Crítica | Histórias de Origem: Átomo e Eléktron (1940 e 1961)

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A presente crítica analisa dois personagens da DC Comics que usam em seu nome o mesmo princípio: o átomo. Eles possuem habilidades e poderes diferentes e também surgiram em diferentes épocas dos quadrinhos (Era de Ouro e Era de Prata). Com vocês, Átomo (Al Pratt) e Eléktron (Ray Palmer)!
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Apresentando o Poderoso Átomo

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Átomo em seus diferentes uniformes.

Surgido na Era de Ouro, na revista All-American Comics Vol.1, o Átomo (Albert “Al” Pratt) tinha esse nome porque era um homem pequeno. Parece engraçado (e até bonitinho, para quem gosta de romantizar alguns apelidos), mas se levarmos em consideração que estamos falando de um jovem em idade universitária que é constantemente zombado pelos colegas porque é baixinho, a coisa muda um pouco de figura.

O personagem, que também é chamado de Átomo da Era de Ouro, Átomo da Terra 2 ou Átomo da Terra Paralela, foi criado por Bill O’Connor e Ben Flinton (com arte final de Leonard Sansone) e teve sua vida transformada após ser dispensado pela namorada Mary James, que é assaltada e o baixinho e fracote do namorado “não faz nada”. Desiludido, Pratt ajuda um pedinte na rua, com quem puxa conversa e se oferece para pagar um almoço para o homem, descobrindo que ele é Joe Morgan, um boxeador profissional que na cronologia da DC já tinha até treinado o Pantera (Wildcat / Ted Grant), mas que neste momento de sua vida não tinha nem lugar para morar. Pratt oferece temporariamente uma casa da família, no campo, e ambos passam a viver ali, treinando por um ano.

O que antes era apenas um apelido maldoso, depois do treino, se tornou motivo de orgulho para Pratt, que adotou o nome heroico de “Átomo”, não negando o fato de ser baixinho, mas ao mesmo tempo ressaltando as qualidades e força que um átomo pode ter. Ambas as histórias de introdução básica do personagem (All-American Comics #19, Introducing the Mighty Atom e 20, Action at the College Ball) são simpáticas e têm o melhor da Era de Ouro. Os eventos são bobos, mas engajam o leitor. Quanto à arte, não há nada muito aprimorado para se destacar, a não ser que queiramos rir um pouco do primeiro uniforme do Átomo. Sério. Tem como ser mais ridiculamente engraçado?

E sobre esse uniforme, ainda é importante dizer que ele já aparece na AAC #20, sem nenhuma explicação de como foi concebido. Ele apenas serve de introdução, logo no primeiro quadro, e no andamento da história, quando Pratt está em um baile da faculdade e o lugar é assaltado, ele sai pela janela, veste o uniforme e combate os bandidos. A única coisa que ele parece não ter aprendido é ter amor próprio o bastante para deixar Mary de lado, porque em duas edições ela foi tão vil com o rapaz que deu até um pouco de dó. E vejam que estamos falando de um dos futuros membros da Sociedade da Justiça e do Comando Invencível!

All-American Comics Vol.1 #19 e 20 (EUA, 1940)
Editora:
DC Comics
Roteiro: Bill O’Connor
Arte: Ben Flinton
Arte-final: Leonard Sansone
Capa: Sheldon Moldoff
6 páginas

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O Nascimento de Eléktron

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Bela capa de Gil Kane e Murphy Anderson para a 1ª aparição do Eléktron.

Como parte das reformulações de personagens feitas pela DC Comics no início da Era de Prata, o editor Julius Schwartz encomendou uma revisão do Átomo da Era de Ouro, proposta que acabou sendo levada a cabo por Gardner Fox e Gil Kane (com Murphy Anderson na arte-final). O princípio de “ser pequeno” foi mantido nessa revisão de personagem, mas considerando um aspecto científico, não o tamanho real do herói. Na Showcase Vol. #34Birth of the Atom!, publicada em 1961, temos então a apresentação de Ray Palmer, um físico e inventor que já há muito tempo está testando uma de suas grandes criações, capaz de diminuir objetos através de lentes especiais.

Como é típico dos roteiros de Gardner Fox, há uma grande preocupação em fazer com que as indicações científicas façam algum tipo de sentido e o autor sempre prioriza o caminho das informações verdadeiras, sendo didático (e um pouco chato, convenhamos) em alguns pontos. Quando não consegue uma explicação científica para algo, Fox dá voltas e voltas para achar possibilidades, brechas onde pode encaixar suas criações. Pois bem, a aventura inicial do Eléktron (importante ressaltar que este é o nome do personagem no Brasil. Nos Estados Unidos ele é Atom, assim como Al Pratt) se enquadra nessa segunda opção, procurando possibilidades. A exploração nas cavernas e a forma como ele conseguiu encontrar um modo para usar as novas lentes, feitas com partes de uma Anã Branca, chega a ser engraçado de tão… exótico.

Mas a revista possui dois contos. O segundo, chamado Battle of the Tiny Titans!, parece ser o mais importante. É dele que Kane e Anderson tiraram a cena para a capa e é também neste conto que temos a criação do uniforme do Eléktron, com uma explicação razoável sobre seu surgimento na história. O roteiro não fala sobre confecção nem nada do tipo, mas pelo menos existe uma colocação cuidadosa para o desaparecimento da roupa e o surgimento do uniforme do herói. O mesmo não acontece com o cinto (bio-belt), que também estreia nesta edição e já indica que Ray havia dominado a diminuição de objetos, chegando a fazer um de seus truques mais legais, que é diminuir-se a tal ponto que consegue viajar pela linha telefônica. A batalha contra Kulan Dar é boa, mas toda a história é cortada pelas aspirações independentes de Jean Loring, que simplesmente não combina com o lado científico e de descobertas físicas que formam o cerne da revista. Ainda assim, trata-se de uma boa edição de origem de personagem, um que se tornaria muito importante na DC, especialmente depois de entrar para a Liga da Justiça da América.

Showcase Vol.1 #34 (EUA, 1961)
Editora:
DC Comics
Roteiro: Gardner Fox
Arte: Gil Kane
Arte-final: Murphy Anderson
Capas: Gil Kane, Murphy Anderson
Editoria: Julius Schwartz
24 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.