Crítica | Habemus Papam

habemus papam

estrelas 4É possível entender Habemus Papam como uma experiência atípica na filmografia de Nanni Moretti. Isso porque a ausência de uma crítica contundente ao objeto filmado e uma quase desmedida linha cômica estão na linha de frente deste filme que poderia ser uma pequena obra-prima, mas que é um pouco esvaziado pela atuação do diretor e por sequências sem significado algum para o filme.

O argumento é muitíssimo interessante: um cardeal eleito papa não suporta a pressão do cargo, não assume o pontificado e foge de sua missão, tendo nesse meio tempo o tratamento de dois psicanalistas. O roteiro, do qual Moretti é coautor, explora a humanidade dos líderes da igreja, e especialmente do papa, em uma abordagem que consegue manter vivo o interesse do espectador do começo ao fim da película. Não fosse a aparição demasiada do personagem interpretado por Moretti, e o estranhíssimo jogo entre os cardeais em algum momento do filme, estaríamos diante de algo mais impactante.

A veia cômica utilizada é interessante na maior parte do tempo. Os motivos religiosos são satirizados pelo diretor desde o início, com a abordagem televisiva da reclusão dos cardeais para a eleição do novo pontífice. O próprio conclave é invadido pela câmera, e temos acesso não apenas ao comportamento quase infantil dos cardeis, que tentam olhar de soslaio o voto dos companheiros, mas também ao pensamento deles, pedindo a Deus: “Eu não, Senhor, por favor!”. A oposição entre o sagrado e o profano que o diretor escancara no filme é ainda acrescida da velha disputa entre fé e ciência. Essa relação entre o mundo fechado do Vaticano e o mundo secular e profano constitui-se um dos mais interessantes conflitos dramáticos em filmes do gênero na atualidade. A própria fuga do papa, que busca não apenas forças para assumir o cargo que lhe foi confiado, mas de alguma forma, encontrar suas raízes, é uma forma de repensarmos o papel exercido pelo religioso, que assim como qualquer outra pessoa, tem um passado, e pode ser assombrado por ele, ou para algo contido nele querer retornar.

A atuação de Michel Piccoli como papa, é soberba. A fragilidade do homem indeciso e que se julga incapaz de guiar milhões de fieis pelo mundo é perfeitamente transmitida através de sua atuação emotiva e tecnicamente perfeita. O discurso final da personagem é ainda mais interessante porque o ator carrega toda a sequência em alterações de tom vocal e expressões, uma vez que a direção e a montagem da sequência são muito simples, quase jornalísticas. O uso da música sacra e secular é muito bem dosado, um fator que não carrega o filme nem para uma tensão barroca nem para uma incompatibilidade dramática entre música, imagem e tema.

Habemus Papam é um filme incrível. A ironia aos ritos eclesiásticos, a posição do homem frente à sua humanidade em detrimento da posição social que ocupa é um trunfo louvável que Moretti consegue articular. Lamenta-se que o diretor tenha permitido algumas sequências soltas durante o filme, e que tenha carregado muito a câmera em sua personagem. A indecisão, a dor, e os conflitos psicológicos são tratados de maneira simples, precisa, e com muita ironia. Percebemos que independente de sua fé, chamado divino ou responsabilidade social, o ser humano tem a imperativa necessidade de lidar com seus próprios demônios, e mesmo que todos imaginem uma personalidade como uma fortaleza escondida e indestrutível, há, por trás de qualquer título ou posição, alguém que sofre, deseja ou ri por alguma coisa.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.