Crítica | Holiday (2018)

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A grande questão que fica sobre este longa de Isabella Eklöf é: onde ela pretendia chegar? Qual é o foco aqui? No contexto geral da obra, podemos dizer que Holiday (2018) é a história de Sacha (Victoria Carmen Sonne) e do meio perigoso onde ela se meteu. Seu namorado Michael (Lai Yde) é um traficante dinamarquês e, como era de se esperar, seus amigos também estão envolvidos em atividades criminosas. Mas o roteiro de Eklöf e Johanne Algren não está interessado em criar um filme de gângster. O título do filme é a única coisa que o texto de fato leva a sério.

Após o que parece ter sido um grande roubo, o grupo de criminosos vai passar luxuosas férias no litoral da Turquia. E é durante essas férias que o misterioso drama da obra acontece. O quê, de fato, acontece, fica difícil mapear. Nós entendemos que existem caminhos de adequação e (possíveis?) tentativas de mudança por parte de Sacha, especialmente depois que ela encontra um holandês que também passava férias na região, porque ele acaba representando a figura da liberdade para ela, um tipo de amizade fora do ciclo em que está inserida e que a trata de maneira diferente, em parte libidinosa e em parte com respeito. Esse tipo de tratamento, junto a Michael e seus amigos, é apenas uma cortina que mal encobre a latente violência contra a mulher.

Se tem uma coisa que a direção faz muito bem é criar tensão. As performances não são ruins e a fotografia entrega exatamente aquilo que se espera de um ambiente de férias. Muita luz, belo contraste entre cores e uma paleta que condiz com o lugar, mas também com o tom ameaçador que essas estranhas férias trazem para os personagens. Entretanto, é a assinatura de Isabella Eklöf na criação de uma atmosfera de constante medo que impede o longa de ser ainda pior do que é. O espectador fica com a impressão de que algo muito ruim deve acontecer na próxima cena, ou na próxima, ou na próxima… e essa sensação não se afasta de nós até o último minuto. Durante esse período as festas, as ligações telefônicas, os olhares suspeitos e o comportamento agressivo (especialmente contra as mulheres) mantêm viva a nossa impressão de uma “explosão” a qualquer momento, mas isso não acontece de fato.

A mensagem das férias fica clara, mas além do medo, todo o restante é raso demais para compor um bom resultado. E aí não adianta invocar os bons figurinos, o bom uso da música, a boa fotografia e até uma parte do ritmo da montagem, porque nada disso direciona a fita para um lugar que possamos chamar de “objetivo”. A própria sugestão de tentativa de mudança e fuga por parte de Sacha (tratada como se estivesse presa a essa realidade, sem possibilidade alguma de se livrar dos grilhões) jamais alcança maturidade, e se somarmos a isso a absolutamente inútil cena de violência sexual que temos na parte final, coroamos a obra pelo que ela realmente é: um filme com atmosfera exemplar, boa direção e roteiro que começa no nada e termina em lugar nenhum. Com uma boa dose de mal gosto no meio do caminho.

Holiday (Dinamarca, Países Baixos, Suécia, 2018)
Direção: Isabella Eklöf
Roteiro: Johanne Algren, Isabella Eklöf
Elenco: Victoria Carmen Sonne, Lai Yde, Thijs Römer, Morten Hemmingsen, Bo Brønnum, Michiel de Jong, Saxe Rankenberg Frey, Mill Jober, Adam Ild Rohweder, André Schmitz, Yuval Segal
Duração: 93 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.