Crítica | Homem-Aranha Superior Vol.1 (Edições #1 a 31)

estrelas 3,5

The Amazing Spider-Man #700 foi uma obra, no mínimo, polêmica. Nela, vimos a morte de Peter Parker após o Doutor Octopus ter trocado de corpo com o herói. Assim, o verdadeiro aracnídeo perece na decadência que era o Otto Octavius. Homem-Aranha Superior continua exatamente deste ponto, encerrando a numeração dos quadrinhos originais e iniciando uma própria. O Amigão da Vizinhança é, agora, um de seus maiores inimigos.

A curiosidade inicial sobre o que exatamente Octavius fará com seu novo corpo é inevitável. É bastante óbvio que ele tentaria se tornar um novo herói, mas quais seriam seus métodos é a chave do problema. Dan Slott utiliza justamente essa dúvida e faz dela a chave de sua trama – as diferenças entre Peter e Otto. Passamos a ver, portanto, novas maneiras de se combater o crime e uma maior utilização da robótica: milhares de pequenos robôs-aranhas patrulham a cidade e reportam os crimes diretamente ao novo herói. Com isso, aos poucos, o Aranha se torna uma espécie de Big Brother de Nova Iorque.

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O Big Brother

A violação da privacidade de uma cidade inteira, contudo, gera resultados. Sozinho, o aracnídeo consegue acabar com todas as famílias criminosas da cidade, visando uma era de paz, uma paz que Peter não conseguia alcançar. Na mente de Octopus, isso faz dele superior e somos excessivamente lembrados disso através de seus diálogos interiores muitas vezes repetitivos. Ainda assim, Slott consegue exprimir bem a personalidade do personagem, garantindo um certo tom de vilania e heroísmo, ao mesmo tempo.

Mas de onde vem tal vontade de combater o crime? Tal pergunta possui duas respostas, uma complementar à outra. O último arco de The Amazing Spider-Man é chamado de Dying Wish (O Último Desejo). Nele, não só Parker morre como pede para que Octavius continue protegendo a cidade. O até então Doutor Octopus acata o pedido. Mas algo além disso move o corpo do Aranha. No interior de sua mente, uma pequena fração de Peter permanece – uma consciência ligada às memórias que Otto decidiu não apagar. Dessa forma, no primeiro terço de Homem-Aranha Superior temos a influência do antigo aracnídeo moldando o modus operandi do novo herói. Apesar disso, as coisas, algumas vezes, fogem ao controle e Octavius acaba usando violência excessiva.

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MJ e…Otto?

Tais diferenças na personalidade do Aranha acabam atraindo a atenção de pessoas próximas a ele e dos Vingadores, grupo do qual o próprio aracnídeo faz parte neste ponto da história. Dessa forma, Slott conduz a trama bastante bem amarrada dessa nova fase do aracnídeo. Com grande poder vem grande responsabilidade é o ensinamento que continua movendo a mão do herói. Homem-Aranha Superior mantém sua identidade através de tais similaridades, mas entretém o leitor por meio das inúmeras diferenças entre Peter e Otto. Os impactos na vida tanto dentro quanto fora da roupa do Aranha são cativantes, por mais que o roteiro tenha seus eventuais deslizes.

A forma efetiva como a narrativa é conduzida nos leva a um inevitável e empolgante arco de encerramento que coloca à prova todas as capacidades do herói. Neste ponto, a nova vida de Otto já nos é familiar e chegamos a simpatizar com o personagem, mas, aos poucos, somos feitos enxergar que o Homem-Aranha Superior é falho e, na verdade, menos efetivo que o verdadeiro aracnídeo. Dan Slott utiliza essa premissa, gerando um dramático encerramento que somente peca nos seus exatos momentos finais que soam apressados demais.

Homem-Aranha Superior é um quadrinho que nos mostra que nem todos podem levar o manto do Aranha, não importa quão boas sejam suas intenções. É uma bela mudança dentro da história do personagem, gerando inúmeras situações, até então, inusitadas e diferentes encontros com famosos vilões do aracnídeo. O roteiro possui inúmeros deslizes, mas estes não prejudicam a história como um todo, tampouco conseguem tirar a atenção do leitor que certamente será entretido por essa nova fase.

Homem-Aranha Superior # 1 a 31 (The Superior Spider-Man # 1 a 31, EUA)
Roteiro: Dan Slott
Arte: Ryan Stegman, Humberto Ramos, Giuseppe Camuncoli
Editora (nos EUA): Marvel Comics
Editora (no Brasil): Panini
Lançamento (nos EUA): janeiro de 2013 a abril de 2014 (31 edições)
Lançamento (no Brasil): dezembro de 2013 (em andamento)

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.