Crítica | Hit-Girl – Prelúdio Para Kick-Ass 2

estrelas 3,5

A minissérie Hit-Girl, de Mark Millar e John Romita, Jr., foi publicada posteriormente a Kick-Ass – Volume 2, mas é um prelúdio desta, ou seja, serve como uma ponte entre o primeiro e segundo arcos da narrativa principal. E, claro, como o título não deixa dúvidas, o destaque é todo em cima de Mindy McCready, codinome Hit-Girl, a menina de 12 anos que é uma assassina profissional das mais eficientes e brutais e que ganhou mais renome perante os fãs do que o próprio Kick-Ass.

Em termos de narrativa, Hit-Girl não acrescenta absolutamente nada à mitologia da série. Ao contrário, na verdade. Tudo o que vemos em detalhes nessa série já havia sido comentado, de uma forma ou de outra em Kick-Ass – Volume 2, o que retira todo o aspecto de novidade. No entanto, apesar de ser uma série que só serve para “encher linguiça”, a dupla Millar-Romita surpreendentemente volta às raízes que formaram o primeiro arco de Kick-Ass, encaixando os atos de violência de maneira fluida ao texto e aos quadros, sem apelar para a destruição total e cega que infelizmente é o mote do Volume 2. É uma boa volta às origens que, ao mesmo tempo, é gostosa de ler e que finalmente foca na personagem que provavelmente todo mundo mais gosta mesmo.

Mindy vive, agora, com sua mãe e com o incorruptível policial Marcus Wallace, mas, toda a oportunidade que tem, ela foge ou para treinar Kick-Ass, que se tornou seu ajudante (ou sidekick, no original) em uma engraçada inversão de papéis, ou para lutar contra o crime. Em sua lista, batizada de shit list (um trocadilho com hit list, ou “lista de assassinatos”), ela já tem mapeado todos os maiores criminosos de Nova York e sai liquidando um a um em seu estilo, digamos, bem delicado. A ação ganha mais relevo ainda quando Millar semi-aposenta Kick-Ass logo no começo da história, em razão de dedos quebrados. Com isso, o foco é integral na semi-adolescente mais desbocada, violenta e eficiente do mundo.

Como inimigos, temos dois principais: Ralphie Genovese, irmão de John Genovese, morto no primeiro arco, que comanda o crime da cidade a partir da prisão e Chris Genovese, o Red Mist do primeiro arco (que viria a se transformar em Motherfucker no segundo) ainda engatinhando na profissão de super-vilão. Quando Hit-Girl começa a acabar com os lucrativos negócios de Ralphie, o vilão sai em caçada a Marcus Williams, que ele acha que é o responsável sem saber da menina.

Na vida civil, porém, Mindy também tem sérios problemas. Ela não consegue ajustar-se na escola, já que não usa roupas da moda, só anda com Dave Lizewski (a identidade secreta de Kick-Ass) e não sabe de nada que meninas da idade dela gostam. Ou seja, ela é um pária e precisa de Dave para lhe ensinar como viver em sociedade e, especialmente, como enfrentar Debbie Foreman, a menina mais popular da escola que faz bullying em cima de Mindy. A resolução dessa parte da narrativa, no estilo Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, é muito engraçada.

Aliás, assim como no primeiro arco, Millar volta às referências pop e de quadrinhos a cada balão de falas. Vemos comentários sobre a batcaverna, Lanterna Verde e até aos Novos 52 da DC (e olha que a Icon, o selo que publica a série Kick-Ass é da Marvel Comics!). Esse aspecto havia se perdido no Volume 2, mas volta com energia total em Hit-Girl e quem não é muito antenado ao mundo dos quadrinhos em geral perderá muita coisa.

Apesar de voltar à forma narrativa, Hit-Girl é, como dito, absolutamente descartável exatamente por não trazer nada novo ou essencial para a saga de Kick-Ass. Parece um número criado – e foi, na verdade – para dar material de apoio à continuação cinematográfica de Kick-Ass. A minissérie funciona como uma leitura descompromissada e, de certa forma, é um alívio ver tanto Millar quanto Romitinha diminuindo a sanguinolência desvairada e focando nos personagens. Mas Hit-Girl nunca passa disso.

*Publicado originalmente em 17 de outubro de 2013.

Hit-Girl – Prelúdio Para Kick-Ass 2 (Hit-Girl, EUA – 2012/13)
Contendo:
Hit-Girl # 1 a 5
Roteiro: Mark Millar
Arte: John Romita, Jr.
Cores: Dean White
Editora original: Marvel Comics (selo Icon)
Data original de lançamento: agosto de 2012 a abril de 2013
Editora no Brasil: Panini Comics
Lançamento no Brasil: julho de 2013
Páginas: 132 (encadernado da Panini)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.