10 anéis do Mandarim) e, finalmente, Madame Hel (Hela com Madame Máscara, claro). Além disso, seu passado asgardiano é também revelado, o que traz outras fusões bem pensadas, mas talvez muitas demais para uma história tão curta, já que elas acabam muito mal aproveitadas.

(1) Sigurd Stark se encachaçando e (2) Martelo de Ferro abrindo a B.I.F.R.O.S.T. (assim mesmo, com pontinhos…).

De toda forma, o importante, aqui, é notar como Ewing navega bem pelas duas histórias de origem dos heróis que formam o Martelo de Ferro, algo que Duggan não soube fazer em Soldado Supremo, que nada mais é do que um Capitão América mágico. Há um excelente equilíbrio entre o Ferroso e Thor, dois dos mais arrogantes super-heróis da editora, com piscadelas para momentos chave de ambos os personagens, inclusive o alcoolismo de Stark logo no início da narrativa.

Outra ótima jogada é estruturar a história como se fossem edições clássicas de Journey into Mystery (que, aqui, ganha o nome Journey into Suspense), a publicação onde Thor estreou em 1962, com direito a textos iniciais que artificialmente criam excitação e mistério sobre o conteúdo da revista, além de adiantar eventos que veremos adiante, como parte dos ganchos old school da Marvel Comics.  Não é, certamente, algo necessário para o desenrolar da trama, mas que acaba dando um sabor especial à minissérie que certamente tem seu valor nostálgico e, porque não, respeitoso com a gênese de personagens tão importantes para os quadrinhos mainstream.

A arte de Ramon Rosanas não arrisca muito na diagramação de quadros, que é tendente ao burocrático. Porém, não é algo que atrapalhe ou de alguma forma diminua o valor da leitura, até porque o artista esmera-se em criar excelentes personagens amalgamados a partir do conceito do Martelo de Ferro que vimos na saga principal, por Mike Deodato Jr., com especial destaque para Madame Hel e Kurse Escarlate. O visual é coeso e condizente com ambos os mundos que são fundidos na história, sofrendo apenas quando os vários personagens que Ewing insere na narrativa dão as caras lá pela segunda metade da segunda edição.

Mais veementemente do que aconteceu com o Soldado Supremo, devo dizer que não ficaria nada triste se a Marvel resolvesse continuar as histórias do Martelo de Ferro em uma publicação mensal própria ou, quem sabe, em uma segunda minissérie (até com os dois juntos, já pensaram?). É uma brincadeira caça-níquel que dá gosto de ler.

Guerras Infinitas: Martelo de Ferro (Infinity Wars: Iron Hammer, EUA – 2018)
Contendo: Infinity Wars: Iron Hammer #1 e 2
Roteiro: Al Ewing
Arte: Ramon Rosanas
Cores: Jason Keith
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: setembro e outubro de 2018)
Páginas: 47

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.