Crítica | Homem Animal: Dave Wood Era (Strange Adventures #180, 184, 190, 195 e 201)

homem animal dave wood carmine infantino

estrelas 2

Que. Coisa. Chata! Antes de me aventurar pelos primórdios do Homem Animal, sua história de origem e primeiras aventuras, eu já tinha sido prevenido por alguns amigos de que o que eu ia encontrar era algo bem diferente daquilo a que estava acostumado do personagem nos Novos 52, fase onde eu conheci o personagem. E… bem, os avisos tinham razão. Não digo isso pela diferença de abordagem para o herói devido a passagem do tempo e sua brilhante reformulação nas mãos de Grant Morrison entre 1988 e 1990. Digo pela má qualidade das histórias, que exibem o que de mais conservador e mais chavão havia na década de 1960, tanto no relacionamento entre os personagens quanto nas ameaças contra as quais Bernhard “Buddy” Baker luta.

A chamada “Dave Wood Era” do Homem Animal, composta pelas 5 aventuras em que o personagem apareceu na revista Strange Adventures, foram escritas por Dave Wood, que criou o personagem juntamente com Carmine Infantino na SA #180. Na primeira história, temos a origem do “Homem Com Poderes de Animais”, que nos faz rir um pouco pela ironia de todo o contexto do enredo.

Na SA #180, “Buddy” Baker está caçando (isso mesmo!) e é atingido pela radiação de uma nave alienígena que o cega repentinamente e modifica sua estrutura celular. Alguns animais que estavam em treinamento em um circo próximo escapam e Buddy percebe que de alguma forma “absorve” as habilidades dos bichos quando se aproxima deles (na edição #201 fica estabelecido que a distância para isso acontecer é de mais ou menos 27,5 metros). Mas o texto de Dave Wood é tacanho, organizando o problema para o herói de forma atropelada e sem nenhum atrativo, dinâmica de eventos ou bons diálogos. A salvação acaba sendo arte um pouco austera e realista arte de Carmine Infantino com finalização de George Roussos, definitivamente a melhor coisa da edição.

No início, o protagonista não foi chamado de Homem Animal. A edição #180 o nomeia “The Man with Animal Powers” e seus primeiros poderes adquiridos são o seguinte: correr como um tigre, nadar como um leão marinho e ter a força de um gorila. Curioso é que há uma discrepância no roteiro, porque ele não assume o poder do elefante que enfrenta, mas lá pela edição #195 ele cita esse poder…

homem-animalNa edição #190 aparece pela primeira vez o codinome A-Man e o herói ganha um uniforme porque decide combater o crime e deixar o casamento de lado. O melhor amigo dele, Roger, é uma espécie de Alfred + Oráculo e o ajuda em tarefas “fora de campo”. Em todas as edições, a ação do Homem Animal é próxima do intragável e o melhor de todas as edições é sempre a arte que, mesmo assim, tem bem pouca coisa de especial.

A versão do Homem Animal que aparece na Strange Adventures #201, com os óculos estilizados e o uniforme mais bem trabalhado (segunda pequena modificação estética e que caiu muito bem ao personagem) seria quase reconhecível na era Grant Morrison. De todas as edições, esta é a menos ruim, mas novamente a arte ganha destaque. A despeito da premissa interessantíssima que deu ao A-Man, Dave Wood não conseguiu criar uma boa história para o personagem. Ainda bem que este herói não seria esquecido pela História e teria um futuro animal (hein? Hein?) pela frente.

Homem Animal: Dave Wood Era (Strange Adventures Volume 1 #180, 184, 190, 195 e 201) – EUA, 1965 – 1967
Roteiro: Dave Wood
Arte: Carmine Infantino (#180, 201), Gil Kane (#184), Jack Sparling (#190), Nick Cardy (#195)
Arte-final: George Roussos (#180, 201), Gil Kane (184), Jack Sparling (#190), Jack Sparling (#195)
Letras: Stan Starkman
Capas: Carmine Infantino, Gil Kane, Murphy Anderson
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de publicação: setembro de 1965 a junho de 1967
20 páginas (cada número relacionado ao Homem Animal)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.