Crítica | Hairspray – Em Busca da Fama

Hairspray

estrelas 4

Uma adaptação cinematográfica da peça da Broadway já havia sido realizada nos anos 1980. Em 2007, produtores se reuniram para trazer mais uma vez o ótimo enredo. Em 1962, o sonho de quase todas as garotas estadunidenses era ser uma das estrelas do programa televisivo The Corny Collins Show. Tracy Turnbland (Nikki Blonsky), a protagonista, é uma destas jovens. Acima do peso e apaixonada por dança, a garota assiste constantemente ao programa e sonha em um dia fazer parte do grupo, mesmo sendo alguém fora dos padrões estabelecidos.

Certo dia a garota faz um teste e impressiona os juízes e telespectadores. Assim, conquista o seu espaço no programa e vai precisar lutar para mantê-lo, afinal, há pessoas interessadas em tirá-la do seu espaço, principalmente pelo fato da moça ser simpática com o direito dos negros e de outras minorias. O seu carisma e talento também prejudica o reinado de Amber Von Tussle (Brittany Snow). Além de tomar o espaço central da garota, Tracy conquista a atenção de Link (Zac Efron), par de Amber e possível envolvimento amoroso.

Inicialmente Tracy está interessada na coroa para o Miss Auto Show, mas adiante o seu foco se modifica: lutar pelo preconceito racial na televisão. Ela decide usar a sua fama para promover a integração. Será este o foco ao longo dos 117 minutos de filme, musical dirigido por Adam Shankman. O roteiro, assinado por Leslie Dixon, garante cenas dançantes, críticas sociais contundentes e ótimas interpretações.

O elenco está bem. Michelle Pfeiffer interpreta Velma Von Tussle, a vilã da história, papel que passeou anteriormente pelos agentes de Meryl Streep e Madonna. John Travolta, mestre dos musicais nos anos 1970, está bem confortável em seu papel, apesar de não interpretar um galã, mas um papel feminino de destaque na história. Para o seu desempenho como Edna Turnbland era preciso quatro horas de maquiagem e ajustes do figurino. Um trabalho, verdade seja dita, digno de ovação.

Hairspray – Em Busca da Fama está situado nos momentos derradeiros que se convencionou a chamar de Era Jim Crow (1876-1965), um período conhecido pela promulgação de leis que afetavam asiáticos, afroamericanos e outros grupos estrangeiros. A segregação racial de que tanto se fala sempre existiu, desde a emancipação dos escravos durante a Guerra Civil Americana. As áreas públicas, as salas de atendimento, os parques, as lavanderias e os demais serviços públicos, bem como escolas e faculdades eram segregados. E aqueles que ousavam sair da linha estabelecida pagavam pela “audácia”, a ponto de ter que quitar o seu débito com a morte.

As contestações, então, começaram a estourar por todos os lados, tendo a Marcha para Washington como um dos principais acontecimentos. O congresso, pressionado pela sociedade, aprovou as leis dos Direitos Civis (1964) e Direito ao Voto (1967). Era o começo, ao menos. E Hairspray – Em Busca da Fama, de forma lúdica e idealista, parece uma ode a este momento de inclusão e aclamação. No entanto, infelizmente, o que parece bonito pelo lado de dentro ainda é uma dura realidade no lado externo.

O musical ganhou prestígio do público, mas no que tange aos prêmios passeou por poucas cerimônias, tendo presença marcada em algumas categorias no Globo de Ouro, Grammy e BAFTA, reconhecido pelos ótimos trabalhos de maquiagem e trilha sonora. Foi exibido no Festival do Rio 2007, sendo o filme mais visto durante o evento.

Hairspray – Em Busca da Fama (Hairspray) – EUA /2007
Direção: Adam Shankman
Roteiro: Leslie Dixon
Elenco: Allison Janney, Amanda Bynes, Anne Fletcher, Anthony Carr, Ariel Reid, Arike Rice, Austin Di Iulio, Becca Sweitzer, Brittany Snow, Brooke Engen, Bruce McFee, Bryan Hindle, C.J, Carla Guiliani, Cassie Silva, Chad McFadden, Chantelle Leonardo, Charles Seminerio, Charlotte Szivak, Chris Andrew Robinson, Christian Hagen, Christine Moore, Christopher Walken, James Marsden, Janelle Hutchison, Janice Luey, Jason Dolphin, Jayne Eastwood, John Travolta, John Waters, Michelle Pfeiffer, Queen Latifah, Zac Efron
Duração: 105 min

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.