Crítica | Homens-Aranha # 5 de 5

Embora eu não faça parte daquele grupo de leitores que odiaram essa minissérie e desfilaram impropérios ao autor e aos artistas, devo dizer que fiquei um pouco decepcionado com o final. Claro que esta edição nº 5 de Homens-Aranha (2012) não é algo de se jogar fora, mas de alguma forma eu esperava ser surpreendido por Brian Michael Bendis. O afunilamento dos conflitos internos da série foi tão “normal” e os acontecimentos caminharam tão perfeitamente para um the end sem crises, que ao término da revista, me vi parado, olhando para a última página, tentando definir o que eu realmente havia achado.

Por uma lado, é possível entender a finalização feliz e sem muitas alterações empreendida pelo autor. Exceto pelo destino de Mysterio, nada de muito notável se configura como definitivo (ou quase definitivo), e a isso podemos atribuir o problema inicial da minissérie: ao trabalhar com dois universos diferentes, era preciso tomar muito cuidado para que a coisa não se tornasse uma guerra dos mundos, o que obrigaria a Marvel a fazer uma série explicativa para costurar a bagunça, que por sua vez… ou seja, para evitar as confusões cronológicas tão criticadas na DC Comics, alguns critérios foram impostos a Bendis, e o principal dava conta de que ele não poderia escrever nada que alterasse significantemente os dois mundos.

Mysterio é um vilão tão sem graça e desacreditado que não se importaram em deixá-lo preso (literalmente falando) no Universo Ultimate. Isso, claro, é uma semente de possibilidade que levaria Parker novamente ao mundo de Miles Morales, mas isso são apenas conjecturas. O que temos de palpável, e isso sim foi algo interessante, embora servisse apenas como tópico elogiável de final de minissérie, foi a dúvida posta sobre o Miles Morales do nosso Universo. A busca de Peter Parker não deixa dúvidas de que se trata de uma personagem que ele conhece ou pelo menos já ouviu falar. Sinceramente gostaria de saber quem é, e leria tranquilamente uma minissérie que apresentasse esse encontro.

Bendis soube lidar com as razoáveis restrições editoriais e escreveu uma história boa, que em nada faz feio ao ritmo e acontecimentos das edições anteriores, respeitando apenas a questão de essa ser uma história de encerramento, logo, com elementos que dessem conta do recado. Como já disse, esperava algo que chacoalhasse mais o projeto, contudo, olhando friamente, posso dizer que o autor conseguiu compor uma página interessante na história do Homem-Aranha. Não se trata de uma obra-prima (bem longe disso!), mas nem de perto de aproxima do horror intocável que muitos leitores andam dizendo ser essa minissérie.

Algo um pouco menos inspirado são os desenhos e a arte final de Sara Pichelli para este finale. Os rostos dos Vingadores aqui estão realmente bizarros, e há quadros em que Thor parece Odin e o Gavião Arqueiro parece um meme qualquer. Ainda bem que essa inconstância se dá em apenas alguns pontos da revista, de modo que podemos apreciar todo o restante tranquilamente. As cores de Justin Ponsor são realmente ótimas, seguindo a mesma linha que ele vinha fazendo nas edições anteriores.

Fica a dúvida sobre quem é Miles Morales no nosso mundo e sobre o que Mysterio fará (ou o que será feito dele) no outro universo. Por hora, resta dizer que Homens-Aranha foi uma experiência curiosa, seja pela peculiaridade do encontro (é inegável que os dois Aranhas juntos foram demais), seja pelo tratamento dado à minissérie, evitando-se coisas estapafúrdias como fizeram com Deadpool, e optando por uma estrutura narrativa geral dotada de normalidade, embora carente de uma coisa ou outra, aqui e ali. Tudo bem que um Aranha não é pouco, mas dois Aranhas (do bem) são interessantes de serem vistos juntos.

Até a próxima minissérie!

Homens-Aranha # 5 (Spider-Men # 5)
Lançamento: EUA, setembro, 2012
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Sara Pichelli
Cores: Justin Ponsor
22 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.