Crítica | Homens-Aranha # 3 e 4 de 5

Homens-Aranha (Spider-Man) é uma minissérie em cinco edições lançada este ano (2012) como parte das comemorações editoriais para os 50 anos da criação do Amigão da Vizinhança.

O ponto principal da edição nº 3 dessa minissérie sobre o encontro de Peter Parker e Miles Morales no Universo Ultimate é o menos inspirado até o momento, trazendo-nos apenas uma batalha interessante contra vilões que deveriam ser ilusões criadas por Mistério mas que lutam e machucam como qualquer vilão real.

Talvez a característica que mais tenha desfavorecido a revista foi a passagem rápida de um bloco de acontecimentos para outro. Essa rapidez, que aparentemente serviu para dar uma dinâmica de movimento à história, fez com que o plot central fosse pouco desenvolvido e chegasse até mesmo a perder o sentido que inicialmente nos foi apresentado. Até mesmo o gancho para a edição seguinte sofre com isso, conseguindo, por sorte, manter a carga emocional típica das histórias do Homem-Aranha.

A aparição dos Supremos nessa edição foi um pequeno complicador narrativo também. Talvez Brian M. Bendis julgou necessário apresentar o Homem de Ferro como parte da história após a luta quase impossível contra os vilões pseudo-ilusórios de Mistério a fim de dar a Tony Stark a missão de decifrar o enigma da vinda de Parker para o mundo Ultimate. A confusão entre o “lá e cá” permanece, e talvez seja a única semelhança original mantida intacta pelo roteirista. Infelizmente, a história se quebra em pequenos acontecimentos, que até poderiam ser notáveis em uma revista com um número maior de páginas, mas que aqui não ultrapassa a linha de algo a ser nomeado, com muita boa vontade, de mediano.

Na edição nº 4, voltamos à trilha original, ou seja, de uma história bem desenvolvida e com poucos núcleos dramáticos independentes, o que nos dá a oportunidade de entender melhor as nuances psicológicas do texto e curtirmos melhor o andamento dessa estadia de Parker no mundo do Spider-Man adolescente. O encontro de Parker com Gwen e tia May é digno de nota, e além de bem escrito, muito bem ilustrado, com pontos muito mais inspirados do que os da edição anterior, que continha vergonhosos quadros brancos com personagens mal distribuídas.

A ligação da trama de Parker com a S.H.I.E.L.D. é feita de maneira natural, sem interferir negativamente na história, a exemplo dos diferentes focos narrativos da edição anterior.

Como eventos em continuidade que ao final acabam se cruzando, observamos aqui um melhor uso do tempo e aproveitamento de oportunidades. É de se esperar uma conclusão muito satisfatória dessa minissérie, caso Brian Michael Bendis siga essa linha de roteiro sem pressa ou milhões de histórias desconexas. Material para isso ele tem.

A relação entre Miles Morales e Peter Parker nessa edição se mostrou fraterna, e até agora, a mais interessante da minissérie. Além disso, a grande diferença entre as personagens já conhecidas por nós e as do Universo Ultimate é sempre um choque e algo interessante de ser visto, especialmente se bem contextualizado e com as ressalvas de estranheza devidamente citadas no texto, como é o caso dessa edição.

Na próxima revista, o desfecho virá com uma batalha entre Mistério (e possivelmente suas ilusões) os Aranhas e os Supremos. Tomara que os metidos da S.H.I.E.L.D. não obscureçam a dupla de Amigões que se encontraram nesse Universo. A revista é deles, afinal de contas, e o desfecho deve ser dado e definido por eles.

Homens-Aranha # 3 e 4 (Spider-Man # 3 e 4)
Lançamento: EUA, julho/agosto, 2012 

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.