Crítica | “How Big, How Blue, How Beautiful” – Florence + The Machine

estrelas 4,5

A jovem Florence Welch e sua banda é uma prova de como a terra da rainha ainda sabe oferecer muita coisa boa para o mainstream. A cantora atingiu um status de popularidade de cantora pop tão alto quanto as Britney Spears da vida. A ironia disso tudo é sua imagem (física e musical) totalmente oposta a estas. Bem longe do brilho, da luz, constrói uma imagem às vezes até decadente, unida a um certo lirismo e afinado vocal. Em How Big, How Blue, How Beautiful, vemos um álbum sólido como um terceiro disco de carreira deve ser, se consolidando uma das melhores bandas do atual mainstream.

O novo disco deixa os dois pés firmes no indie rock/pop. Com bem menos pretensões líricas, o grupo aborda um lado diferente do que já mostrou, com arranjos que sabem fazer um excelente uso das guitarras, bateria, piano e metais, tudo sendo muito bem encaixado. Se trata de uma abordagem que soube muito bem ser “comercial” – contrariando o significado do adjetivo que costuma ser ofensivo. Temos aqui um álbum dividido entre uma primeira parte intensa e roqueira que nos chama atenção para a banda The Machine, uma segunda mais lírica e focada na interpretação de Florence, e uma terceira que une muito bem as duas coisas.

É um álbum essencialmente pop que sabe trabalhar com esse estilo como poucos. Pra aqueles que perguntam “onde está a harpa?”, a resposta é que a música do grupo está muito além disso. Podemos ver como Florence + The Machine não depende desse tipo de coisa pra se reinventar (ao contrário de Mumford & Sons e a falta de seu banjo). Tanto que em substituição a harpa recebemos instrumentos de sopro que passam um charme único a HBHBHB. Mesmo com uma sonoridade um pouco diferente, temos a essência do grupo intacta. A energia que Queen Of Peace passa é a mesma de Howl em Lungs, assim como a interpretação e capacidade vocal extraordinária que Florence já mostrava em sua estreia com Dog Days Are Over é a mesma que ela mostra hoje em Delilah.

Muito mais que Florence, o disco se trata muito de sua MÁQUINA. Sim, isso mesmo, com caps lock, porque a execução de sua banda merece ser bastante ressaltada. São detalhes como a guitarra repentina de What Kind Of Man, os metais sensacionais do fim da faixa homônima e o instrumental arrebatador do fim de Mother que nos permitem ver a extrema importância de cada peça dessa máquina e como o conjunto da obra é bem organizado. O único erro cometido no álbum é a ordem totalmente errada das primeiras canções (troque a posição da faixa homônima com Ship To Wrech e veja se não soa melhor, por exemplo).

É com um terceiro álbum inspirado e potente que Florence + The Machine consegue dosar a quantidade certa de pop e rock, mostrando a boa fase da música britânica que ultimamente vem sabendo trabalhar muito bem os dois gêneros, visto os recentes trabalhos de Noel Gallagher’s High Flying Birds, Blur e Royal Blood. HBHBHB é maduro como um terceiro disco de carreira deve ser e corrobora com os elogios que o grupo recebeu nos trabalhos anteriores. Fica a esperança de daqui a alguns anos poder olhar para o disco e se ter a certeza que se trata de um clássico da música pop desta década.

Aumenta!: How Big, How Blue, How Beautiful
Diminui!:
Música Preferida: What Kind Of Man

How Big, How Blue, How Beautiful
Artista: Florence + The Machine
País: Inglaterra
Lançamento: 29 de maio de 2015
Gravadora: Island
Estilo: Indie Rock, Indie Pop

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.