Crítica | Heróis em Crise #2: Então Eu Me Tornei o Superman

Segunda edição (de nove) da minissérie Heróis em CriseEntão Eu Me Tornei o Superman está bastante abaixo do que se poderia esperar da continuação de Eu Estou Apenas Aquecendo, a intensa abertura da saga. Os mesmos elementos de suspeita permanecem aqui, mas o roteiro de Tom King praticamente não avança na jornada de investigação. A solidez dessa edição está na forma como a confiança ou paciência, até mesmo entre a Trindade, pode ficar abalada em tempos de crimes como os que aconteceu no volume anterior. Um grande fator humano é colocado nas páginas e, acreditem ou não, o autor consegue nos posicionar lado a lado desses heróis, o que pode parecer impossível em se tratando dos “deuses” que forma as colunas centrais da DC Comics.

A já anunciada diferença entre Heróis em Crise e outras histórias de “Crises” da DC é justamente a preocupação de colocar esses poderosos em um patamar humano, trágico, fazendo com que a discussão sobre o Transtorno de Estresse Pós-traumático seja levada em consideração por cada um deles. E se num primeiro momento vimos heróis e até não-heróis fazerem as suas confissões, entrarem no Santuário para iniciar um processo de terapia, agora é a vez de Superman, Mulher-Maravilha e Batman mostrarem o seu lado crítico. Um lado que mesmo nos momentos mais humanizados de outros arcos, one-shots e histórias a gente não viu, e o motivo é claro: aqui, há o espaço necessário para o tipo mais íntimo de confissão. Para que verdades antes não ditas, ou ditas apenas pela metade, entrem em uma discussão de cura emocional.

No entanto, a investigação sobre o massacre visto na revista anterior é que deveria ser o foco central, o que não acontece. Clay Mann se junta a Travis Moore na arte e finalização desse capítulo, ambos com um trabalho bom em ambientes menores, mas com grandes quadros não tão inspirados assim. Como o roteiro dá uma imensa diminuída no ritmo, sobra para os artistas algumas composições cômicas e outras visualmente simbólicas para a presença da Arlequina e do Gladiador Dourado em cena, ambos, suspeitos de terem assassinado as pessoas que estavam no Santuário. E o tratamento é o mais mundano possível por parte do texto. Nós rimos com uma gracinha ou outra, suspendemos o fôlego em uma cena, mas nada tão digno de nota acontece na edição inteira.

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Toninho Rei, aquele roteirista que não tem medo de apelar.

A grande questão é: em que nível devemos nos preocupar? É evidente que para uma minissérie de nove edições, em algum momento, o ritmo precisa diminuir. Algumas questões de ordem pessoal precisam ser tratadas, é verdade, mas nesse ponto a gente considera a necessidade, por exemplo, de aparecerem os três medalhões numa única edição fazendo as suas confissões pessoais no Santuário. Como não há uma imediata ligação entre esses “diálogos” e o plot, fico sem entender a pressa e o por quê da inclusão dos três aqui, especialmente quando a investigação do Batman parecia ser algo muito mais instigante, uma parte da qual temos apenas migalhas.

A pista que temos diante do corpo do Comandante Gládio e de uma determinada fala da Arlequina nos coloca em plena atenção. Pelo ritmo que as coisas estão tomando em Doomsday Clock é possível que haja a mão de um palhaço nessa trama, mas seria clichê demais pensar em um plano simplório de “grande loucura” do icônico vilão. Claro que não vimos algo dessa magnitude, com tantos heróis mortos, mas convenhamos, não é uma novidade em se tratando do Coringa. Conhecendo bem Tom King, o fator humano com certeza irá continuar marcando a saga, mas ele vai criar uma reviravolta diante do que parece simples demais. Meu único desejo é que na próxima edição ele acelere mais as coisas, porque ler essa segunda revista, por mais interessante que tenham sido alguns momentos, foi como ver uma explicação confusa de um mistério em câmera lenta. Nada muito animador…

Heroes in Crisis #2: Then I Became Superman (EUA, 31 de outubro de 2018)
Roteiro: Tom King
Arte: Clay Mann, Travis Moore
Cores: Tomeu Morey, Arif Prianto
Letras: Clayton Cowles
Capa: Clay Mann, Tomeu Morey
Editoria: Jamie S. Rich, Brittany Holzherr
27 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.