Crítica | Halloween 6 – A Última Vingança

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estrelas 2

Depois da dieta desde 1989, os produtores resolveram investir em mais um episódio da série Halloween. O filme só perde para o episódio 8, Halloween: Ressurreição, mas por muito pouco. Não há motivos suficientes para a existência de ambas as produções e o que observamos é a repetição do padrão narrativo dos anos 1980: uma morte espetaculosa na abertura, algumas explicações absurdas para a sanha assassina rodeada de mortes de pessoas que nada tem a ver com o processo, o que deságua no final com portas arrebentadas, janelas estilhaçadas, gritos, tiros, facadas e o final com a famosa cena obrigatória, deixando espaço não apenas para a discussão sobre o filme após o filme, mas abrindo espaço para outras continuações.

No final de Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers, Jamie (Danielle Harris) é sequestrada por um homem encapuzado e vestido de preto. Há um salto temporal de seis anos. Jamie está grávida e o filme tenta explicar o mal por detrás da história de Michael Myers. Segundo a seita que mantém Jamie sob experiência, o seu tio está envolvido com a maldição de Thor, um antigo druida que, na noite de Samhaim (Halloween), deveria sacrificar sua família para que toda a tribo prosperasse (como assim produção?).

Descobrimos que essa seita quer continuar perpetuando o mal e por isso faz trabalhos genéticos para o surgimento de novos bebês que, na fase adulta, tornar-se-ão assassinos. Absurdo, excessivo, louco, insano e sem noção. Essa é a explicação. Tudo não fica pior porque há uma história paralela básica e bem típica dos filmes da série: Tommy (Paul Rudd), a criança que estava sob os cuidados de Laurie Strode (Jamie Lee Curtis, no primeiro filme) tornou-se obcecado pelo misterioso assassino, assim como o Dr. Loomis (Donald Pleasence). Ele mora em frente à casa do assassino, local habitado por parentes distantes dele, mas que se tornarão alvo da ira de Myers no dia 31 de outubro mais próximo.

No que tange aos aspectos técnicos, não há novidade alguma. Música ruim, montagem mal formulada, direção confusa e preguiçosa, personagens rasos e sem expressividade, um terror total, mas não do ponto de vista do gênero, mas da incapacidade dos produtores em realizar algo no mínimo digno.

Esse foi o último filme de Donald Pleasence. O ator morreu ainda no processo de finalização e foi preciso ajustar algumas cenas para adequar sua falta. Por sinal, Halloween 6 possui mais de uma versão. A velha batalha entre produtores e realizadores acometeu o filme. A versão que chegou ao cinema é cheia de cortes e absurdos, sendo a versão desconhecida mais completa e com os devidos ajustes narrativos. Independente disso, o filme veio para mostrar o cansaço do personagem e da série, revitalizados em 1998, com o surgimento de Halloween H20 – Vinte Anos Depois.

Halloween 6 – A Última Vingança (Halloween 6: The Curse of Michael Myers, Estados Unidos / 1995)
Direção: Joe Chappelle
Roteiro: Daniel Farrands
Elenco: Donald Pleasence, Paul Rudd, Marianne Hagan, Mitchell Ryan, Kim Darby, Bardford English, Keith Bogart, Leo Geter
Duração: 87 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.