Crítica | Hitman – Assassino 47 (2007)

estrelas 1,5

Em 2007, a Fox lançou a primeira adaptação do popular videogame da Eidos: Hitman. Eu mesmo não sou um gamer dos mais devotos, por isso foi sem qualquer referência sobre o personagem que conferi o filme de Xavier Gens e, encontrando uma obra completamente lastimável, cheguei à conclusão de que seu problema talvez não fosse fidelidade ao material original, mas simplesmente Cinema ruim.

A trama nos apresenta ao misterioso Agente 47 (Timothy Olyphant), treinado desde criança por uma nebulosa organização de assassinos. Durante um serviço para eliminar um influente político russo, 47 é traído por seu próprio empregador, colocando-o na mira do governo de diversos países. Enquanto procura vingança, ele também é forçado a escapar das autoridades.

Não é segredo que Hollywood tem se mostrado particularmente problemática em adaptações de games, e particularmente ainda acredito em uma revolução similar à que atingiu os quadrinhos de super-heróis. Um filme que surja e de fato respeite o material original e, mais do que isso, funcione cinematograficamente. Não foi o caso do Assassino 47, que ganha um tratamento digno do trabalho do roteirista Skip Woods (em cujo currículo encontramos pérolas como X-Men Origens: Wolverine e Duro de Matar: Um Bom Dia para Morrer), em uma narrativa sem sentido e que infelizmente se leva a sério demais. A decisão de fazer todo o filme um longo flashback para uma conversa entre 47 e o inspetor Mike Whittier (Dougray Scott) até se manifesta de forma elegante, mas também elimina qualquer tipo de surpresa ou expectativa quanto ao destino de ambos os personagens – já que sabemos que estarão bem e saudáveis ao final da trama principal.

Até na ação o diretor  Xavier Gens revela-se amador. Os tiroteios são mal orquestrados, sem imaginação e carentes da dinâmica que qualquer bom shooter pode proporcionar, ainda que se esforcem em chocar com sangue em excesso e cabeças explodindo. Pior ainda, Gens aposta constantemente em efeito de frame rate baixo, acelerando a imagem além dos padronizados 24 quadros por segundo, como se isso oferecesse uma tensão maior; quando na verdade simplesmente estraga qualquer tentativa de dinamismo. Admito que o único momento interessante é quando 47 é cercado por outros agentes da Organização em um vagão de trem, rendendo planos simétricos e um mínimo de empolgação… Até a briga entre eles de fato começar. Quase me enganou, Gens.

Quanto ao elenco, não há muito o que apontar. Olyphant até tenta, mas não consegue fazer de seu assassino um sujeito carismático, ou mesmo minimamente interessante. Temos apenas vislumbre de seu treinamento com a Organização, e um mero indício de uma relação um pouco mais afetiva com uma das comunicadoras da empresa, mas nada forte. Olga Kurylenko é a grande atração por servir como mero objeto sexual, em uma relação superficial e inconclusiva com o protagonista.

Hitman – Assassino 47 não foi um bom começo (mero eufemismo) para este personagem tão icônico dos videogames. Roteiro e direção amadores revelam-se um inimigo que nem o protagonista é capaz de eliminar.

Hitman – Assassino 47 (Hitman – EUA/França, 2007)
Direção: Xavier Gens
Roteiro: Skip Woods
Elenco: Timothy Olyphant, Olga Kurylenko, Dougray Scott, Henry Ian Cusick, Michael Offei, Robert Knepper, Ulrich Thomsen
Duração: 100 min.

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.