Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Com Spoilers)

estrelas 3,5

“Então, para se tornar um Vingador, tem algum teste, ou uma entrevista…?”

– Contém óbvios spoilers. Leia a nossa crítica sem spoilers, clicando aqui e nosso Entenda Melhor de referências e easter-eggs, clicando aqui.

Se Homem-Aranha: De Volta ao Lar fosse mais um reboot independente não relacionado a mais nenhum produto audiovisual do momento, certamente seria digno da adjetivação “desnecessário” por grande parte do público e da crítica. Proveniente do acordo entre a Sony e a Marvel Studios, que trouxe o personagem e sua mitologia para dentro do Universo Cinematográfico Marvel, este certamente é um produto esperado por muita gente – e nem pouco desnecessário aos olhos destes. Contudo, é de se estranhar as reclamações oriundas de boa parte dos fãs relativas ao minucioso entrelaçamento do personagem com o resto dos acontecimentos da cronologia deste “novo” universo.

Apesar dos diversos receios antecipados, este é um dos principais pontos positivos do filme e que logo de cara, o faz se destacar ao lado dos demais. De Homem de Ferro a Os Vingadoresdiversos filmes dessa extensa saga fazem-se presentes, ou seja, vívidos dentro de um conto de proporções menores, mas tão espirituoso quanto. Esta não poderia ser uma aventura “independente” do personagem como fora Guardiões da Galáxia Vol. 2. O Homem-Aranha (Tom Holland) está de volta ao lar, e não em um um apartamento alugado por tempo indeterminado.

Não faria sentido, após a sensacional introdução do personagem em Guerra Civil, o mesmo ater-se apenas ao seu próprio mundinho. Fomos apresentados a um garoto animado, atrapalhado, com vontade de sobra de participar das mais diversas atividades heroicas. Ele não tem que ser o Homem-Aranha, ele quer ser o Homem-Aranha. Nisso o filme dá margem ao contínuo distanciamento dos demais conflitos internos prévios. Fora uma menção indireta por meio da sentença “coisas que May passou”, não há espaço para a famigerada crise de poderes e responsabilidades e consequentemente, espaço para o lendário Tio Ben. De tal forma, o filme não traz apenas uma morada diferente para o personagem, como também uma inédita visão cinematográfica deste amigão da vizinhança.

Isto posto, adentramos na jornada de um entusiasta à super-herói, com incríveis poderes mas pouca habilidade e que, por via da sorte e do acaso, conseguiu participar de sua primeira, até agora única, missão ao lado dos Vingadores. Enquanto clama por uma nova oportunidade de “estagiar”, o garoto continua seu trabalho como herói local, atuando pela sua região de Nova York e resolvendo conflitos mundanos; um ponto interessante, que torna as experiências de confrontos contra super-vilões menos frequentes, e mais intimidadoras. Entretanto, é na vida regular de Peter Parker, na escola e no dia-a-dia, que a obra encontra um caminho tão bom quanto a jornada do herói que será estabelecida posteriormente.

Como temos uma May (Marisa Tomei) mais nova e menos fragilizada, dinheiro não é problema, o que faz o filme nem ousar explorar os méritos que fariam Parker um dia adentrar no Clarim Diário, como o cânone conta. Tais situações são adiadas para outros filmes, se assim os próximos roteiristas e a Marvel optarem por abordar. O que temos embasado por agora é a vida escolar do personagem. Com menções a O Clube dos Cinco e Curtindo a Vida Adoidado, o colegial americano ganha o ponto de vista do herói adolescente, que sofre pelas complexas relações escolares, assim como heróis adultos sofrem pelas suas próprias questões internas.

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Nem Homem-Aranha, nem O Espetacular Homem-Aranha. Nenhum desses dois longas de origem do herói adotaram o Ensino Médio como um organismo tão vivo quanto De Volta ao Lar o faz. O dia-a-dia do colegial ainda soa consideravelmente exaustivo para Parker, mas nem um pouco enfadonho para o público. O garoto não sabe lidar com as ofensas de Flash (Tony Revolori), então nem espere o descolado Peter de Andrew Garfield. Este não é, contudo, o nerd estereotipado, como o de A Vingança dos Nerds, muito menos o abobalhado de Tobey Maguire. Há uma linha cinza entre eles e é nela que o roteiro atua. E como atua bem, complementando o elenco jovem com personagens necessariamente diversificados.

Antes de mais nada, é preciso entender que o Homem-Aranha clássico é um produto de seu tempo e que, para se adequar aos dias de hoje, são necessárias mudanças ao seu cenário. Décadas separam os anos 1960 dos dias atuais, ou seja, a revisão de estruturas sedimentadas é mais do que obrigatória, ou é realmente necessário vermos uma escola recheada de garotos e garotas caucasianos padronizados por puro fan-service? Flash foge do arquétipo de bully, tendo muito mais espaço na tela do que os personagens homônimos anteriores. O personagem não é um atleta musculoso, mas um baixote no mínimo imbecil e economicamente privilegiado. Uma prova de que alguém não precisa ser fisicamente violento para ser psicologicamente aborrecedor.

Melhor amigo de Peter, Ned (Jacob Batalon) é um grande diferencial dos quadrinhos do Teioso. Primeiramente, acredita-se que este não se trata, pelo menos não até agora, de Ned Leeds, colega de trabalho e marido da primeira namorada de Parker, Betty Brant (Angourie Rice, em uma ponta pouco relevante). Suas semelhanças são mais comparáveis a Ganke Lee, personagem do finado Universo Ultimate dos quadrinhos da Marvel. De toda forma, o personagem é o maior alívio cômico do filme, funcionando muito bem no que se permite participar. Batalon é extremamente carismático, tendo muito mais química com Parker do que Harry Osborn teve na pele de James Franco na trilogia de Sam Raimi.

Por outro lado, Liz (Laura Harrier), o par romântico do personagem, não é uma figura tão forte quanto Mary Jane e Gwen Stacy foram em obras antecessoras. A química entre a garota e Peter é baixa, mas não havia o porquê desta ser fortificada. O próprio filme garante à personagem o status de paixonite passageira. Algo efêmero, e não intrinsecamente verdadeiro no qual o destino promoverá o reencontro. Uma boa aproximação ao material fonte, visto que Liz Allan nos quadrinhos dos anos 60 também é um afeto – nada bem relacionável – de colégio, que nunca prova-se verdadeiro, retornando para as histórias apenas para tornar-se esposa de Harry Osborn. Em De Volta ao Lar, Liz Allan parte para Oregon após o clímax da obra em decorrência dos eventos que acontecem ao seu pai – algo que será analisado mais afrente.

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Após ser apresentado no início do filme através de uma divertidíssima sequência de gravações como o super-herói amigão da vizinhança, Tom Holland é ainda mais primoroso que Andrew Garfield fora no reboot anterior. As tiradas cômicas são em sua maioria excepcionais, com a voz levemente esganiçada de Holland contribuindo ainda mais para com o aspecto jovial do personagem. Ele realmente parece um garoto de quinze anos que coincidentemente adquiriu super poderes e um uniforme high-tech. A inexperiência do herói, entretanto, acaba dando origem a diversas situações inoportunas: da descoberta da identidade secreta de Peter por parte de Ned às tentativas contínuas de esquivar-se de May, que enfim provam-se fracassadas no final mais que hilário.

Estes são elementos pequenos que modelam perfeitamente uma constante nos quadrinhos clássicos do herói, ou seja, a não conciliação da vida heroica do personagem com a vida rotineira. A inclusão do Homem-Aranha no Universo Cinematográfico Marvel soa ainda mais que crível. Ela soa orgânica. Entende-se perfeitamente por que o herói nunca antes fora mencionado. Sendo reduzido a um amigão da vizinhança e impedido de atuar livremente por Happy Hogan (Jon Fravreau em sua melhor aparição na franquia de filmes da Marvel), Peter acaba cometendo seu primeiro delito, logo após descobrir de planos criminosos envolvendo tecnologia alienígena, ao retirar o rastreador de seu uniforme. A empolgação esbarra em limites, mas o nosso sensacional herói ri dos limites.

Outra das demais reclamações reside-se na hiper tecnologia aplicada ao traje do aracnídeo, com discursos puristas rejeitando-o. Interrompo logo os fãs xiitas por aí, pedindo-vos que reparem que o rastreador que o Cabeça de Teia usa no segundo Shocker (Bokeem Woodbine), um dos capangas – nada demais em termos narrativos – do antagonista principal, remete-se diretamente às clássicas edições de The Amazing Spider-Man, que também dão surgimento às múltiplas teias, paraquedas e às “asas”- estas mais consolidas no cânone – mas que ganham justificativas mais abrangentes. Todos estes são atributos desenvolvidos pela dupla Lee/Ditko, que apenas ganham explicações mais sólidas, baseadas na mitologia já estabelecida neste universo. Notifica-se ao espectador desatento que Jennifer Connelly é a voz por trás de Karen, a inteligência artificial por trás da versão “desbloqueável” do uniforme. A coesão desta saga ganha mais sustância na informação de que Jennifer é esposa na vida real de Paul Bettany, o Jarvis e consequentemente, o Visão.

Mais uma polêmica que não encontra paralelo com a realidade do produto, Tony Stark (Robert Downey Jr.), o nome mais popular deste universo compartilhado, pontua muito bem em suas poucas aparições, abrindo definitivamente as portas para a glamourosa entrada do Homem-Aranha. Sem o tio Ben, Stark assume o papel de mentor, mesmo que este não traga uma carga dramática tão poderosa quanto a da velha figura paterna. O que falta à relação é a presença de diálogos mais intensos, e espaço para Downey Jr. mostrar seu imenso leque interpretativo além do alívio cômico. A retirada do uniforme high-tech, após o Teioso causar um gigantesco alvoroço e quase ocasionar centenas de vítimas em uma balsa, soa indevidamente hipócrita e desnecessária, ainda mais após o bem sucedido resgate de seus colegas do Decatlo anteriormente em Washington D.C. Custava dar mais uma chance ao garoto? Fora que nem houve vítimas.

A fragilidade da carga dramática de De Volta ao Lar prejudica imensamente um momento específico do longa: a cena de Parker debaixo de escombros, sem seu uniforme high-tech, após ser derrotado pelo vilão, já no terceiro ato do filme. A cena é obviamente inspirada na épica sequência do clássico arco A Saga do Planejador Mestre, correspondente às edições #31 a 33, mas seu impacto é quase nulo. Enquanto na inspiração temos um herói capaz de levantar blocos de concretos pela sua tia May, próxima à morte, neste, o voice-over do Homem de Ferro chega a ser brochante, mesmo que a execução do momento seja bem feita – um pouco menos de escuridão seria melhor.

Não espere outra sequência grandiosa do personagem como fora a sequência em cima do trem contra o Doutor Octopus (ainda o melhor vilão do Aranha nos cinemas, tendo sido interpretado brilhantemente por Alfred Molina) em Homem-Aranha 2. Aqui elas são menos inventivas, sendo que a última no terceiro ato do filme é deveras esquecível, mesmo que a escuridão excessiva de tal tenha sido utilizada como artifício para maquiar a artificialidade do boneco digital do herói. A aparição do vilão alado após a primeira intervenção do Aranha no contrabando é problemática, pois apesar do personagem ser visualmente ameaçador, a câmera tremida não caminha bem ao lado dos cortes rápidos. O diretor Jon Watts se favoreceria de planos mais longos, um estilo mais próximo ao Sam Raimi da trilogia original.

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Antagonista de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, o Abutre (Michael Keaton) também traz uma relação íntima com os acontecimentos de filmes anteriores, sendo introduzido como mais uma peça de um quebra cabeça de quase dez anos. A destruição da cidade de Nova Iorque é o ponto que alavanca a “vilania” do personagem. Ao ser informado que o Controle de Danos, no qual Stark é dono, irá tomar posse da retirada dos destroços e objetos alienígenas, Adrian encontra-se em meio a problemas financeiros, enxergando um caminho no roubo de tais artefatos cósmicos. O velho ladrão de bancos, criado logo na The Amazing Spider-Man #2, sofre uma adaptação humanizadora, tornando-se aqui uma figura com motivações mais compreensíveis, mesmo que a ganância tenha subido a cabeça do personagem mais e mais depois de tanto tempo.

Ademais às previamente comentadas, também há mais mudanças bruscas na mitologia do vilão principal. Enquanto o(s) Shocker(s) e o Consertador são antagonistas relativamente menores, o “urubuzão” é um dos maiores vilões da vasta galeria do Homem-Aranha. Adaptações com tal personagem como as que ocorrem em De Volta ao Lar podem ser, para fãs mais extremistas, grandes problemáticas. A mais significativa delas é o fato de Adrian também ser o pai de Liz, visto que tal mudança também implica na alteração do background deste outro personagem coadjuvante clássico do Teioso. O plot twist do longa também remete-se diretamente a esta mudança, sendo que seu impacto, especialmente aos fãs hardcore, pode variar, mesmo que nada aqui se compare – nem de longe – ao que aconteceu com o Mandarim em Homem de Ferro 3 – um filme pouco compreendido, por sinal. A vasta maioria do público do filme irá definitivamente se surpreender, provando a eficácia desta reviravolta na trama.

Para fins de progressão da análise do filme, o que acontece é que, ao buscar Liz na sua casa, após ter perdido seu uniforme para Tony, Peter é recepcionado por Adrian, revelando tal como pai da garota, causando tanta apreensão no personagem título quanto no público. A sequência ganha um teor mais tenso, caindo diversas vezes em uma comicidade nervosa diante da angústia. Rumo ao homecoming, o vilão gradativamente assimila o garoto ao herói que antes enfrentara. O diretor acerta ao transpor calmamente a reação da descoberto do Abutre que insinua aos poucos a sua descoberta a Peter, que encontra-se derradeiramente enclausurado no meio termo entre o medo e o desespero. A famosa “conversa do paizão com o namoradinho da filha” é subvertida, e Toomes abre mão da insinuação para a ameaça de fato, durante um excelente monólogo.

Esta cena no carro ganha espaço fácil no panteão das melhores cenas da franquia de filmes do Homem-Aranha. Nela, Peter encontra-se em seu momento mais frágil, não podendo revelar-se como Homem-Aranha e tendo de submeter-se às ameaças proferidas pelo pai de Liz. Tom Holland consegue desempenhar muito bem seu papel como uma figura amedrontada, assim como desempenha Michael Keaton como uma figura amedrontadora. As ameaças de Toomes não residem-se apenas no clássico embate de heróis versus vilão. Por dentro o antagonista está tão assustado quanto o protagonista, temendo a exposição de suas atividades criminais não apenas para a polícia, mas para a sua família.

O roteiro do filme, assinado por seis cabeças, permite ao Abutre, um clássico oponente do Teioso, despontar como o segundo melhor vilão dos filmes do Aranha, ao lado do Duende Verde de Willem Dafoe. Adrian Toomes não é verdadeiramente um homem mal, disposto a cometer atrocidades em vão e atormentado por uma vingança irrefreável. Suas ações são calculadas, e até o mais “cruel” dos seus atos – a morte do primeiro Shocker (Logan Marshal-Green) – acontece por engano, em uma troca inoportuna das armas desenvolvidas pelo Consertador (Michael Chernus). De tal modo percebemos a importância da primeira cena pós-créditos, que revela ao público a não-intenção de Adrian em vingar-se do Aranha – pelo menos ainda não.

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Fora todas as homenagens ao Homem-Aranha clássicos dos anos 60, é relativamente fácil de se perceber a vasta conexão deste filme com o Universo Ultimate. Trazendo de volta o conceito do personagem sendo fruto de sua época, já comentado anteriormente, o que acontece aqui é a permanência de uma essência de Peter Parker/Homem-Aranha nostálgico, mesmo que sua estruturação seja consideravelmente alterada. A maior parte das adaptações puxam da versão Ultimate do herói, encontrando eixos perfeitos para a jornada do personagem. O colegial, por exemplo, é muito breve nos quadrinhos regulares, sendo pouco pincelado pelo roteiro de Lee e Ditko que mais se preocupava nas aventuras contra o crime do personagem e na situações econômica do personagem – o Homem-Aranha junta-se ao Clarim Diário logo de cara, por exemplo. A maior homenagem ao Universo Ultimate encontra-se na participação de um criminoso chamado Aaron Davis (Donald Glover), que como mesmo revela no filme possui um sobrinho. O nome deste sobrinho, como apontam as HQs, é Miles Morales. Sim, o mais popular personagem Ultimate está no Universo Cinematográfico Marvel, quer seja apresentado futuramente ou não. Eu, particularmente, espero que seja.

O filme ainda possui diversas situações triviais que encorpam a autenticidade do mito desenvolvido pela terceira vez nas telas. O fluido de teia sendo criado no laboratório da escola é outra inspiração vinda dos anos 60 e aqui ganha mais espaço, diferentemente de O Espetacular Homem-Aranha. É hilário ter algumas das perguntas mais constantes do personagem sendo respondidas com jocosidade. Sem os arranha-céus de Manhattan, a locomoção é muito mais problemática – mas tão divertida quanto – no Queens. Por fim, deve-se comentar da trilha sonora do filme, pouco memorável, mas bem funcional quando aplicada diegeticamente. Para acessar a crítica da trilha sonora original do filme, clique aqui.

A obra possui diversas pequenas conclusões, e duas destas são extremamente expressivas. A primeira relaciona-se à personagem de Michelle (Zendaya), coadjuvante que apesar de ter pouco a fazer neste longa, revela-se no último momento como apelidada de MJ (apelido também da famosa Mary Jane). Esta mudança é a única que fez-me torcer o nariz de leve. Terei que esperar a sequência deste filme para digerir este fato até então pouco aprazível. O final de fato, coloca o Homem-Aranha à frente de Tony Stark, com este convidando o herói para fazer parte dos Vingadores. Após – com todo o sentido – recusar o convite (o que relembra a The Amazing Spider-Man Annual #3), indica-se ao espectador que tal era um teste, mesmo que depois de apenas alguns instantes após Peter sair da nova instalação do super grupo, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) surge revelando um cenário parecido com a coletiva de imprensa da super saga Guerra Civil. Por fora, pergunta-se: só eu que achei irresponsável Tony Stark chamar um garoto de 15 anos para fazer parte dos Vingadores? Em Guerra Civil já era meio errado o Homem-Aranha estar no meio de tudo aquilo, mas agora as coisas foram além. Eu entendo como sendo parte da personalidade despreocupada de Tony Stark, mas a chance de abordar isto, e suas possíveis consequências, era agora. Chance desperdiçada, relevarei tal preocupação para futuras obras (Vingadores: Guerra Infinita, por exemplo).

Homem-Aranha: De Volta ao Lar não é superior aos dois primeiros filmes da trilogia original, mas segue o melhor caminho possível para o personagem. As incongruências encontradas no roteiro e a direção pouco inspirada não se aliam muito bem à espetacular atmosfera criada no filme. As atuações principais são fortes, sendo que Tom Holland é definitivamente o melhor Homem-Aranha do cinema. As liberdades poéticas que o roteiro encontra para progredir a narrativa pode encontrar barreiras nos corações de leitores e espectadores mais fervorosos. Pessoalmente, agraciei-me com a maioria das mudanças. Com uma participação de Stan Lee mediana, e a segunda cena pós créditos sendo a melhor já feita, alguns detalhes menores fazem toda a diferença para a obra. De Volta ao Lar certamente não é um filme esquecível, visto que momentos grandiosos como a já famigerada cena no carro irão permear a memória do espectador por muito tempo. Enfim, bem vindo de volta, Cabeça de Teia.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming) — EUA, 2017
Direção:
 Jon Watts
Roteiro: Jonathan Goldstein, John Francis Daley, Jon Watts, Christopher Ford, Chris McKenna, Erik Sommers
Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Robert Downey Jr., Marisa Tomei, Jon Favreau, Gwyneth Paltrow, Zendaya, Donald Glover, Jacob Batalon, Laura Harrier, Tony Revolori,  Bokeem Woodbine, Logan Marshal-Green, Michael Chernus, Michael Mando, Jennifer Connelly, Chris Evans, Garcelle Beauvais, Stan Lee, Martin Starr
Duração: 133 min.

GABRIEL CARVALHO . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidades, movido por uma pequena loucura chamada amor. Já paguei as minhas contas e entre guerra de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia. Eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar, não é mesmo?