Crítica | Homem Animal: Réquiem Para uma Ave de Rapina (1991)

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estrelas 3,5

Buddy Baker se consagra como o “fantoche com o qual todos querem brincar” nessa nova fase da revista Homem Animal, escrita por Tom Veitch. Depois de ser retirado do limbo dos quadrinhos e ser revirado pelo avesso por Grant Morrison, e após uma enlouquecida temporada na Terra Vinte e Sete, por Peter Milligan, em Nascido Para Ser Selvagem, o Homem Animal volta a ter problemas no uso de seus poderes. E um novo elemento metalinguístico é criado, o personagem Pedra (Stone), um nativo-americano que cria pequenas esculturas de pessoas (para nós, personagens) a fim de manipulá-las. Até uma representação de Morrison em Deus Ex Machina aparece entre essas criaturas de pedra — pensem nas implicações disso, dentro desse Universo.

O roteiro de Veitch demora um pouco para engatar. No início da primeira edição, Sou Um Homem de Profundos Poderes Profanos, temos a introdução das esculturas e Pedra recitando um verso (ou um mantra, ou algo do tipo) que voltará a aparecer nas outras revistas, não exatamente com essas palavras, mas com variações facilmente identificáveis dentro disso:

À noite, a chuva cai… Na grande noite, meu coração sairá. Na noite se ouvirá o grito de um homem… O homem é meu filho. Vocês já tiveram a chance. Agora é minha vez.

Como o arco termina sem uma resposta definitiva sobre Pedra e sua relação com o Homem Animal; ou o que ele pretende fazer, muita coisa que deve ter grande importância para a narrativa central de toda a fase ainda são um mistério, mas fica claro que tanto o índio quanto o também recém-criado engenheiro-hippie Travis Cody têm relações com o campo morfogenético da natureza e estão chamando a atenção de Buddy. Até que ponto esse chamado é benéfico, só o arco seguinte, O Senhor dos Lobos (edições #38 a 44) poderá dizer.

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Capa da edição #37: O Zoológico no Fim do Mundo.

Steve Dillon não perde a oportunidade de brincar com as variações de humor do protagonista e coloca bem a vida cotidiana do herói em oposição à sua saga de proteção aos animais e contra algumas instituições criminosas, algo que não aparece tanto no roteiro, é apenas brevemente comentado na reta final. A demonstração estética para o que Maxine — oficialmente marcada como herdeira dos poderes de Buddy, ou algo próximo disso — chama de “Homem Arco-íris” é muito boa, nos sugere uma força que manipula tempo, espaço e percepção humana, e que também se mostra ligada ao índio Pedra. E as cores de Tatjana Wood tornam essa representação ainda melhor.

Do meio para o final do volume, quando Buddy ganha autoconfiança e se sente cada vez mais livre em usar seus poderes, o texto começa a crescer e encontra o seu clímax no momento certo, no fechamento do arco. Veitch vai conseguindo criar no leitor uma sensação de que existe algo muito errado, a despeito do controle que o Homem Animal demonstra de si mesmo. O evento final, no zoológico de San Diego, é uma tragédia de proporções gigantes e tem um peso moral e ético tremendo para o herói. Não há como não arregalar o olho e esperar com ansiedade para ver as consequências desse acontecimento.

Inicialmente mais burocrático que os outros dois autores da Homem Animal Vol.1, Tom Veitch não perde de vista a metalinguagem da revista, não abandona o fator familiar ligado ao herói e apresenta uma ameaça quase muda, que aos poucos nos preocupa e em seguida se mostra realmente perigosa. O herói protetor dos animais sendo um verdadeiro perigo para os animais! Eis aí uma crise de identidade de poderes interessante, uma “luta consigo mesmo” que é uma novidade na revista, pelo modo como é abordada. O Homem Animal se torna o verdadeiro bicho, no sentido mais selvagem e quase irracional da palavra.

Crítica | Homem Animal: Réquiem Para uma Ave de Rapina (Requiem for a Bird of Prey) — EUA, março a julho de 1991
Roteiro: Tom Veitch
Arte: Steve Dillon
Arte-final: Mark Farmer (edições #33 a 35) / Steve Dillon (edições #36 e 37)
Cores: Tatjana Wood
Letras: John Costanza
Capas: Brian Bolland

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.