Crítica | Hack/Slash: Meu Primeiro Maníaco

estrelas 4

A série de publicações Hack/Slash teve seu início na editora Devil’s Due Publishing e, posteriormente, foi levada para a Image Comics pelo seu criador, Tim Seeley. Já na nova casa, Seeley criou a minissérie Meu Primeiro Maníaco, que funciona como história de origem de Cassie Hack, uma garota que caça slashers pelos Estados Unidos. Repleto de referências aos clássicos filmes do gênero dos anos 1980, essa minissérie funciona como perfeita porta de entrada para aqueles que desejam conhecer esse universo distorcido, repleto de assassinos que retornam dos mortos e que vão atrás de adolescentes incautos. Em outras palavras, perfeito para nossa coluna, o Sábado de Sangue.

Com a narrativa em forma de diário, Cassie começa a história nos contando sobre sua mãe, que trabalhava na cafeteria do colégio e começara a assassinar (e cozinhar) as garotas que praticavam bully contra sua filha. Descobrindo sobre os feitos da mãe, a garota coloca um fim às suas práticas, a matando. Depois disso, Cassie toma para si a missão de percorrer os EUA, caçando os slashers que encontra, se misturando no meio de outros adolescentes, os quais são as vítimas perfeitas desses assassinos em série.

A principio, a estrutura narrada do roteiro de Tim Seeley demonstra ser um tanto cansativa – as páginas são repletas de balões de narração, simbolizando as entradas no diário da protagonista, sem dúvidas uma forma de burlar o constante silêncio de Cassie, que é mais fechada em si própria. Conforme conhecemos outros personagens, contudo, a história vai ganhando maior fluidez, ao passo que mais diálogos aparecem e, é claro, o primeiro maníaco do título começa a dar as caras. Logo nos vemos envolvidos pela trama, nos perguntando como exatamente a personagem central irá cumprir essa sua primeira missão e, claro, quem irá sobreviver.

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É interessante notar como o texto de Seeley trabalha com diversos fatores comuns aos filmes sobre slashers, sem cair na velha mesmice dessas narrativas. Embora o culpado por trás dos crimes se mantenha um mistério até a última edição, a trama não gira em torno do whodunnit, ou até mesmo das vítimas e se mantém sempre com o foco em Cassie, que conta com um bem definido arco evolutivo como personagem. Aos poucos a conhecemos e entendemos o porquê dela ser dessa forma e não podemos deixar de torcer para que ela encontre logo o assassino e acabe com ele. Além disso, o texto dá a devida importância para as relações de amizade formadas entre a protagonista e outros personagens secundários, acrescentando um peso maior aos acontecimentos da minissérie.

Um dos pontos que mais nos chamam a atenção é a maneira visceral como a violência é retratada. Mesmo em brigas menores, Daniel Leister, que assina a arte do quadrinho, traz closes, os quais evidenciam o impacto do mais simples dos socos. Claro que ele não poupa no sangue, tornando tudo o mais gráfico possível, a tal ponto que sentimos cada uma das dores dos personagens. Embora as capas claramente sexualizem as personagens femininas, o mesmo não ocorre (tanto) nas páginas da obra em si, as quais mostra Cassie de forma mais sóbria e agressiva. É preciso notar como o artista sabe trazer expressividade ao rosto dos indivíduos, tornando-os mais humanos. Embora opte por cores mais vivas e intensas, Mark Englert sabe criar a atmosfera de filme de terror, ao mesmo tempo que trabalha o humor negro desses quadrinhos.

Meu Primeiro Maníaco, portanto, prova ser uma experiência bastante divertida, funcionando como sátira e homenagem, ao mesmo tempo, aos clássicos filmes de slashers. Temos aqui uma bela porta de entrada para aqueles que desejam conhecer mais a obra de Tim Seeley e sua caçadora de serial-killers. Ao terminar essa minissérie já nos vemos ansiosos para ler a série principal de Hack/Slash, a qual conta com vinte e cinco edições. Resta saber se o mesmo padrão de qualidade foi mantido nessa publicação mensal, que viria pouco depois da publicação dessa história de origem.

Hack/Slash: My First Maniac
Roteiro: Tim Seeley
Arte: Daniel Leister
Letras: Chris Crank
Cores: Mark Englert
Capas: Tim Seeley, Nei Ruffino, Jenny Frison
Editora original: Image Comics
Datas originais de publicação: junho a setembro de 2010
Editora no Brasil: não publicado até a data de publicação da crítica
Páginas: 100 páginas

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.