Crítica | Happy Tree Friends – 1ª Temporada

estrelas 5,0

Não se enganem pela aparência “fofinha” e as cores vibrantes dos animais em desenho animado da imagem acima. Isto é Happy Tree Friends, possivelmente a obra mais sanguinolenta já feita para a televisão! Criado por Rhode Montijo, Kenn Navarro e Aubrey Ankrum para a Mondo Media, inicialmente exibido somente em seu próprio website, o desenho rapidamente conquistou uma legião de fãs, garantindo espaço para a animação em diversas emissoras com uma proposta original, repleta de ironia, que fazem dela um Tom & Jerry hardcore. A obra definitivamente merece seu espaço em nossa coluna, Sábado de Sangue, mas já alerto: violência excessiva é um eufemismo para o que acontece nos curtos episódios do desenho.

Cada um de seus episódios conta com três capítulos com a duração de sete minutos e trazem diferentes histórias estrelando uma equipe fixa de animais da floresta, que vão desde o alce imbecil, Lumpy, até o ursinho com dupla personalidade, Flippy. Esses episódios focam em um desses bichinhos especificamente e suas personalidades ditam o que podemos esperar da chacina que acontecerá. The Mole, por exemplo, a marmota cega, uma verdadeira calamidade pública, acabará matando cada uma das criaturas sem saber, enquanto a dupla de guaxinins Shifty e Nifty causará o maior caos enquanto tentam roubar algo. Dessa forma, assistimos esses seres morrerem de formas horríveis a cada capítulo.

Mas o verdadeiro atrativo de Happy Tree Friends não é a morte em si e sim como ela acontece. Os criadores definitivamente dedicam muito de sua criatividade para decidir como cada um deles encontrará seu fim e cada fatalidade conta com mais gore do que a outra. A ironia está presente não só na aparência inocente dessas criaturas, como também em suas vozes – eles não falam, mas soltam risadinhas e dialogam através de sons indistinguíveis que parecem ser tirados de desenhos para crianças muito novas. O choque vem, é claro, quando as tripas de um deles é exposta e jogada para todos os lados, ou quando tem seus olhos perfurados e por aí vai. Há uma dose de absurdo gigantesca na obra e isso é o que garante o humor negro da obra, que certamente fará qualquer um que não seja um paladino do politicamente correto soltar altas gargalhadas.

O simples trabalho de animação, realizado à base da justaposição dos personagens em cenários desenhados permite uma maior liberdade aos criadores, além de que já prenuncia o que acontecerá, como aquele prego solto em um local da estrada. Depois do primeiro capítulo, porém, o roteiro passa a brincar com nossas expectativas e insere milhões de objetos perigosos no caminho das criaturas, somente para sermos pegos de surpresa por algo totalmente inimaginável. O interessante é como um vínculo é criado com o espectador, que passa a entender cada um dos animais – começamos a formar uma raiva enorme de Lumpy pela sua burrice (e ele, ironicamente, sempre é colocado em uma posição de autoridade), enquanto que Flippy se torna uma dos favoritos através dos ataques homicidas de seu alter-ego forjado na guerra.

Um conselho que devo oferecer, porém, é o de não assistir tudo de uma vez – vejam a temporada com calma, para evitar a repetitividade. A animação não foi feita para o binge-watching e certamente perderá muito de seu brilho caso o espectador opte por essa maneira de assistir. Alguns capítulos oferecem mais do que o básico que a série promete, mas a maioria cai na mesmice, com tramas mais simples, que podem até cansar o espectador. A melhor forma de aproveitar o desenho, portanto, é vê-lo casualmente, pegando um episódio aqui e outro ali, como um entretenimento descompromissado.

Dito isso, chegamos ao ponto que perfeitamente resume a experiência que é Happy Tree Friends: algo para se assistir naqueles momentos de fúria, quando algo dá muito errado no seu dia, após um péssimo dia de trabalho ou no raiar de uma segunda-feira. Repleto de sangue, órgãos expostos, seres felizes sendo dizimados, temos aqui uma comédia de humor negro irresistível, que deve ser aproveitada na dose certa e nunca de uma vez só. Para muitos pode soar como doença pura, mas, para aqueles que enxergam como um puro entretenimento sanguinolento, é um prato cheio de gore e altas risadas.

Happy Tree Friends – 1ª Temporada — EUA/ Canadá, 1999
Direção:
 Rhode Montijo, Kenn Navarro, Aubrey Ankrum
Roteiro: Rhode Montijo, Kenn Navarro, Aubrey Ankrum
Vozes: David Winn, Ellen Connell, Warren Graff, Kenn Navarro, Aubrey Ankrum, Nica Lorber, Liz Stewart
Duração: 13 episódios de aprox. 21 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.