Crítica | Halo – Insurreição

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estrelas 4

Se você não gosta muito de videogames ou viveu em um canto obscuro das ilhas malaio-polinésias desde 2001, certamente não ouviu falar de um jogo chamado Halo: Combat Evolved, ou simplesmente, Halo. De maneira rápida e muito en passantHalo é um jogo de tiro em primeira pessoa em que você se torna um supersoldado de nome Master Chief. Esse soldado destruidor veste uma super-armadura de nome Mjolnir Mark V, e essencialmente mata enxurradas de alienígenas enquanto desbrava naves tentando descobrir o que é a tal super-arma chamada Halo.

Ao final de Halo 2, o público ficou com alguns pontos de interrogação no que se referia a passagens específicas do jogo, principalmente quando Halo 3 foi lançado. É nesses espaços entre as duas fases do jogo que se encaixa a história de Halo – Insurreição, todavia, se você está com medinho de não entender nada porque não conhece ou não jogou Halo, não se preocupe. Esta revista independe de conhecimento prévio sobre sua fonte, todavia, cobrará bastante atenção durante a leitura.

Antes de falarmos desse Insurreição lançado pela Panini no início deste ano (2013), é importante lembrar que a editora já havia publicado, em 2008, um álbum de 128 páginas chamado Halo Graphic Novel (que degraphic novel não tinha nada), e que trazia as seguintes histórias: A última viagem da Infinite SuccorTestando armadurasEscapando da quarentena e O segundo amanhecer sobre Nova Mombasa, histórias de roteiros vergonhosos e artes sublimes (o último capítulo é desenhado por Moebius!), mas que num cômputo geral não valiam a pena. No caso de Halo – Insurreição, a coisa é bem diferente.

Brian Michael Bendis adota como linha principal de seu texto uma mentirinha do Coronel James Ackerson, e dela, parte para a exposição de uma trama que opõe humanos e alienígenas em uma guerra que já havia causado muitas mortes e destruições. O grande atrativo é mesmo esse lado humano no meio da guerra, o que dá maior destaque aos civis e mostra algumas gracinhas dos soldados da UNSC, bem como uma abordagem mais pessoal dos homens, ao menos nos quadros em que os protagonistas da história se encontram. Em contrapartida, as aparições do Master Chief Spartan-117 não parecem compor organicamente a história.

É óbvio que estamos falando de uma armadilha de roteiro. Era impossível fazer uma revista com o título Halo sem o Master Chief como personagem, mas a presença dele não é natural nessa história, uma vez que obra tem uma maior atenção para as relações humanas X aliens em meio a guerra (no quesito sociológico/antropológico mesmo) e menos nas explosões em torno das duas raças. A morte, os tiros, a correria, as explosões existem, mas Bendis não usa isso como centro de sua narrativa, antes, fixa essa situação como plano de fundo para situações-limite muito interessantes.

Alex Maleev tem um traço bastante peculiar, grosso e com acabamento bastante escuro e “sujo”, o que por um lado condiz com a aura geral da história – poeira, estilhaços, restos de coisas voando para todos os lados – mas por outro acaba interferindo negativamente na nossa percepção das imagens. A granulação e o acabamento mais forte, ressaltando os traços pretos, fecham praticamente todo o espaço de quadros pequenos e médios, o que não é uma coisa muito agradável de se ver na revista inteira. Mesmo considerando a proposta, a arte carregado foi um exagero estético a que Maleev se permitiu, mas que tem um motivo de existir e parece correto na maior parte da revista.

Ao olhar para o Halo- Insurreição e considerarmos narrativa e arte, temos um saldo bastante positivo. Ambas as partes são boas e funcionam a maior parte do tempo, guardando alguns poucos erros, que infelizmente são recorrentes, o que impede que a diversão seja plena da primeira à última página, todavia, é possível se entreter e descobrir como funcionou a ação dos alienígenas na Terra após a lorota bem contada logo de início. Falando assim parece brincadeira, mas não é. Halo – Insurreição é uma história interessante e com certeza vai conquista muitos leitores por aí, principalmente os que gostam, jogam ou já jogaram Halo.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.