Crítica | Halloween – O Início (2007)

halloween2007

estrelas 2,5

Existem três versões para este Halloween de Rob Zombie. A primeira, no formato em que foi lançado nos cinemas estadunidenses em 2007, com 109 minutos de duração. A segunda, conhecida como “corte brasileiro”, exibida nos cinemas brazucas com 83 minutos. E a terceira, “unrated“, com 121 minutos. A presente crítica analisa esta última versão da história.

Meio refilmagem e meio prequel do clássico de 1978 dirigido por John Carpenter, o filme evidentemente foi alvo de críticas desfavoráveis à época de seu lançamento, muito embora as bilheterias tenham respondido bem ao longa, que se pagou facilmente e apresentou um lucro considerável (foram gastos 15 milhões de dólares na produção e o filme arrecadou 80,2 milhões nas bilheterias).

Quando o projeto foi aprovado, Rob Zombie fez questão de conversar com John Carpenter a respeito de seus planos, como sinal de respeito. Carpenter foi receptivo à ideia e disse que Zombie deveria fazer o seu filme. Ponto final. Assim nasceu a ideia de um roteiro que não apenas trouxesse cena-a-cena o que tivemos em Halloween – A Noite do Terror. Existe aqui um pouco de O Massacre da Serra Elétrica no tratamento dado a Laurie Strode e conceitos de terror marcados mais fortemente em filmes como Sexta-Feira 13 (1980) e A Hora do Pesadelo (1984), dos quais destacamos o efeito “susto + música”, a violência como destaque em detrimento do fator psicológico e a reafirmação de algo que para o espectador já tinha ficado claro.

Na realidade, o que estraga Halloween – O Início é o exagero final, especialmente os últimos 35 minutos desta versão “unrated” (embora os grandes problemas comecem um pouquinho antes). Todavia, se o espectador entende que a proposta do filme era apresentar características novas à obra e só depois reprisar eventos do original, fica fácil ver algo de bom no conceito de Rob Zombie. É como se olhássemos para a proposta geral de Psicose II (1983), Psicose III (1986) e Psicose IV – O Início (1990), todos revisando elementos do classicão de Hitchcock, mas deixando claro que o universo e a intenção em pauta era outra. É claro que existem semelhanças de conteúdo entre o Halloween de Zombie e o de Carpenter (a parte do remake), mas Zombie direcionou seu texto mais para as origens do que para o estágio “final” de Michael Myers. Curiosamente, enquanto trabalhava essa origem do protagonista, o diretor foi muito bem sucedido — mesmo com a carnificina do começo –, errando apenas quando resolveu reescrever o primeiro filme com exageros carregados de desculpa para “ampliar” o desespero de Laurie.

É lícito, portanto, dividirmos o filme em dois momentos. O primeiro, bastante elogiável, é a forma como o roteiro e o diretor exploram a infância de Michael Myers. Consideremos aí as exigências mercadológicas do terror nos anos 2000 para localizarmos o sentido do massacre que ocorre na noite do dia 31 de outubro e as outras sequências de ampla violência gráfica, como a fuga de Myers do sanatório, o pitstop no banheiro de posto, etc. As comparações com o original aí não cabem, pois estamos falando de um outro tipo de abordagem.

Neste primeiro momento temos um interessante trabalho de construção psicológica e vemos, de fato, a descida do personagem a um definitivo inferno mental. Através dos vídeos do Doutor Loomis (Malcolm McDowell, sempre marcante em cena), acompanhamos as sessões de terapia ainda com Myers criança e sua posterior estadia no sanatório, já como adulto. Os únicos grandes erros desta primeira parte do filme estão na montagem completamente desregulada e no uso pouco inteligente da trilha sonora (que ironicamente fica melhor quando o filme começa a piorar em termos e roteiro e direção).

A segunda parte da fita, praticamente os 50 minutos finais, é quem carrega todas as grandes pedras no sapato. Mesmo com o melhor uso da trilha sonora e um inteligente trabalho de fotografia em ambientes escuros (sim, estamos falando da noite de Halloween), tudo parece desandar. A montagem piora ainda mais — se é que isso é possível — e a direção de Rob Zombie parece acometida de uma neurose pela ação à toda prova. Tudo é demais: o corre-corre, os gritos, o morre-não-morre… é como se o diretor quisesse mostrar que aquele massacre acontecido no início do filme poderia “ser pior” com Myers adulto, mas esta abordagem só serve para tornar o aspecto da psicopatia algo barato e enjoativo. Se nos parecia interessante no início, porque o protagonista era criança, o evento se torna exagerado ao final, até porque há menos sugestão e mais demonstração do que o assassino faz.

De todo modo, Halloween – O Início tem seu valor. Parcialmente divertido, o longa traz God of Thunder do KISS e Only Women Bleed do Alice Cooper em cenas-chave, além de um montão de cenas de filmes clássicos espalhadas pelas televisões nos cenários. Vemos exibidos trechos de Zumbi, A Legião dos Mortos (1932), O Monstro do Ártico (1951), O Dia em que a Terra Parou (1951), Planeta Proibido (1956), A Casa dos Maus Espíritos (1959), Plano 9 do Espaço Sideral (1959), Psicose (1960) e A Noite dos Mortos-Vivos (1968), referências que animam o espectador que gosta de filmes do gênero e percebe a ligação que o diretor faz dessas cenas com a sua realidade no Dia das Bruxas. Tendo isso em mente, quem dera Halloween – O Início fosse apenas sobre o início da vida Michael Myers. A tirar pela primeira parte do filme, teríamos um produto final bem acima da média, algo que não acontece com esse prequel-remake de um dos terrores mais importantes do cinema.

Halloween – O Ínicio (Halloween) – EUA, 2007
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie (baseado no roteiro original de John Carpenter e Debra Hill).
Elenco: Malcolm McDowell, Brad Dourif, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Richard Lynch, Udo Kier, Clint Howard, Danny Trejo, Lew Temple, Tom Towles, Bill Moseley, Leslie Easterbrook
Duração: a presente crítica analisa a versão de 121 min, “unrated“.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.