Crítica | Homem-Formiga e a Vespa – Prelúdio do Filme

Tenho dito e repetirei aqui: a Marvel Comics tem perdido grandes oportunidades de transformar os prelúdios dos filmes de seu braço de cinema em algo mais do que meras formalidades burocráticas feitas para capitalizar em cima do Universo Cinematográfico Marvel. A editora poderia muito bem, na linha de seu um dia sensacional Universo Ultimate, usar seus prelúdios como peças importantes para expandir os filmes e não apenas repeti-los ou trazer informações vagas sobre determinados personagens.

Mas, infelizmente, este não parece ser o caminho escolhido se lembrarmos de todas os demais “prelúdios” de seu filmes. E as aspas se justificam, pois, na grande maioria das vezes, a editora usa a designação prelúdio de forma enganosa, somente para adaptar o filme imediatamente anterior dentro da sub-franquia do personagem. Se o prelúdio de Homem-Formiga focava nas desventuras de Hank Pym, o Formiga original, emprestando uma visão minimamente inédita para os leitores, o da continuação, Homem-Formiga e a Vespa nada mais é do que a adaptação em quadrinhos do primeiro filme.

Nada de errado nisso, claro, mas a adaptação poderia ser algo mais do que apenas a transliteração do filme de 2015 para a Nona Arte. Se há um aspecto positivo nisso tudo é que esta adaptação em particular, escrita mais uma vez por Will Corona Pilgrim, que tem se especializado nesse tipo de trabalho, é competente o suficiente para servir como uma forma de o leitor relembrar o primeiro filme sem ter que reassisti-lo. Está tudo lá, do começo na década de 80 com Hank Pym demitindo-se da S.H.I.E.L.D. até a pancadaria final entre o segundo Homem-Formiga e Darren Cross, o Jaqueta Amarela, seguido da “cena pós-créditos” que revela o uniforme da Vespa à Hope Pym.

No entanto, alguns aspectos narrativos importantes do filme se perdem quase que completamente nos quadrinhos. O mais evidente deles é a hilária verborragia de Luís, amigo de Scott Lang. Suas histórias confusas e repletas de voltas e mais voltas desnecessárias não são bem transpostas para as páginas da minissérie em duas edições. A leitura torna-se cansativa e a progressão de quadros de Chris Allen não ajuda em nada, por ser burocrática e cansativa.

O outro elemento que vai para o ralo completamente é o mundo em miniatura que vemos tão bem no filme. E não falo aqui do Reino Quântico, que ganha um mero quadro apertado e perdido em um página (um desperdício que, na mão de um artista mais competente, poderia resultar em algo deslumbrante), mas sim da miniaturização “normal” de Scott ao longo de seu treinamento, de sua missão na empresa de Cross e a luta que se segue. Todos os detalhes colocados tão bem no filme, incluindo a luta na “ferrovia de Thomas, o Trenzinho” são impressionantemente sub-utilizados, como se o artista não tivesse tido paciência – ou não soubesse – em trabalhar detalhes em suas artes.

Com isso, o texto razoavelmente competente de Pilgrim, que poderia resultar em uma HQ bacana, acaba ficando soterrado por uma arte que nem de longe aproveita o potencial da história, transformando a minissérie em uma leitura rápida e completamente esquecível no momento em que a última página é virada. Isso combinado com o desperdício que é não aprendermos mais detalhes sobre os personagens ou sobre essa fatia do UCM torna toda a experiência um esforço que paga pouquíssimos dividendos, como uma Caderneta de Poupança.

É realmente uma pena que a Marvel Comics não explore esse potencial filão de HQs baseadas nos filmes. O resultado disso são quadrinhos que, quando são bons, ficam no máximo um pouco acima da linha da mediocridade (não é nem o caso aqui), quase nada ou nada acrescentando a esse rico universo que a Marvel Studios vem construindo há 10 anos nos cinemas.

Homem-Formiga e a Vespa: Prelúdio (Ant-Man and the Wasp: Prelude, EUA – 2018)
Roteiro: Will Corona Pilgrim
Arte: Chris Allen
Arte-final: Roberto Poggi
Cores: Guru-eFX
Letras: Travis Lanham
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: maio e junho de 2018
Editora no Brasil: não lançado no Brasil na data de publicação da presente crítica
Páginas: 40 (20 cada edição)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.