Crítica | Hitman: Agente 47 (2015)

estrelas 2,5

Em novembro de 2000 a IO Interactive lançou o jogo Hitman: Codename 47, dando início a uma franquia bastante popular que em 2007 teve a sua primeira adaptação para o cinema, mal recebia pelo público e pela crítica em geral. Não contente com o primeiro resultado, a FOX apostou em mais uma versão de Hitman, uma proposta desnecessária desde a sua origem mas que, apesar de tudo, garante um baita entretenimento para aqueles que entenderem a diferença entre as máximas “o espectador como guia“, que cobre as adaptações de games para o cinema e “o espectador guiado“, que cobre o restante dos blockbusters hollywoodianos.

Entender essa diferença de linguagem é a condição sem a qual não dá para apreciar filmes como Hitman, Resident EvilSilent Hill, Tomb Raider ou Max Payne de forma… digamos… justa. A troca de foco de observação/ação que marca os roteiros desses longas ainda é vista como uma espécie de desvirtuamento por parte de espectadores que se esquecem da necessidade de se criar uma representação com identidade própria quando uma adaptação é feita.

Dito isto, Hitman: Agente 47 (2015) não é essa infâmia toda que andam dizendo por aí. É um filme regular, que tropeça em elementos básicos de construção narrativa, com altas doses de ação e violência, imergindo o espectador em uma busca não muito bem explicada na confusa introdução do filme; uma busca que se revela uma mentira bem contada e relativamente bem guiada pelo estreante diretor Aleksander Bach.

A primeira pergunta que nos vem à mente quando olhamos para os créditos e vemos o nome Skip Woods é: por que voltaram a empregar esse roteirista, mesmo que seja como co-autor (aqui, acompanhado de Michael Finch), se ele já teve a oportunidade de mostrar algo positivo no filme de 2007, mas não o fez? Isso não faz muito sentido artístico e nem comercial, mas é o que temos. E o resultado é a repetição de erros básicos como exageros melodramáticos que são incoerentes com o restante da obra; e resolução que alterna lentidão e abruptas decisões, beirando ou mergulhando em Deus ex machinas; perda de foco narrativo porque o ponto verdadeiramente atrativo da fita se revela bem antes do que deveria e o que vem depois só funciona por sua dinâmica interna, mas não por resultar de uma construção coesa.

Contudo, à parte esses incômodos, o espectador tem a felicidade de ver fora de cena a transformação dos personagens em charmosos amigos, amantes ou parentes que fazem de tudo para defender um ao outro. E alguém nesse momento poderia dizer: “mas isso é o que ele diz no filme!“. Pois é. Você caiu em uma armadilha.

A ideia central aqui é mostrar que o Agente 47 (Rupert Friend em atuação dentro do que o personagem necessita, dando-lhe uma estranha simpatia), apesar de sua ligação com Katia (Hannah Ware, em atuação pouco convincente), tem uma missão específica para cumprir e vai levá-la até o final. Os meios que ele usa para isso podem ir de alguma aparência de companheirismo ou ilusão de empatia até a execução daquilo que ele foi feito para fazer: matar. Não existe moralidade, obediência a algum padrão ético (a própria manipulação criminosa da engenharia genética que deu origem aos Agentes impede esse tipo de abordagem) que fale mais alto ou seja destacado ao longo do filme sobrepondo-se ao objetivo do Agente 47. Ao menos nesse ponto, o roteiro faz uma abordagem muito interessante.

Mas pesa sobre os personagens momentos ou destinos que nos deixam pouco felizes durante a projeção. Vejam, por exemplo, como o vilão John Smith, vivido por Zachary Quinto é colocado na história e retirado dela. O impacto desse mesmo modelo nos coadjuvantes de menor peso não tem tanta importância, mas para alguém com um destaque como o enviado do Sindicato Internacional e que se alonga bastante na história, a questão incomoda.

As cenas de ação de Hitman: Agente 47 são boas, bem coreografadas, executadas e filmadas. Muitos ficaram descontentes com o que chamam de “excesso de câmera lenta”, mas não vi incômodo algum nisso, porque não é excessivo quando faz parte da concepção da obra. De todo modo, a constante veia de violência sem escrúpulos, as perseguições e enfrentamentos entre os grupos são o melhor do filme e o que fazem valer o ingresso. Em termos de material bruto, seria muito estúpido reclamar de Hitman: Agente 47, porque ele entrega exatamente aquilo que promete entregar. É evidente que no meio desse material esperado há espaços preenchidos por coisas que não deveriam estar ali ou feitas de uma forma insatisfatória, mas ao final, a visão dessas coisas com o que o longa tem de bom nos faz sair da sala satisfeitos em pelo menos um aspecto. Hitman: Agente 47 é um entretenimento bonzinho. Mas ordinário.

Hitman: Agente 47 (Hitman: Agent 47) — Alemanha, EUA
Direção: Aleksander Bach
Roteiro: Skip Woods, Michael Finch
Elenco: Rupert Friend, Ciarán Hinds, Thomas Kretschmann, Zachary Quinto, Hannah Ware, Angelababy, Dan Bakkedahl, Charlene Beck, Michael Bornhütter, Melissa Broughton, Nils Brunkhorst
Duração: 96 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.