Crítica | Halloween 3: A Noite das Bruxas

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estrelas 1

Halloween 3: A Noite das Bruxas está para a série como Sexta-Feira 13 parte 5 para a saga de Jason: é o filme do vilão onde as coisas mudam de planos. Michael Myers foi afastado do roteiro para dar espaço a um enredo sobre ocultismo, bruxaria e dentre outros temas, o que nos leva a questionar o porquê desta produção se chamar Halloween 3. A única justificativa está no fato do filme seguir com o nome dos dois primeiros de sucesso, e assim, capitalizar no legado do psicopata das noites de halloween, mesmo que o argumento em nada se aproxime do vilão.

O psicopata das babás tem a sua história pausada para sermos mergulhados num período de horror na cidade de Santa Mira, na Califórnia. Um médico local se depara com uma conspiração para desfazer dos humanos, em uma história que envolve os elementos da publicidade e propaganda, assim como os clichês sobre os meios televisivos, como algo negativo. Através de enormes computadores e os painéis do Dr. Cochran, nos sentimos remetidos ao contexto dos filmes de ficção científica dos anos 1950-1960, pois tanto a trilha sonora, como disposição dos personagens e ações nos lembra às narrativas ficcionais do auge das tensões envolvendo a atomicidade e a posterior Guerra Fria.

O filme começa na última semana de outubro. O Dr. Daniel Challis (Tom Atkins) é um médico divorciado que enfrenta problemas relacionados ao alcoolismo e uma crise no casamento, pois a esposa reclama de atenção, bem como questiona o tratamento dele em relação ao filho. Em uma noite, um paciente idoso chega ao hospital com estranhos ferimentos e diz algo sobre acontecimentos bizarros envolvendo rituais na cidade.

Após sair em busca de respostas, a investigação do médico demonstra gráficos assustadores: o excêntrico Dr. Cochran está por detrás de um plano mortal envolvendo máscaras de halloween de uma fábrica local, num processo que instaura um terrível infanticídio na cidade, com direito a rituais de sacrifício sobrenaturais.

Ao longo dos 99 minutos de filme, Halloween 3: A Noite das Bruxas surge apenas como desculpa comercial para se aproveitar do sucesso de Michael Myers através de uma história sobre ocultismo, um cientista maluco e crimes brutais envolvendo a mídia como suporte. Se fosse produzido deslocado da série, seria mais um filme de terror mediano dos anos 1980, mas a proposta ordinária o faz adentrar no panteão das picaretagens da história do gênero, em suma, um filme sem charme, dignidade e razão de existir.

Halloween 3: A Noite das Bruxas (Halloween 3: Season of The Witch – Estados Unidos, 1982)
Direção: Tommy Lee Wallace
Roteiro: Tommy Lee Wallace
Elenco: Tom Atkins, Stacey Nelkin, Dan O´Herlihy, Michael Currie, Ralph Strait, Jadeen Barbor, Brad Schacter, Garn Stephens, Nancy Kyes, Jonathan Terry.
Duração: 99 minutos.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.