Crítica | Hoje Não Haverá Saída Livre

estrelas 2O primeiro filme universitário de Andrei Tarkóvski foi Os Assassinos, um curta-metragem que dirigiu com outros dois colegas de curso, para a VGIK, a famosa e pioneira Universidade de Cinema. A pequena obra dava uma visão muito interessante do conto homônimo de Ernest Hemingway, e é tida pela maior parte dos fãs e espectadores como um início interessante do diretor, sendo até possível identificar elementos que se fariam presentes em seus longas metragens futuros.

Todavia, o seu segundo filme, Hoje Não Haverá Saída Livre, apaga completamente os toques autorais, e a despeito de ser, em sua maior parte, bem dirigido, traz mais pecados técnicos e narrativos do que o primeiro curta, isso sem contar o contexto ideológico que abraça e praticamente sufoca o roteiro, aproximando-o de uma propaganda política sem graça.

Tarkóvski divide a direção com Aleksandr Gordon, o mesmo colega com que trabalhara nas mesmas condições em Os Assassinos. Por algum motivo, a dupla guiou a história para uma trilha bastante centrada nas instituições estatais, o Exército e a Prefeitura, ao mesmo tempo em que não deram espaço suficiente para outros campos se desenvolverem. O problema é que no meio dessa abordagem praticamente institucional, temos o disparate de uma operação num hospital da cidade evacuada, um acontecimento destoante de todo o resto, e que só poderia ser considerado orgânico se outros eventos fora das instituições acontecessem, o que não é o caso.

O roteiro do filme, que além dos dois diretores é assinado por I. Makhov, baseia-se em um acontecimento real, e por si só, angustiante: enquanto escavava um ponto da cidade numa área de construção civil, um trabalhador encontrou grande quantidade de mísseis enterrados, datados da Segunda Guerra Mundial. A cidade precisou ser evacuada enquanto uma unidade do Exército recebeu a incumbência de fazer o arriscado procedimento de desenterrar todos o material e transportá-lo para uma área onde a detonação poderia ser feita sem nenhum risco.

A trama me lembrou bastante o perigo dos motoristas em O Salário do Medo (1953), um filme tenso de Clouzot, que acompanha a vida de trabalhadores miseráveis que precisam transportar nitroglicerina por quilômetros, correndo todos os riscos de explosão do veículo. Igualmente tensa, a primeira parte de Hoje Não Haverá Saída Livre mostra a descoberta dos mísseis, a necessidade de evacuação da cidade e a possibilidade de ter que detonar tudo, caso fosse encontrado um cabo conectado, ou se o deslocamento do material fosse impossível. Num primeiro momento, acreditei que o roteiro iria seguir por esse caminho, mas qual foi a minha desagradável surpresa ao ver que tudo se misturava no decorrer da projeção.

Por um lado, o média-metragem consegue prender a atenção do espectador e possui alguns planos muito inspirados e bonitos de ser ver. Mas a estrutura narrativa do filme não funciona por completo, e mesmo as pinceladas críticas se perdem, em alguns casos, assumindo o posto de propaganda, um desvio ideológico advindo do mal trabalho com o roteiro.

Não há dúvidas de que este é o projeto mais fraco no qual Tarkóvski já se envolvera. Como consolo, tem-se toda a obra vindoura do diretor, onde é quase impossível definir qual é o melhor filme. Independente disso, Hoje Não Haverá Saída Livre é praticamente um registro histórico, logo, é um daqueles filmes nada geniais de diretores que adoramos, mas que sempre contará na ingrata lista dos filmes que você deve assistir.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.