Crítica | “Human After All: Remixes” – Daft Punk

estrelas 3

Há 8 anos atrás, o Daft Punk  lançava seu terceiro disco: Human After All. Algum tempo depois, eles lançavam um álbum remix dessa mesma obra. Mas tinha um problema. O álbum de remix foi lançado apenas para o Japão.

Esse ano, os robôs mais famosos da música eletrônica resolveram relançar o disco de remix, mas, novamente no Japão. No entanto, essa semana o duo formado por Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter surpreendeu a todos e, sem nenhum aviso, lançou Human After All (Remixes) em formato digital para o mundo inteiro. O álbum está disponível para compra no iTunes e streaming via Spotify.

O disco dá um up bem grande à terceira obra do duo francês. A verdade é que Human After All é o trabalho mais fraco da dupla. Ainda que ele tenha suas qualidades, soa repetitivo em diversos momentos. O grande acerto desse remix é acabar com grande parte desse sério problema, as versões remixadas fazem boas adaptações eletrônicas, sem soarem repetitivas.

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“Robot Rock!”

O álbum possui 6 versões remixadas de Technology. Esse é um problema. Sério que precisavam de tantas? Enquanto sobrou versões de Technology, não há nada de faixas como Television Rules The Nation, um dos maiores potenciais de Human After All. Entre esses 6 remixes podemos ver alguns bastante inovadores. A versão feita pelo Peaches No Logic incorpora influências do indie rock e do electropop da atualidade. O acerto é fazer electropop sem parecer uma dessas fatalidades que vem sendo feitas por artistas medíocres como Kesha e Lady Gaga.

Algumas faixas são excelentes desempenhos de house, como o remix feito por Basement Jaxx Control Mixx, lembrando os melhores tempos do Chemical Brothers, sabendo fazer grandes variações no remix, sem soar repetitivo. Temos ainda algumas boas surpresas nos remixes de Robot Rock, o remix de Soulwax parece flertar com o bitpop, influência nunca vista no Daft Punk.

Alguns remixes deixaram as faixas originais quase irreconhecíveis, Prime Time Of Your Life merece aplausos pela eficiência técnica mostrada pelo Para One Remix. Por outro lado, alguns desapontam miseravelmente. Brainwasher, que já era fraquíssima no trabalho original, continua sem resolver o problema do house barato e da repetição.

O trabalho ainda contém uma faixa não inclusa na versão lançada no Japão em 2006. Se trata de um remix de Technology feito pelo Le Knight Club, um projeto paralelo de Guy-Manuel De Homem Christo. A faixa é um destaque a parte, sabe manter a essência da música,  mas com samplers mais dançantes e uma batida mais pesada.

Se você é um desses que não aguenta mais escutar as parcerias do duo com Pharell Williams e Julian Casablancas e sente saudades da veia mais eletrônica dos robôs, esse álbum chegou na hora certa. Depois dos prêmios que o excelente Random Access Memories recebeu ano passado, eu apostaria que o Daft Punk ainda vai demorar a lançar material novo (assim como fez antes). Por enquanto, esse trabalho é uma boa pedida, principalmente se você é um fã dos velhos tempos dos robôs.

Enquanto isso, os fãs ainda clamam por uma turnê mundial.

Human After All: Remixes
Artista: Daft Punk
País: França
Lançamento: 29 de março de 2006 (Japão) e agosto de 2014 (mundialmente)
Gravadora: EMI
Estilo: House

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.