Crítica | High School Musical 3: Ano da Formatura

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High School Musical 3 começa com a promessa de entregar algo maior e melhor do que vimos anteriormente. A própria letra de Now or Never nos alerta que “essa é a última vez, então [tem que fazer] valer a pena”, além disso, assim que surge a primeira imagem fica nítido que algo está diferente no visual. Depois do sucesso de dois longas direto para TV e DVDs, os Wildcats (“keep your head in the game”) chegaram ao cinema. Kenny Ortega continua na direção, mas dessa vez ele tem a vantagem de um orçamento de cinema, então a promessa de um filme maior já é cumprida logo de início. Se é melhor, já é outra conversa.

E não, não estou dizendo com isso que o desfecho da maior saga musical adolescente do cinema é uma decepção, ou qualquer coisa próxima disso, mas depois de tantos acertos com o segundo filme da série, High School Musical ainda tem seus problemas. O maior deles é a introdução de alguns personagens novos, todos sem carisma algum. Com o elenco cada vez mais famoso, era questão de tempo até que a franquia tivesse que se despedir deles. Até aí tudo bem, mas algum “gênio” teve a ideia de trazer versões mais novas e insuportáveis dos personagens principais no que parece uma tentativa de “passar a tocha” e abrir a porta para possíveis novas sequências da franquia. No meio dessas figuras descartáveis encontramos duas detestáveis (deu pra notar que eu odiei esses novos personagens?), uma delas é Jimmi, um integrante do time que quer ser chamado de Rocket, mas ele não merece isso porque eu tive que pesquisar só pra lembrar seu nome, então seus direitos de mudança de nome foram revogados.

Ao lado dele, temos o maior desastre de toda a história de High School Musical, a assistente de Sharpay Evans, Tiara Gold (Deus, até o nome dela me cansa). Tiara tem um falso sotaque britânico, o que já é irritante, mas seu maior crime é tentar pisar no calo de sua chefe, e se estabelecemos algo na crítica do segundo filme é que o que brilha mais forte nestes filmes é Sharpay. Felizmente, ninguém consegue roubar as cenas de Ashley Tisdale, e quando as duas personagens entram em palco juntas, vale a pena ver o quão insignificante é a presença de Tiara alí. Moral da história: não tente passar a perna nos Evans, muitas vezes eles mesmo ficam uns contra os outros (Ryan, sua irmã não esqueceu o que você fez com ela no último filme).

Mas está tudo bem. Pronto. Me livrei de toda a raiva. Vamos para a parte boa. E tem muita coisa boa, felizmente mais positivos que negativos. Com o aumento no orçamento e a chance de levar o filme para as telas de cinema, não foi só a produção que ficou visivelmente melhor, com iluminação e cores mais quentes (não tão vibrantes quanto antes, mas não podemos ter tudo), mas a coreografia e os cenários são bem melhores do que o que vimos anteriormente. Admito que faltou um pouco da comédia física ridícula, porém charmosa, do filme anterior, mas compensa com ideias criativas e números musicais memoráveis. Ao invés de Troy dançando e lamentando enquanto lida com seu dilema em um campo de golfe, temos Troy dançando e lamentando enquanto lida com seu dilema nos corredores da escola, só que dessa vez o tom é mais sério e mais elementos são inseridos em cena, como bolas caindo de… algum lugar, trovões e um corredor giratório que eu torço para ter sido a inspiração de Christopher Nolan para uma cena similar em A Origem (e eu não quero gente irritada com a comparação ou desmerecendo alguma delas. Mas já desmerecendo, a de HSM é toda executada ao som da dramática e exorbitante Scream, e até onde sei, Leonardo DiCaprio pode ter um Oscar, mas não tem a voz de Zac Efron).

A coreografia está bem mais dinâmica e os movimentos do elenco são mais naturais e bem executados. Em A Night to Remember, os meninos e meninas se preparam para o baile de formatura e a dança é talvez a melhor que já passou pela série.

Como os outros dois filmes, algumas coisas já podem ser esperadas. Troy vai cantar suas mágoas, Gabriella vai tentar fugir ou “seguir seu próprio caminho”, os dois terão um tipo de dueto, e Sharpay vai ter seu momento de glória. Aqui temos, respectivamente, a ótima Scream, a decente Walk Away, a romântica Can I Have This Dance e a extravagante I Want it All. Essa última, claro, é a minha favorita, com uma coreografia simples, mas a música é muito boa, sem contar hilária. O mais impressionante é a constante mudança de cenários, mas sem sair do mesmo lugar. Sharpay e Ryan cantam na cantina, mas várias peças passam pelo ambiente, criando situações onde a dupla tem que lidar com a possibilidade de um futuro fabuloso (eu posso fazer essa piada, não sabe o que eu sofri com a Tiara Gold).

O dueto de Troy e Gabriella é mais meloso e genérico nesse terceiro filme, mas mostra um lado dramático pouco explorado antes, de abandonar tudo, e como é difícil para alguém tão jovem fazer escolhas tão importantes para o seu futuro. Há um diálogo entre Troy e seu pai que confirma certa maturidade à franquia, mas isso ainda fica na superfície, então ninguém acaba se importando muito, infelizmente.

High School Musical ficou maior e, em alguns aspectos, também ficou melhor. Com um apelo visual de qualidade, coreografia e músicas mais que competentes, admito que a série me cativou e me encontro cantando em várias situações. Eu não fiz parte da geração que cresceu com os Wildcats, as roupas de Ryan, a falta de sal de Gabriella ou fiquei cego com o brilho de Sharpay, mas entendo completamente a febre e acredito que, de tantas por aí, essa é justificável. Não vou mentir, até eu me senti nostálgico quando o filme acabou, as cortinas desceram, o elenco agradeceu o público e a música começou a tocar. Até mais, High School Musical.

High School Musical 3: Ano da Formatura (High School Musical 3: Senior Year) — EUA, 2008
Direção: Kenny Ortega
Roteiro: Peter Barsocchini
Elenco: Zac Efron, Vanessa Hudgens, Ashley Tisdale, Lucas Grabeel, Corbin Bleu, Monique Coleman, Bart Johnson, Alyson Reed, Chris Warren
Duração: 112 min.

ROBERTO HONORATO . . . Criado pela TV, minha família era o programa dos Muppets e minha segunda casa era a locadora (era fácil de chegar, só precisava atravessar a rua). Não me incomodava rebobinar todas as fitas, e nem podia, já que assistia o mesmo filme várias vezes. E quando não é cinema, o cheiro de quadrinhos me chama de longe e preciso gastar dinheiro que não tenho. E nunca esqueça: #sixseasonsandamovie