Crítica | Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers

estrelas 2

Quando Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers chegou aos cinemas em 1989, o gênero slasher estava em profunda decadência. O último episódio da série Sexta-Feira 13, situado em plena Nova York, havia rendido algumas das piores críticas para a saga e o gênero demonstrava falência múltipla: sustos clichês, personagens estereotipados, mortes em fila que não surpreendiam mais ninguém e trilhas sonoras pasteurizadas. Mesmo assim, os produtores resolveram investir em mais um episódio (frívolo) para a saga do malvado Michael Myers.

Há um paralelo, proposital ou não, com Sexta-Feira 13 Parte 4. No final do filme anterior, Jamie ataca a tia e a última cena é a garota com uma tesoura ensanguentada nas mãos. Esse desfecho lembra a câmera em primeiro plano, focada no rosto de Tommy, personagem (também uma criança) sobrevivente da terceira continuação da saga do imortal Jason. Os produtores, no entanto, decidiram que não queriam Jamie como uma assassina. O interesse era ressuscitar mais uma vez o tio da menina, em “retiro” com um mendigo nas imediações do local onde foi massacrado no encerramento de Halloween 4 – O Retorno de Michael Myers.

Ele decide retornar para atacar a sobrinha e as pessoas que estão ao seu redor no ano seguinte, exatamente no dia 31 de outubro. Jamie agora demonstra ter uma ligação telepática e continua a ter pesadelos com o tio psicopata. Ela sente a proximidade do mal e torna-se, mais uma vez, vítima da perseguição insana promovida pelo seu tio, observada com angústia pelo Dr. Loomis (Donald Pleasence), um homem obcecado por Michael Myers, interessado em entender os motivos que elevam esta figura ao status de imortalidade.

O filme é recheado de problemas textuais e estéticos. Um dos problemas técnicos mais irritantes nesta continuação é o trabalho de iluminação. As cenas são muito escuras, os trechos que contém perseguição não alcançam uma dinâmica que pelo menos prenda o espectador no jogo de gato e rato entre mocinha e vilão; em suma, um mediano desastre no que tange aos aspectos da linguagem audiovisual. A jovem Danielle Harris até se esforça na construção do personagem que é perseguida pelo tio assassino, mas a sua performance é ofuscada pela falta de competência dos envolvidos na direção, na montagem e no roteiro do filme.

Há uma cena bastante curiosa. Michael Myers é preso, pasmem! Os vilões de filmes deste estilo geralmente são amarrados, jogados em um lago, explodidos, detonados, mas, nesta quarta continuação da série, o vilão é preso, próximo aos momentos finais, mas, como já é de se esperar, consegue escapar e garantir mais uma fila de cadáveres para o próximo episódio, além de contratos financeiros rentáveis para os envolvidos na produção.

Depois desse fiasco, Michael Myers só retornou aos cinemas em 1995, em Halloween 6 – A Última Vingança, outro desastre no currículo do vilão e nos anais da história dos filmes de terror. Vingança, que por sinal, não seria a última, pois o psicopata ainda apareceria no ótimo Halloween H20 – Vinte Anos Depois e no tenebroso Halloween: Ressurreição, episódio que enterrou de vez a série, com muito exagero e sem um fio de dignidade.

Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers (Halloween 5, EU A – 1989)
Direção: Dominique Othenin-Girard
Roteiro: Michael Jacobs, Shem Bitterman, Dominique Othenin-Girard
Elenco: Ellie Cornell, Donald Pleasence, Danielle Harris, Wendy Kaplan, Tamara Glynn, Matthew Walker, Troy Evans, Jonathan Chapin
Duração: 96 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.