Crítica | Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Trilha Sonora Original)

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estrelas 3

Michael Giacchino tem cada vez mais se tornado o queridinho de Hollywood quando se trata de trilhas sonoras de filmes. Desde o reboot de Star Trek, um dos trabalhos seus que mais chamaram a atenção, ele elaborou as músicas de dezenas de longa-metragens, incluindo Jurassic World: O Mundo dos DinossaurosDoutor EstranhoRogue One: Uma História Star Wars e, agora, Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Um dos aspectos que mais chama a atenção do músico é a sua versatilidade, visto que ele já demonstrara saber lidar com diferentes gêneros, compondo melodias que se diferenciam entre si, se encaixando perfeitamente com a atmosfera da obra à qual se relaciona. O mesmo pode ser dito da trilha desse novo filme solo do Aranha.

Giacchino, em Doutor Estranho, demonstrou saber capturar a essência do personagem e o mesmo seria necessário aqui. Estamos falano de um longa que se destaca pelo seu ar descontraído, situado no high-school, algo que, inevitavelmente, precisaria transparecer na música. O álbum já começa chamando a atenção, através do tema orquestrado do desenho dos anos 1960, tocado durante a apresentação do logo da Marvel Studios, o que é suficiente para causar arrepios em qualquer um, com Giacchino já demonstrando o apoio maior nas cordas e sopro, algo que se manteria ao longo de toda a trilha.

Esse “gostinho” de aventura inicial, contudo, não chega a aparecer novamente e, de fato, não combinaria com o restante do filme – se trata de uma faixa com ar mais heróico e estamos lidando com um longa que justamente lida com o aprendizado de Peter, que ansia ser um dos Vingadores – dito isso, ele ainda não é esse herói, é apenas o amigão da vizinhança.

Dito isso, as outras músicas do álbum se dividem em dois grupos, os quais, cada um, se apoiam claramente em duas melodias em específico. O primeiro corresponde ao tema do Abutre, trazendo variações de The World is Changing, melodia que traz maior peso dramático, bem representando a vilania do antagonista, quase de maneira infantil, com sons mais graves marcados pela percussão e instrumentos de sopro, o que dialoga com a visão do Aracnídeo em relação ao personagem, o vendo como uma ameaça muito maior do que ele efetivamente é (ainda que seja perigoso e deva, sim, ser impedido).

O segundo grupo de músicas, por sua vez, se apoia em Spider-Man: Homecoming Suite, que, de fato, é uma amálgama do que ouvimos ao longo do filme. Trata-se de um tema que mistura a descontração da vida de Peter e sua persona mais bem-humorada como herói e a própria responsabilidade que o manto do Aranha requer. Escutamos uma presença constante de pizzicatos, intercalando com a flauta transversa aqui e lá, conferindo a atmosfera de uma trama centrada em um personagem mais jovem. Claro que sons mais graves e a percussão aparecem em determinadas melodias, trabalhando com a imagem a fim de construir o suspense e a sensação de urgência sentida ao longo da projeção.

Infelizmente, ao contrário de seu trabalho em Doutor Estranho, que nos entregou memoráveis melodias como Strange Days AheadGo for Barroque ou The Master of the Mystic, Giacchino faz da trilha de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, uma que praticamente não sobrevive sem o apoio da imagem. Ela, sim, cumpre sua função de estabelecer a atmosfera do filme e, por isso, já merece o reconhecimento, mas não nos entrega nada que seja verdadeiramente reconhecível fora do filme (a não ser, é claro, a versão orquestrada do tema do desenho sessentista). Dito isso, somos deixados com poucos motivos para ouvir o álbum mais de uma vez, visto que ele somente funciona como parte essencial do longa-metragem.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Trilha Sonora Original)
Artista:
Michael Giacchino
País: 
Estados Unidos
Lançamento: 
07 de julho de 2017
Gravadora: 
Sony Masterworks
Estilo: 
Trilha Sonora

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.